Hoje estava no café, quando a propósito da chegada de um autocarro com alunos que chegavam de uma visita de estudo, veio à baila a Mocidade Portuguesa.
Palavra puxa palavra e lá veio a comparação entre as organizações juvenis do antes e do depois do 25 de Abril.
No tempo da outra senhora, a Mocidade Portuguesa, aquela organização tenebrosa, salazarista, fascista, nazi e outras coisas tais, promovia a convivência saudável entre a juventude da época. Praticavam-se os mais variados desportos, acampamentos e actividades culturais. É verdade, também marcávamos passo e fazíamos continência com o braço direito estendido e mão levantada. De verdade era uma organização terrível e obscura. Todas as quartas-feiras e sábados sofria uma lavagem ao cérebro: jogava andebol, praticava tiro ao alvo (já na perspectiva de um dia mais tarde sermos chamados para a tropa), andávamos no campo em grupos e usávamos bandeiras brancas e encarnadas para enviarmos mensagens “secretas” uns aos outros e outras actividades. Eu nunca passei se soldado, mas há por aí muito menino (grandes malandros) que eram chefes de Quina, Comandantes de Castelo e de Bandeira. Mas um dia ainda os denuncio todos.
E hoje? É tudo muito mais democrata. Todos os partidos têm a sua juventude onde os ensinam como trepar no partido, como chegar ao topo, como se chegar a deputado e como entrar no governo. Além disso têm aulas teóricas e práticas de “Compadrio” de “Corrupção” e de “Aldrabice”. Sem dúvida alguma, actividades muito mais salutares e úteis. Fabricam-se ali verdadeiros patriotas. Produzem-se futuros líderes de grande qualidade. Instruem-se jovens de elevado índice moral e ético. Verdadeiros DEMOCRATAS.
E viva a democracia. Quando for grande quero pertencer a uma Juventude qualquer.
Jacinto César
Blogs de Elvas