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Sexta-feira, 16 de Julho de 2010

O fracasso

Recebi hoje por e-mail a transcrição de uma artigo de opinião que, por traduzir muito daquilo que penso nos tempos que vão correndo, passo a transcrever  sem qualquer outro comentário:

“Não admira que num país assim  emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca  adquiriram, (Olá! camaradas Sócrates...Olá! Armando Vara...), que usem  dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente  face a um público acrítico, burro e embrutecido.
Este é um país em que a  Câmara Municipal de Lisboa, desde o 25 de Abril distribui casas de RENDA  ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e  jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder  as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade  profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos,  destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.

Em  dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER.  Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos  e pelo poder judicial. Agora contínua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à  mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao  esqueleto deste povo burro e embrutecido.
Para garantir que vai  continuar burro o grande cavallia (que em português significa cavalgadura)  desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das  Novas Oportunidades.

Gente assim mal formada vai aceitar tudo e o país  será o pátio de recreio dos mafiosos.
A justiça portuguesa não é  apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.
Portugal tem um défice de  responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice  financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos  da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da  corrupção.

Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem  existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.

Por uma vez  gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto  arrumado.

Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo  do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.
Desde os  Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em  Portugal, nada é levado às últimas Consequências, nada é definitivo e tudo é  improvisado, temporário, desenrascado.

Da morte de Francisco Sá Carneiro e  do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento  de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca  saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem  quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito  são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do  quebra-cabeças. E habituámo-nos a prescindir de apurar a verdade porque  intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em  Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como  se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo  Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das  televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso  em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber  nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso  Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao  primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da  Universidade Moderna, do Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros  à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga  Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às  de João Cravinho, há por aí alguém quem acredite que algum destes secretos  arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser  investigados, julgados e devidamente punidos?

Vale e Azevedo pagou por  todos?

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência de  Leonor Beleza com o vírus da sida?

Quem se lembra do miúdo electrocutado no  semáforo e do outro afogado num parque aquático?

Quem se lembra das  crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre  Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo  padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra  do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do  Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos  falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos  direito foi nenhuma.
No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do  escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da  criança ou a condenar alguém?
As últimas notícias dizem que Gerry McCann  não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta  investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm  substância.

E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E  todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo  do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde  tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu?
Arranjou-se um  bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa  Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante",  jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas?  Quem as destruiu e porquê?
E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran  mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde  é que isso pára?
O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da  Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a  sua filha.
E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter  assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e  todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a  justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e  marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos  são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao  esquecimento.
Ninguém quer saber a verdade.

Ou, pelo menos, tentar  saber a verdade.

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem  saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam  e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os  abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.
Existe em Portugal uma  camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de  corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações  que impede a escavação da verdade.
Este é o maior fracasso da democracia portuguesa.”

Clara Ferreira Alves in “Expresso”

 

Resta-me acrescentar que o povo continua a aceitar este estado de coisas, e se recusa a debater  seriamente qualquer os assuntos e a tomar posições coerentes e construtivas, preferindo a maledicência pura e a chicana  ao debate sério de ideias.

A continuarmos por este caminho, mais do que uma democracia fracassada eu diria que somos um país destinado ao fracasso.

 

António Venâncio


Tasca das amoreiras às 00:00
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12 comentários:
De Anónimo a 16 de Julho de 2010 às 07:55
Seja qual for o assunto, o Venâncio chega sempre à mesma meta: atacar o Sócrates


De Anónimo a 16 de Julho de 2010 às 09:23
Eu escrevi há dois dias!
Eu avisei!
- Já havia saudades do António Laranjinha Venâncio


De Anónimo a 16 de Julho de 2010 às 12:24
Fora daqui,seus mentecaptos.
Vão para a possilga chafurdar na m...
Aí é o local indicado para os vossos comentários.

 


De Anónimo a 16 de Julho de 2010 às 13:03
Se é para chafurdar na merda então temos que vir todos para aqui!


De Anónimo a 16 de Julho de 2010 às 14:32

A Rádio boletim Municipal não falha um dia, um dia é almeida a falar da igreja, no outro uma entrevista, hoje sobre o TGV. Grande rádio, para quê um boletim municipal que custa cara se se pode ter isto todos os dias?


De Anónimo a 16 de Julho de 2010 às 14:50
Isto também sai muito, mas muito caro!

O que me consola é que é o Sr. Presidente Rondão que paga à rádio com o dinheiro do seu ordenado ...


De Anónimo a 16 de Julho de 2010 às 14:48
E não tem razão? (ou melhor, e o povo português não tem razões para o atacar?)


De Anónimo a 16 de Julho de 2010 às 15:25

ESTA NOTICIA TAMBÉM É MÁ?...


O troço entre o Caia (Elvas) e o Poceirão (Palmela) foi o tema central da reunião tida ao final da manhã de 16 de Julho, na Câmara Municipal de Elvas, com a participação do Estado, através da RAVE/REFER, o concessionário da obra e a Autarquia elvense.


Por parte da Rave – Rede de Alta Velocidade, S.A., estiveram presentes o engº Raúl Vilaça e Moura, engª Ana Colaço e engª Graça Jorge. A empresa concessionária deste troço ferroviário de alta velocidade entre Lisboa e Madrid, a ELOS – Ligações de Alta Velocidade, fez-se representar pelo dr. Armindo Pinto Martins, engº José Fontes, engº Jorge Bastos e engº Henrique Oliveira. Do lado da Câmara Municipal de Elvas, participaram na reunião José Rondão Almeida, Presidente, e o dr. Nuno Mocinha, Vice-Presidente.


No encontro final com a comunicação social, José Rondão Almeida referiu que “os Elvenses tinham duas preocupações, se a linha passava por Elvas e se a obra iria ser feita”, mas esta reunião respondeu a ambas as questões “de forma satisfatória para o Concelho”.


Por sua vez, o engº Raúl Vilaça e Moura, da RAVE/REFER, salientou “a importância da parceria Estado/empresa” e adiantou que “a partir de agora, o concessionário vai conduzir todo o processo”.


Por fim, o dr. Armindo Pinto Martins, da ELOS, apontou que se tratou de “uma reunião de cortesia”, salientou que se “abriu a porta deste projecto ao Concelho de Elvas”, tendo notado “uma expectativa altíssima”, a nível local, e que “este Concelho está altamente entusiasmado com a concretização deste projecto.


RAVE/REFER e ELOS confirmaram que a obra de construção da linha de alta velocidade entre Caia e Poceirão já começou ao nível de estudos e medições no terreno, vai estar visível no próximo ano e concluída até fins de 2013, num investimento de 1600 milhões de euros, dos quais 1500 milhões são o valor da obra de engenharia civil.


(Esta notícia está no site da câmara)



De Anónimo a 16 de Julho de 2010 às 15:37
Se Portugal não estivesse falido era uma coisa, mas em tempo de crise é má, muito má!

Sabe que vantagens vai o TGV trazer para Elvas? ZERO!

Quem não tem dinheiro não tem "vícios" ...


De Funcionário da CME a 16 de Julho de 2010 às 15:42
Vocês só sabem dizer mal do salvador de Elvas!

Em vez de estarem a colocar mensagens neste blog deviam era estar a trabalhar, como eu estou!


De Anónimo a 16 de Julho de 2010 às 15:57
Agora, diante de uma obra que avança, a portinholada muda de táctica: o TGV não é bom para Elvas, afirmam.
Não é bom para os portinholeiros, isso concordo.


De Anónimo a 16 de Julho de 2010 às 18:19
Uma pessoa que seja de Elvas e que seja contra o TGV só pode ter uma deficiência mental. Não admito outra conclusão.


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