E vai já em 27 anos de “velha” as Festas do Crato. E mais uma vez
tenho que recorrer a um ditado popular: “é como o vinho do Porto,
que quanto mais velho melhor”.
É verdade, as festas e o festival vão-se renovando todos os anos
para melhor e o visitantes por sua vez aumentam.
Salvo um ano ou outro que falhei, lá voltei este ano a fazer a
peregrinação àquela vila alentejana. E sabem uma coisa? Cada
vez que lá vou venho sempre cheio de inveja porque em Elvas não
se consegue evoluir daquela maneira, antes pelo contrário, andamos
como o caranguejo, ou seja, para trás. É um regalo para os olhos ver
tudo organizado, tudo a funcionar sobre rodas. E eu a roer-me todo
cá por dentro!
Mas será que Elvas não consegue por pessoas inteligentes e evoluídas
à frente do NOSSO S. Mateus. Eu começo a acreditar que não.
Aqui pratica-se o culto do deixa andar, do conservadorismo, do
tradicionalismo bacoco, da falta de visão. Aqui ao leme das festas da
cidade, temos pessoas com uma falta de visão monumental (que me
perdoem os que fazem o favor de ser meus amigos) e não posso
perdoar tal. O importante é ter uma opa toda pomposa, ir-se inchado
na procissão e ter-se um lugar de destaque na igreja. PROVINCIALISMO!
E um dia vão-se ver gloriosamente SÓS. Nesse dia, vão olhar para o lado
e assobiar como se nada fosse com eles. Mas se ainda cá estiver, nesse
dia que não andará muito longe, direi bem alto: CULPADOS.
Há uns anos atrás estava convencido que uma das razões que levava as
pessoas a querer ter poder era o vil metal. A experiencia de vida veio-me
a ensinar que não é só essa a razão. Nos cargos importantes, sim. Agora
nos cargos menores não. O ser-se presidente duma junta de freguesia
pobre, ser-se director de uma qualquer colectividade ou coisa do género,
não dá dinheiro e só traz problemas. Então qual a razão de haver sempre
candidatos para estes lugares? O ser-se tratado por Senhor Presidente,
por Senhor Director, ou ter-se um lugar de destaque, “manda muita nice”
como dizem os jovens. É uma DROGA e as drogas viciam.
Exmos. Senhores membros da Mesa da Confraria do Senhor Jesus da
Piedade: por favor vão-se embora, por favor dêem o lugar a outros
que tenham ideias, por favor dispam a pomposa opa e dêem lugar a
quem arregace as mangas da camisa. Por favor, vão jogar às cartas ali
para o tabuleiro da Praça da República e deixem que outros o façam.
Sei que a esta hora haverá por aí muita gente a chamar-me nomes, mas
tenho a certeza absoluta que há por aí muitos mais a concordarem comigo.
Só que calam e eu NÃO.
Voltarei ao assunto tantas as vezes que forem necessárias para que as
coisas mudem.
Passei a minha meninice entre o Largo de S. Domingos e a Quinta do
Pendão. Vi nascer e crescer não sei quantos S. Mateus. Recordo-me
aqui com saudade alguns dos elementos que faziam parte da Confraria
nessa época. Recordo-me de um Dr. Pires Antunes, do Sr. Figueira, do
Sr. Tianza, do meu querido PAI, do Sr. Capelão, do Sr. Jorge Pinheiro
(ainda vivo) e de alguns dos funcionários que punham as festas de pé
como o Sr. António e o Miguel (ainda vivos), o Angelino, o Sr.
Diamantino (electricista), o velho Baleca Brazão e o Cabo (o pintor)
e outros mais que já não recordo.
Recordo-me com saudade desses tempos.
Não podemos deixar morrer o S. Mateus. Cabe aos verdadeiros elvenses
acabar com este estado de coisas.
Jacinto César
Não caro amigo, bom elvense não é todo aquele que pensa como eu. Bom elvense é todo aquele que quer bem à nossa cidade e faz o que for preciso por ela. Bom elvense é todo aquele que sente os problemas e não aquele que os ignora. Entendeu?
Jacinto César
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