Vista aérea do Mercado Roque Santeiro
Hotel de luxo de Luanda
Como muitas pessoas sabem, servi o meu País em Moçambique como
militar nos anos 72 a 74 do século passado.
Pondo de lado as questões da guerra, o ambiente que se vivia nas
principais cidades era de puro colonialismo de inspiração britânica
(influências da África do Sul e da Rodésia). Os colonos que aí viviam
eram donos e senhores de tudo e de todos e até os militares que aí se
encontravam a defendê-los não eram bem aceites.
Numa das férias que tive, para vir a Portugal, como o avião fazia escala
em Angola, resolvi passar aí uns dias. Como era diferente o modo de
vida em Angola.
A primeira impressão que tive, era a de que estava em Portugal.
Em Luanda vi aquilo que para mim era impensável: estando sentado
numa esplanada da avenida marginal, vi um branco a vender lotaria
e a engraxar sapatos no mesmo instante em que estacionava junto ao
passeio um Alfa-Romeu Montreal (na época era qualquer coisa da
categoria de um Ferrari) e dele saiu um africano de fatinho branco.
Em Moçambique era impossível. Para dizer a verdade, senti-me bem.
Tanto havia pobres negros como brancos e com os ricos passava-se da
mesma forma. Era bonito de se ver.
Isto vem a propósito do que li na última edição da revista “Sábado”
sobre Luanda.
Fiquei envergonhado, para não dizer enojado com o que li! Como é
que é possível haver milhões de angolanos a passar fome e meia
dúzia de corruptos a viverem à grande e à francesa e ostentarem essa
mesma riqueza? Não, não é definitivamente a Angola que tive a felicidade
de conhecer.
Um qualquer tipo que nem tem coragem de dar a cara, a gabar-se de
gastar um milhão de Euros numa festa de aniversário, um casal com dois
filhos pequenos que tem 5 carros topo de gama, com os respectivos
condutores e que gasta 20 mil euros mês num batalhão de criados e outros
casos igualmente escandalosos! Para dar uma ideia final, Luanda é simplesmente
a cidade mais cara do Mundo!
Como é que é possível haver um grupo de lambe botas do poder maltratar assim
um povo inteiro?
E o que mais me espanta é essa canalha chamar ainda hoje colonialistas aos
portugueses.
Colonialistas? Nós? Comparado com o que se está a passar há uns anos a esta
parte em Angola, os portugueses eram uns meninos de coro. Uns anjos!
Até o “António” se levantasse a cabeça de novo ficaria horrorizado com a situação!
Que fazer a isto?
Jacinto César
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