Ontem quando escrevi aqui, que por vezes as pequenas coisas marcam a diferença, lembrei-me de um episódio passado comigo no princípio da semana.
Por motivos que não interessam, estiveram de visita à Escola Secundária da nossa cidade, dois técnicos de uma instituição sediada em Lisboa. Tive a oportunidade de acompanhar o final da visita e falar um pouco mais com o mais velho dos dois. Este, depois de ter percorrido as instalações comentava comigo a diferença entre as escolas da capital e a nossa. Dizia ele que quando passou o portão de entrada, se não fosse a quantidade de rapazes e raparigas a circular, não estava numa escola. Fez rasgados elogios à conservação das instalações, à limpeza, aos espaços verdes e a tudo mais por onde passou. Fazendo uma comparação à moda dos hotéis, disse-me que de 5 estrelas não seria, mas de quatro e meio seria justo. Claro está que me senti orgulhoso pelo elogio feito à minha “primeira casa”. Conhecendo como conheço algumas escolas da capital e arredores, recordei-lhe que o segredo não está em quem faz a manutenção das instalações, mas sim na “massa” humana que a frequenta, ou seja, os ALUNOS.
Todos nós vimos e ouvimos histórias de arrepiar passadas noutras escolas do país, para já não falar do que se passa além fronteiras.
Todos nós também tivemos a oportunidade de nos sentarmos nas mesmas salas onde hoje se sentam os nossos jovens.
Todos nós também sabemos as “patifarias” que fizemos quando por lá passámos, e temos que admitir que não fomos muito melhores do que aqueles que “por lá andam” hoje. Eu confesso sem problema algum, que fiz algumas que não lembram nem ao diabo e até era bom estudante. Ora comparar a “nossa rapaziada” com o “pessoal” das grandes cidades é comparar o incomparável: os “nossos” até parecem “anjos”.
Acabada a visita, dirigindo-nos para a saída, passámos em frente das escadas que dão acesso ao exterior do edifício principal, no momento em que a rapaziada saía das aulas. Como se pode calcular saem cheios de pressa com “saudades do ar livre”. Três alunas mais apressadas acabaram por dar um encontrão no senhor que eu acompanhava.
Surpresa das surpresas para o visitante. As alunas pararam e voltando-se para ele disseram uma coisa muito simples: DESCULPE! O “homem” pasmou. Pequenas diferenças, não são?
Jacinto César
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