Parece um paradoxo, mas por vezes, mesmo que se perca,
ganha-se!
Já há muito que ando arredado do futebol. Penso que até aqui
já tinha falado sobre o assunto, devido à falta de profissionalismo dos
jogadores. Estão a fazer um sacrifício em fazer aquilo pelo que lhe pagam
fortunas. Desculpem-me o termo, mas para mim não passam de “chulos”.
Casualmente, segui o Campeonato do Mundo de sub-20.
Olhando para a selecção, salvo o nome de um ou outro jogador, não
conhecia ninguém.
Fazendo uma apreciação geral, os seleccionados em termos
técnicos são muito fraquinhos comparados com gerações anteriores.
Penso que não andarei muito longe da verdade.
Mas, e há sempre um mas, houve um factor que foi verificável
durante todos os jogos a que assisti e que me deixou feliz: o espírito
de grupo e a entrega.
Há um par de “luas” que não via nada igual ao que me foi dado a
presenciar. Notável!
Reportando-me agora somente ao jogo último com o Brasil,
fiquei encantado. Comovido mesmo! Aqueles rapazes merecem o
nosso aplauso e poderiam servir de exemplo para a nossa juventude.
Aquele prolongamento foi dramático. Vi ali jovens que já tinham
dado tudo o que tinham e mesmo assim não desistiram. Não me sai
da memória a imagem de um jogador, do qual não me
recordo o nome (africano), que a poucos minutos do final teve que
sair. Já não conseguia coordenar os movimentos, sinal de um tremendo
esforço físico. Fiquei comovido.
Outro jogador ainda, avançado, também já não podia com uma
“gata pelo rabo”, mas aguentou pé firme até ao derradeiro apito. Resumindo,
todos eles deram o litro ou comeram a relva como se diz na gíria desportiva.
Perderam é certo, mas para mim foram uns HERÓIS. Caíram pelo resultado,
no entanto, caíram com dignidade e verticalidade.
Comparando este grupo de jovens com aqueles que se arrastam
todos os domingos por esses relvados é injusto.
Gosto que os meus ganhem, mas perder-se assim é uma vitória.
Assim, sim, dá vontade de ver futebol.
Jacinto César
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