Todos nós os mais velhos se recordam de Lisboa nos anos 60 do século passado e do aparecimento dos primeiros dormitórios de Lisboa: a Damaia, a Buraca, a Amadora e S. António dos Cavaleiros do célebre J. Pimenta.
Por esses anos uma tia minha acabou por ir parar à Damaia pelo facto de ter ficado viúva e o filho aí morar. Como o meu pai só tinha um mês de férias e nós 3 (eu e o meu irmão) íamos lá parar durante grandes temporadas. Consigo ainda recordar-me como era o ambiente da Damaia.
Montanhas de prédios, lojas de bairro e ninguém nas ruas. Por essa época brincávamos na rua com a mesma tranquilidade como se em Elvas estivéssemos.
Pela tardinha era passeio quase certo descermos pela rua principal e irmos até à estação da CP ver as pessoas achegar e ao mesmo tempo esperar-mos pelo nosso primo que mais comboio menos comboio acabaria por chegar. Tempos bons para nós, mas muito maus para quem trabalhava em Lisboa, já que quando chegavam a casa era tempo de comer e ir para a cama pois no dia seguinte era outro igual de trabalho.
Isto vem a propósito da tão propalada euro cidade Elvas/Badajoz.
No último dia houve um comentador que falou nisso mesmo sem se preocupar muito. Elvas, nas suas palavras, só tem a ganhar. Montanhas de espanhóis a comprarem casa aqui e a fazerem a vida do outro lado. E quem lucra com isto? Os donos dos edifícios que se construíram e que estão vazios? E depois, vamos nós também a trabalhar para Badajoz, criar lá a riqueza e regressar todos os dias a Elvas para dormir? É isto que se pretende para Elvas?
Lamento, eu não ambiciono tal para a minha cidade. Nós precisamos é de investimentos aqui! Nós precisamos como pão para a boca de mais gente que aqui viva, mas que aqui trabalhe também.
Elvas como cidade ou cresce em habitantes ou morre! Não há aqui situações intermédias. A bola de neve tanto dá para ir crescendo como para se ir desfazendo. Nós estamos nesta fase. Estamos a desmantelarmo-nos ás pinguinhas.
Veja-se o número de alunos do 1º ciclo: em queda! E do 2º e 3º ciclos? Em queda! E no secundário? Em queda! E que significado tem isto? Há menos pessoas. Há uma dúzia de anos haviam em Elvas cerca de 500 professores de todos os ciclos. E hoje, mesmo tendo diminuído o número de alunos por turma, não chegam a 300. Isto significa que numa dúzia de anos perdemos só nesta classe 300 pessoas que na prática serão quase mil pois as famílias também foram embora. Significa que foram menos 1000 bocas a consumir e que por sua vez arrastaram outros sectores e estes arrastaram outros numa sequência imparável. Vão restando os velhos, as instituições que deles tratam, os trabalhadores da autarquia e todos ou outros que são necessários.
Só que os velhos também morrem!
Caros amigos, eu não acredito que venham tempos bons para Elvas, mas também não quero maus ventos.
Presumo que a autarquia pouco ou nada possa fazer por isto. Esta, pode até oferecer terrenos e até pode comparticipar na instalação das empresas que quiserem vir para cá produzir. Mas se os empresários não quiserem vir para cá o que é que se pode fazer? Obrigá-los a vir? Basta recordar que os próprios elvenses que têm capacidade para o fazerem não quererem. E não me venham com a ladainha que é por uma questão política. Isso é atirar areia para os olhos dos mais simples.
E de que estão à espera os outros elvenses para fazerem qualquer coisa? Reúnam-se, juntem o que têm e invistam na sua terra. Ah, já me esquecia de um pormenor: e quem é que ficava a mandar?
Jacinto César
ELVAS É NA MADEIRA?
Chão da Lagoa, Funchal, Madeira, Portugal.
Aquilo que se passa com a oposição, na Madeira, é um caso único. A oposição há mais de 30 anos que perde eleições, que têm sido ganhas pelo PSD. Mas a oposição continua a perder eleições e há responsáveis de partidos políticos a perder eleições atrás de eleições e não se demitem. Mais ainda: esses responsáveis de partidos da oposição, além de não se afastarem apesar de terem derrotas sucessivas, ainda têm o descaramento de pedir a demissão dos que ganham eleições umas atrás de outras.
Mais palavra menos palavra, esta foi uma ideia transmitida em parte do discurso de Alberto João Jardim, ontem à tarde.
Alô, Alberto João: isso não é só na Madeira! Cá por Elvas, há menino que perde eleições atrás de eleições, leva abadas de goleada e não só não se demite, como pede a demissão dos que ganham folgadamente as eleições que ele perde.
Quem é o menino, quem é?
Ou será que Elvas é na Madeira?
Alô, São Luís e Vila Nova de Milfontes: aí, no concelho de Odemira, está-se a ouvir alguma coisa?
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