Antes de mais um Bom Ano de 2011 para todos.
Quanto à vida nova, bem, nova sim mas para pior. Por muito optimista que seja, e sou, não vejo nada de bom para o ano que agora começa. Os males de que sofremos (o País, claro) continuam a existir e não se vê uma cura a curto prazo, antes pelo contrário, ir-se-ão agravar. Mas lá iremos. Por agora vou-me referir a dois casos locais que me fizeram confusão nestes últimos dias.
1 – Por razões que não interessam, passei a viver há uns meses a esta parte no Centro Histórico e tenho-me vindo a aperceber de coisas inconcebíveis.
Na semana entre o Natal e Ano Novo apareceram pelo centro da cidade um grupo (penso eu) de vândalos que se entreteu a vandalizar automóveis. A mim calhou-me a pintura da traseira do carro com um spray vermelho (estou agradecido ao menos por não ter sido de verde ou azul, já que sou benfiquista). Houve tratamentos para todos os gostos. E onde pára a polícia? Não faço a mínima ideia já que os não vejo em lado algum. Pode-se fazer o que cada um quiser e lhe aprouver. Claro está que este meu desabafo não quer beliscar de modo algum os Agentes da corporação, mas sim as políticas seguidas no campo da segurança. Estes fazem o que podem e que lhes deixam fazer. Os OBJECTIVOS a cumprir são de outra natureza que não o da segurança de proximidade. É lamentável o que se obriga a fazer a um punhado de Homens bons em nome do cumprimento de objectivos de alcance muito duvidosos. Não queria estar na sua pele.
2 – Infelizmente este segundo apontamento é também dirigido às autoridades policiais, não sabendo bem a que competia intervir no caso que a seguir descrevo.
Faltavam aí uns dez minutos para as catorze horas de hoje, quando ao entrar para o carro ouvi uma série de sirenes que me pareceram de bombeiros ou ambulâncias. Não liguei ao assunto já que é uma coisa que acontece com frequência.
Como me deslocava para a escola, quando cheguei ao viaduto deparei com uma fila grande de carros que não andavam ou andavam muito lentamente. Fui levado na corrente até chegar próximo da Senhora da Nazaré e aí apercebi-me que tinha havido um acidente de viação. Aquilo que consegui ver, eram 2 ambulâncias e um carro de desencarcerando dos Bombeiros e depois um carro que me pareceu estar a arder. Lá fui andando a passo até chegar junto da rotunda do Tribunal. De verdade tinha sido um acidente e o trânsito estava caótico. E quem estava ao comando desse mesmo trânsito? Um bombeiro cheio de boa vontade! Polícia ou GNR nada. Nem vê-los. Não sei a quem pertence a jurisdição daquele local, mas alguém deveria estar presente. Quando consegui finalmente ultrapassar o engarrafamento já deveriam ter passado pelo menos vinte minutos da hora em que ouvi as sirenes. Tão pouco sei quanto tempo ainda passou até as autoridades chegarem. Mas será que não é uma situação bizarra aquilo a que muita gente assistiu? Se calhar estavam a tentar cumprir os objectivos que são obrigados a cumprir.
Mais uma vez quero aqui referir que nada me move contra os agentes da lei. Compreendo a sua situação e lamento-a. Mais, acho que nos tempos que correm, é preciso ter muita coragem para que qualquer homem ou mulher sigam esta carreira, sabendo à partida as humilhações a que vão estar sujeitos e os problemas que vão enfrentar, já que as políticas a que estão sujeitos serem incomparavelmente mais perigosas que os bandidos que andam por aí à solta.
Jacinto César
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