Quando aqui falo de turismo, falo de turismo de qualidade e isso não é muito vulgar no Algarve. Não me venham falar de Vila Moura, a Quinta do Lago ou outras tais, porque se estes empreendimentos são de uma qualidade reconhecida, não é para o bolso de 99,9% dos portugueses.
Eu quando aqui falo da falta de qualidade de turismo algarvio, estou a falar daquele turismo que o comum dos portugueses lá faz e mesmo assim lhes custa os olhos da cara.
Se na verdade não faço férias aí há vinte e muitos anos, não significa que lá não vá passar um fim-de-semana por outro e vejo o que por lá se passa.
Falemos dos destinos preferidos dos elvenses: Armação de Pêra, Quarteira, Monte Gordo e Lagos. É mais ou menos nestes locais que se junta em Agosto meia Elvas. Até parece que nem saímos de cá.
Olhemos agora para as férias típicas. Aluga-se uma casa mais ou menos manhosa por um preço exorbitante. De manhã toda a família ruma à praia. Com mais ou menos dificuldade lá encontra um lugarzinho onde estender as toalhas e o toldo. Alguns lá levam também o petisco porque ter fome na praia sai caro. Depois de se levar com umas quantas bolas na cabeça e polvilhados com uns quilos de areia, lá chega a hora de regressar a “casa”. As senhoras lá fazem o petisco onde não pode faltar a sardinha assada ou a caldeirada para depois embarcarem na sesta habitual. Pela tarde pode ou não voltar-se à praia, depois a visita até ao supermercado fazer as compras do dia e voltar para fazer o jantar. Depois deste, o pessoal aperalta-se e vai até ao café dar dois dedos de conversa com os amigos. No dia seguinte a rotina repete-se e isto entre obras por todo o lado, poeira aos montes e lixo às toneladas. Bem, depois chegam os roubos legais. Tudo custa uma pipa de massa e não podemos fazer queixa.
Feitas as continhas todas, gastámos um monte de dinheiro, as tarefas caseiras foram as mesmas como se em casa estivéssemos, demos cabo da paciência, mas voltámos para casa todos bronzeados. Agora há que esperar mais um ano para voltarmos ao mesmo.
E que dizer daqueles que optaram por umas “férias” ainda mais “económicas” e foram para um parque de campismo? Aí, então, as coisas ainda se complicam mais. Paga-se e é-se roubado e paga-se e volta-se a ser roubado.
Mas é isto o Algarve que queremos? É isto as férias com que sonhamos o ano inteiro?
Como isto já vai longo, amanhã continuo.
Jacinto César
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