A partir de hoje fiquei com duas certezas!
1 – O Taj Mahal é das “coisas” mais belas que vi em toda a minha vida;
2 – Não vou continuar a dizer mal do meu país.
1 – O Taj Mahal é na verdade deslumbrante. Enche o olho de uma forma que jamais se pode esquecer. Bem, penso que nunca conseguirei passar para palavras o que senti perante o mausoléu. INDESCRITÍVEL!
2 – Por volta das seis da tarde fui para a estação de caminhos-de-ferro de Agra para apanhar o comboio com destino a Varanasi. O dito apareceu eram quase 10 horas. Tinha bilhete de 1ª classe executiva.
Quando o comboio apareceu, não faço a menor ideia quantas carruagens passaram por mim até parar e tão pouco fiquei a saber quantas ainda ficaram para trás.
As horas de espera foram anedóticas dignas de um drama de Felinne. Havia gente por todos os lados, a fazerem de tudo, acompanhados pelas ratazanas enormes a passearem-se por entre elas. Uns comiam, outros dormiam no chão, os amigos do alheio a praticarem a profissão, a polícia com cassetetes de bambu tentando meter todos na ordem. Estou a falar de muitas centenas de pessoas, para não errar ao dizer uns quantos milhares. A casa de banho eram os carris. Os homens nem se dignavam a descer, já que o repuxo era mais vistoso cá de cima. Os colies (carregadores) com montanhas de malas à cabeça de um lado para o outro. A gaiatagem local vendia de tudo: de comidas muito duvidosas, a bebidas, a “souvenirs” e até preservativos. Resumindo, uma confusão total.
Entro para o comboio e lá chego ao meu compartimento de classe executiva. Qualquer carruagem de 3ª classe de há 50 anos atrás era melhor. O compartimento imundo. Uma coisa parecida com uma “cama” com uns lençóis que até um porco tinha pejo em se deitar em cima. Uma coisa do outro mundo. Se o compartimento era assim, imaginem a 3ª classe. Até os camiões em Portugal que transportam animais têm que ter melhores condições. As pessoas amontoavam-se em todos os cantos. Havia pessoas que dormiam de cócoras nos locais para por as malas. E porquê de cócoras? Para caberem mais. Autêntica ficção. E as casas de banho? Bem, é melhor nem falar nelas. Contra todas as previsões, deitei-me vestido em cima da presumível roupa de cama e ferrei a dormir até que alguém me deu umas pancadas na porta e dizer que esta a chegar ao destino. Consegui dormir 10 horas seguidas. Não me perguntem como, mas consegui.
Comecei dizendo que não diria mais mal do nosso país. Perante o que tenho visto nesta primeira semana, prefiro continuar a ter a nossa economia em 28º lugar mundial a estar em 11º como os indianos estão. Preferia ser muito pobre em Portugal do que rico por aqui.
Boa continuação de férias para aqueles que ainda as estão a gozar.
Jacinto César
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