Reconheço que eu e os da minha geração fomos uns privilegiados em relação à actual geração e isso preocupa-me e presumo que preocupa todos os pais.
Eu tive a sorte de ter nascido pobre mas numa família que se preocupou em dar um futuro aos filhos. Aproveitámos a oportunidade. Estudei, tirei um curso, casei e tive dois filhos. E isto tudo porque arranjei um emprego tal como os outros que me garantia um futuro e uma grande estabilidade. Pude montar uma casa e uma família na minha terra. E aqui vivi e criei os meus filhos.
E os nossos jovens? Qual será o seu futuro?
Sei que aquilo que vou dizer poderá até parecer um paradoxo, mas por vezes até consigo compreender a atitude passiva dos jovens. Será que vale a pena estudar? Será que vale a pena tirar um curso? Será que vale a pena fazer sacrifícios para ter um furo muito duvidoso? Estas e outras são algumas perguntas que os nossos jovens fazem. Eu faço outro tipo de perguntas. Mesmo que estudem e tirem um curso como vão eles conseguir fazer uma vida decente como os da minha geração? Como vão eles constituir uma família quando os empregos são precários e nunca se sabe aonde se vai parar? Qual é a hipótese de um casal ter um emprego no mesmo local de modo a terem uma casa e poderem ter filhos? Eu olho à minha volta e que vejo? Jovens de 30 anos, que se namoram há anos, um trabalha numa cidade e o outro está a uma centena ou duas de quilómetros do outro. Que fazer nestas situações? Não sei nem conheço alguém que me diga como! Sou um pessimista neste aspecto.
Sei que aquilo pelo qual Portugal está a passar já outros países passaram e os resultados estão à vista. A crise demográfica pela qual passa o mundo ocidental é disso um reflexo. Será que até neste aspecto a história se irá repetir? Será que a nossa civilização está na sua fase decadente e desaparecerá tal como outras?
Sem ficarem a dar cabo da cabeça para encontrarem uma solução, desejo a todos um bom fim-de-semana. Cuidado com o sol e o calor que vêm aí!
Jacinto César
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