A morte de Carlos Castro vem demonstrando aquilo que venho dizendo há muito tempo: o prazer de cada um saber da vida dos outros.
É verdade que Carlos Castro foi assassinado, o que logo à partida está mal!
É verdade que Renato Seabra matou e não o deveria ter feito!
Estes são os factos! Alguém foi morto e alguém vai ter que pagar pelo que fez.
E que faz o povo? Sente um prazer mórbido em conhecer todos os pormenores dos acontecimentos. Precisa de saber com precisão como tudo aconteceu.
E as televisões que fazem? Dedicam horas ao assunto para deleite do Zé Povo.
O que mais estranho é que a televisão pública e que é paga por todos nós faz exactamente o mesmo.
Temos um povo miserável! Temos um povo a quem lhe fazem tudo e mais alguma coisa e ele diverte-se deste modo.
O que é necessário é saber da vida dos outros, como eles comem e dormem, com quem andam e até como morrem.
Pode estar algum pobre doente ou faminto que isso não incomoda. Agora se um maricas qualquer é morto por um chulo e ambos são figuras mediáticas, isso sim é importante.
Podem-lhe diminuir o vencimento, aumentar os impostos, aumentar-lhe os bens de primeira necessidade. Isso é acessório. Agora se uma VIP qualquer fez mais uma plástica ou foi vista em trajes menores, isso já é importante e motivo para por um país inteiro preocupado.
Razão tinha afinal Salazar quando seguia a política dos FFF. Mantinha o povo sereno e manso.
Os tempos são outros, as técnicas também são outras, mas no fundo tudo se mantêm igual.
Jacinto César
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