É a primeira vez que me recorde que digo, finalmente as férias acabaram.
Foi uma grande aventura e um teste de resistência, não a nível físico, mas a nível psicológico. Reconheço que me tinha preparado para o pior, só que esse pior foi largamente ultrapassado.
Jamais na minha vida pensei que houvesse um país dos ditos ricos (11ª potência económica mundial) onde a miséria fosse tão grande. Nem nos países africanos que conheço se vive daquela maneira. As pessoas (o povo) pouco importam. Basta para tal lembrar que em Portugal os animais para serem transportados de um ponto para outro, os camiões precisam de ter determinadas condições. Lá as pessoas são transportadas de uma forma que até os nossos animais sentiriam vergonha.
Educação não há (não é obrigatória), saúde é o salve-se quem puder, os transportes públicos já falei neles, os esgotos correm a céu aberto. Aquilo não é um país, mas sim um desastre. No entanto têm 46 centrais nucleares e não sei quantas bombas atómicas. Mas nem o facto de terem tantas centrais nucleares faz com que a luz falhe vezes sem conta durante o dia, incluindo a super metrópole que é Nova Deli com os seus 20 milhões de habitantes.
Senti vergonha de haver pessoas a viver daquela maneira. Mil vezes a nossa pobreza que aquela riqueza.
O Nepal já é um bocadinho melhor.
A grande surpresa para mim e que me fez subir um bocadinho o meu orgulho de ser português foi GOA. É um mundo à parte na Índia. As pessoas educadas e asseadas, as ruas limpas e as casas pintadas, estradas em condições, escolaridade obrigatória. Mas mais orgulho senti ao ouvir um goês dizer que se Goa é assim, aos portugueses se deve. Cresci um palmo no meu orgulho. As casa tipicamente de origem portuguesa, os nomes das ruas que mantiveram na sua grande maioria os seus nomes originais, com direito a painéis de azulejos iguais ao de cá, os hábitos e mesmo a língua que é mais falada do que aquilo que eu esperava. Senti um orgulho imenso ver o sem número de igrejas bem tratadas e as fortalezas reconstruídas. Quem me dera ter podido ficar mais uns dias, já que o território é bem maior do que julgava e os dois dias que lá estive não deram para ver quase nada.
Fiquei comovido e confesso que me saiu uma lagrimazinha do olho, quando no primeiro dia fui abordado na rua por uma vendedora de artigos para turistas e em bom português a mandei passear. A senhora pegou-me pelo braço e disse-me em português correcto: “senhor, olhe que isto aqui é um bocadinho de Portugal!”.
Jacinto César
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