Desde que me recordo de andar nestas aventuras, hoje tive que me “render”. O corpo já não dava mais.
Ontem e depois da “maravilhosa” viagem de comboio até Varanasi, à noite ainda fui assistir às cerimónias nocturnas de preparação dos defuntos desse dia para serem cremados no dia seguinte. Significa isso que cheguei ao hotel por volta das 11 da noite.
Eram 3 e meia da manhã estava a tocar o telefone do quarto a tocar e uma voz do outro lado a dizer-me que me tinha que levantar. Eram 4 da manhã, quando ainda em jejum me pus a caminho do Ganges. Contra todas as expectativas havia um trânsito infernal. Os carros, dado o movimento dos peregrinos e dos familiares dos defuntos, tinham que ficar relativamente longe. Por meio de labirintos apinhados de gente, não sei bem como é que cheguei ao rio. Parece-me que houve momentos que caminhei meio a dormir.
Às cinco da manhã estava a entrar para um “barco” que iria percorrer um troço do rio e paralelamente à margem.
O que ali se vê é indescritível e é necessário um certo estofo psicológico para ver aquelas cenas.
Milhares de pessoas a tomarem banho no rio imundo, mas sagrado para eles, com um cheiro a “churrasco” à mistura. Como não podia deixar de ser as cinzas são lançadas à água. Eu não vos digo nem vos conto o que se vê durante aquelas horas. O pior era que tinha os olhos a fecharem-se-me e por pouco não fui parar também ao banho. Tinha tido uma vantagem: a esta hora estava puro como à nascença e teria espiado todos os meus pecados.
Um pouco antes das 10 da manhã tive que regressar ao hotel para poder tomar o pequeno-almoço, pois de seguida ainda iria a um templo Hindu.
O pequeno-almoço bateu com estrondo no fundo da “pança” e aí fiquei com uma “moca” tremenda. Estava rendido. Os olhos recusavam-se a abrir e o corpo pedia uma cama. O guia se quisesse que fosse sozinho para cumprir “calendário”, que o meu corpinho recusava-se a entrar no carro.
Fui para a cama. Dormi até às 2 da tarde, hora a que fui descomprimir na piscina. Quando voltei ao quarto e olhei para a cama, pareceu-me ter visto um dedo a chamar-me para nela me meter outra vez. Com um grande “sacrifício” fiz-lhe a vontade. Só acordei por volta das 6 da tarde e porque a barriga estava a dar horas.
Amanhã é dia de abalada para o Nepal. Bem, espero bem que sim porque com o tempo que aqui está nunca se sabe se o avião levanta voou ou não. Só em cima da hora é que se sabe.
Uma continuação de boas férias para quem as esteja a gozar ainda.
Jacinto César
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