(Foto de Victor Mascarenhas)
Começou no fim-de-semana passado mais uma Feira de S. Mateus.
Não, não estou enganado, pois estou a referir-me à romaria de Viseu
e que é uma das maiores do país.
Mas já que falo desta festa em Viseu, apetece-me voltar à carga com
a sua homónima de Elvas.
Há infelizmente invisuais, mas piores cegos são aqueles que não querem
ver. São aqueles que se recusam a ver.
São aqueles que nem que se lhes ponham as coisas à frente continuam a ver.
Isto vem a propósito de há uns quantos anos ter vindo a bater-me pela
alteração das datas das festas da nossa cidade.
Já aqui expliquei, até com documentos, que a festa inicialmente até era
em Outubro, mas como nesse mês já se estava no início do novo ano
agrícola, resolveu-se mudar as festas para 20 de Setembro, data que
marca o fim do ano da lavoura e o início do seguinte. Ou seja, os nossos
antepassados altearam a data das festas em função das necessidades
dessa época. Foram inteligentes.
E como é a nossa vida actualmente?
Em primeiro lugar quero referir-me às crianças e jovens, que em parte,
são dos principais frequentadores das festas. Como é sabido, nestes
últimos anos, as férias escolares têm-se contraído bastante. O próximo
ano escolar começa a 8 de Setembro. Isto quer dizer que quando as
festas começam já as aulas vão em velocidade de cruzeiro.
Isto obriga também os pais a gozarem as suas férias no mês de Agosto.
Tal facto obriga a que toda a gente vá para a cama mais cedo.
Em segundo lugar, quero referir-me aos nossos conterrâneos a viver fora
de Elvas ou mesmo fora do país.
Se nós que vivemos cá temos os problemas que atrás enunciei, esses
problemas são exponenciados para todos aqueles que vivem fora de Elvas.
Em terceiro lugar queria referir-me aos turistas. Como todos sabem,
Agosto é o mês em que Elvas recebe um maior número de visitantes.
As festas seriam mais uma atracção a oferecer a quem nos visita.
Por fim e talvez o mais importante: o clima. Como toda a gente sabe a
meio do mês de Setembro começam a cair as primeiras chuvas,
acompanhadas muitas vezes de trovoadas. Depois é o que se vê: o
imenso parque vazio.
Dito isto, qual é o problema de avançar num mês as Festas da Cidade?
O argumento da tradição não colhe como já o demonstrei mais que uma vez.
Sobre o assunto, já uma vez fiz chegar às mãos da Confraria do Senhor
Jesus da Piedade uma cópia do documento emitido pela Diocese de
Évora a autorizar as primeiras festas. Ninguém o conhecia. Mas também
ninguém quis saber.
Sei que o assunto é polémico, mas ponha-se à discussão da população e
em última análise, faça-se um referendo aos elvenses.
Agora manter as coisas como estão, é matar o S. Mateus aos poucos.
Depois, bem, depois é como sempre e ninguém é culpado.
Acabe-se com a teimosia. Abram os olhos. Oiçam as pessoas.
Voltarei ao assunto mais à frente.
Jacinto César
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