Hoje estava no café, quando a propósito da chegada de um autocarro com alunos que chegavam de uma visita de estudo, veio à baila a Mocidade Portuguesa.
Palavra puxa palavra e lá veio a comparação entre as organizações juvenis do antes e do depois do 25 de Abril.
No tempo da outra senhora, a Mocidade Portuguesa, aquela organização tenebrosa, salazarista, fascista, nazi e outras coisas tais, promovia a convivência saudável entre a juventude da época. Praticavam-se os mais variados desportos, acampamentos e actividades culturais. É verdade, também marcávamos passo e fazíamos continência com o braço direito estendido e mão levantada. De verdade era uma organização terrível e obscura. Todas as quartas-feiras e sábados sofria uma lavagem ao cérebro: jogava andebol, praticava tiro ao alvo (já na perspectiva de um dia mais tarde sermos chamados para a tropa), andávamos no campo em grupos e usávamos bandeiras brancas e encarnadas para enviarmos mensagens “secretas” uns aos outros e outras actividades. Eu nunca passei se soldado, mas há por aí muito menino (grandes malandros) que eram chefes de Quina, Comandantes de Castelo e de Bandeira. Mas um dia ainda os denuncio todos.
E hoje? É tudo muito mais democrata. Todos os partidos têm a sua juventude onde os ensinam como trepar no partido, como chegar ao topo, como se chegar a deputado e como entrar no governo. Além disso têm aulas teóricas e práticas de “Compadrio” de “Corrupção” e de “Aldrabice”. Sem dúvida alguma, actividades muito mais salutares e úteis. Fabricam-se ali verdadeiros patriotas. Produzem-se futuros líderes de grande qualidade. Instruem-se jovens de elevado índice moral e ético. Verdadeiros DEMOCRATAS.
E viva a democracia. Quando for grande quero pertencer a uma Juventude qualquer.
Jacinto César
24 de Fevereiro de 1993!
É bom fixar esta data, mas expliquemo-la primeiro.
O dono do Blogue da Retrete, por essa altura, tinha 18 anos, era o puto da associação de estudantes da secundária e organizou uma festa de estudantes num armazém dos arredores do Bairro Europa. Deu conta recente deste evento, na sua publicação ordinária.
Em Fevereiro de 93, o presidente da câmara era João Carpinteiro, a secretária deste autarca era Bé Nogueira, o presidente da assembleia Luís Abreu…
Nesse tempo, a malta da secundária quando queria fazer festas ia para armazéns dos arredores. Os actuais finalistas da D. Sancho II nasceram por essa altura; por isso, não sabem que já houve outros tempos, antes do tempo actual, agora que os estudantes têm uma Semana da Juventude, um coliseu e um Rossio de São Francisco.
Sinais dos tempos!
Agora, Carpinteiro limpa o pó às máquinas fotográficas, Bé Nogueira é uma das tias das festarolas “On Spring”, Luís Abreu lucidamente deixou-se de políticas e o puto da associação de estudantes de 93 continua a escrever no Blogue da Retrete, depois de ter ganho o cognome de “Manuel António dos Tempos Modernos”, por ser o único que pode ultrapassar o Conde da Calçadinha no número de derrotas autárquicas no concelho de Elvas.
Não é fácil e, por isso, não está ao alcance de qualquer um; mas Paulinho Portinholas promete pulverizar os números que Torneiro construiu, com tanto esforço e ao longo dos últimos 35 anos. O Manel já pode descansar em paz. Tem um seguidor à sua altura.
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