Eu por vezes já não sei se hei-de rir ou chorar com fenómenos que se passam no nosso país. Eu troco por miúdos.
Sendo eu professor, nada me impede fora das horas de serviço fazer o que bem entenda desde que não infrinja a lei. Se todos os dias, quando saio da escola me apetecer apanhar um “pifo” e no dia seguinte me apresentar em condições na escola, ninguém tem nada a ver com isso.
Pelos vistos, uma colega minha de Mirandela resolveu despir-se para a revista Play Boy. Com que eu saiba não o fez na escola nem no seu horário de trabalho. Resultado: a senhora directora do agrupamento de escolas resolveu retirar Bruna Real da escola e recambiada para uma qualquer prateleira na Câmara de Mirandela. Era um escândalo. Era uma pouca-vergonha. Era uma imoralidade. Resumindo, a rapariga era o demónio encarnado em professora.
Mas agora pergunto eu: como é que as pessoas souberam de tal facto? Responder-me-ão: compraram a revista! Então se o primeiro facto é imoral, então o segundo também o é à luz dos conceitos daquelas gentes. Só que o primeiro acto é feito em público e o segundo é feito pela maioria das pessoas às escondidas. Hipocrisia.
Para o meu gosto, estamos a parecermo-nos muito com os americanos e os seus falsos moralismos. O que é preciso é manter as aparências, já que tudo o resto não importa.
É caso para dizer, “vícios privados, públicas virtudes”.
E viva a liberdade.
Jacinto César
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