Costuma-se dizer em bom português que, “empata” é aquele que nem monta nem deixa montar e que segundo parece, é o que é o Ministério da Defesa.
Como penso que muitos saberão, há uns anos aqui atrás, foi feito um protocolo para a recuperação do Forte da Graça. Se bem me lembro e corrijam-me se estiver enganado, as entidades envolvidas eram o Ministério da Defesa (dono do prédio militar), o Ministério da Cultura, a Câmara Municipal de Elvas e penso que mais outra entidade qualquer que não recordo.
Segundo julgo saber, a obra estaria projectada por fases, cabendo a primeira à CME e que dizia respeito ao restauro das coberturas. Segundo julgo também saber, a CME cumpriu a sua parte. O problema surgiu quando teve que arrancar a segunda fase e que pertencia ao MD. Aí, paradoxalmente tudo se complicou porque quem tinha o processo entre mãos não deu andamento a ele, e digo paradoxalmente, porque o dito senhor, não sendo de Elvas, toda a sua família aqui pertence. Nunca consegui entender o porquê da “birra”. O que é certo é que o barco encalhou nas mãos desse “senhor militar”.
O Ministério da Defesa por duas vezes tentou vender o forte como se de uma habitação se tratasse, pouco se importando que a “casinha” fosse um Monumento Nacional de grande importância. Sobre potenciais interessados, muitos boatos correram em Elvas. Houve que o quisesse transformar em Casino, em Hotel, em Museu, etc, etc. Penso que na verdade não passaram mesmo de boatos.
Até que chegámos aos dias de hoje e a situação mantém-se: o forte ao abandono e o proprietário a comportar-se como muitos senhorios que há por aí sem dinheiro para fazer as obras. Na época atrás descrita, o restauro do forte andaria pala casa dos 5 milhões de contos (qualquer coisa como 25 milhões de euros). Claro que hoje os preços não serão estes.
O Ministério da Defesa está teso que nem um carapau. Por vezes nem dinheiro tem para os combustíveis quanto mais ir empatar verbas tão grandes em algo que não lhes serve para nada. Sendo que isto é a realidade, não resta mais nenhuma alternativa senão forçar o MD a entregar o forte à Câmara Municipal.
Haverá neste momento algumas pessoas a pensar que seria um disparate gastar verbas tão elevadas no restauro do velho forte. Se é certo que a Câmara Municipal teria que desembolsar uma parte do capital, há programas comunitários que pagariam a maior fatia. Julgo que esta será a solução que a câmara tem pensada.
Mudemos por instantes o rumo da conversa.
Está visto e mais que visto que a solução para o desenvolvimento de Elvas passa inexoravelmente pelo Turismo. É a única jóia que nós temos na nossa terra e que é vendável: o nosso Património. Não me venham com ideias de fábricas de cervejas, call-centers ou outra coisa qualquer. Poderia ser uma solução para o curto prazo, mas nunca traria o desenvolvimento sustentado pretendido, já que a mão-de-obra necessária para tais empreendimentos seria quase toda desqualificada.
Voltemos então novamente ao forte.
Não será esta “peça” a mais valiosa ou das mais valiosas que temos? Não será esta “peça” a que atrairia mais turistas culturais (que são os que têm dinheiro e tempo)? Então a recuperação do forte como é que seria contabilizada: como despesa ou como investimento? Penso que todos estaremos de acordo quanto a isto.
Como o povo diz, “Avancemos por Talavera sem medos”!
Jacinto César
PS – Isto já vai grande hoje, mas não resisto à tentação em mais uma vez manifestar a minha vergonha com algumas coisas que acontecem em Portugal.
Um idoso de 78 anos de idade, deixou caducar a carta de condução. Foi apanhado a conduzir. Entretanto devido à sua doença foi internado num lar de terceira idade. O nosso grande criminoso vai a julgamento e é condenado a pagar 400 Euros de multa. A reforma do bandido não deu para pagar a multa. Assim sendo, o Juiz tomou a atitude corajosa que se pedia numa circunstância desta gravidade e como tal mandou prender o malandro. Está neste momento a cumprir a pena de 3 meses de prisão.
Desculpem, mas tenho que ir a correr a vomitar … ….
O OUTRO EMPLASTRO
O nosso País conhece o Emplastro, aquela figura ímpar que, na sede de protagonismo e à falta de poder ser convidado, impõe a sua presença nos segundos planos e nos entra em casa através da televisão.
Se este é o Emplastro nacional, Elvas tem “o outro Emplastro”, com os mesmos contornos do original, ou seja “aquela figura ímpar que, na sede de protagonismo e à falta de poder ser convidado, impõe a sua presença nos segundos planos”.
Vai às reuniões de câmara e assiste de fio a pavio, coisa a que nem os seus companheiros de travessia de deserto resistem. Mas ele é resistente; como um camelo, perdido no deserto sem atinar com o próximo oásis.
Na reunião da câmara desta semana, encontrou situações de “partir o coco a rir”… e lá descreve, à sua maneira de emplastro, aquilo que os protagonistas fizeram.
Com duas falhas: esqueceu-se de uma situação “de partir o coco a rir” e não listou o que lhe fez ficar com azia.
A situação “de partir o coco a rir” foi que o vereador goleado por 6-1 no último jogo para presidente da câmara quis fazer crer que, na Assembleia Municipal de dia 7 deste mês, Tiago Abreu não estava no desempenho das suas funções de deputado municipal, quando insultou a vereadora Elsa Grilo. “De partir o coco a rir”, pois Abreu estava no seu lugar, no uso da palavra, por isso autorizado para tal pelo presidente da assembleia, com o microfone ligado e o som a ouvir-se na sala e a ser gravado!
As situações que deixaram o outro Emplastro com azia foram pelo menos quatro: a câmara decidiu a requalificação da entrada no centro histórico pelo viaduto numa obra de um milhão de euros, o programa da Semana da Juventude foi elaborado pelos jovens e aprovado pela câmara, o bairro da Boa-Fé vai ter um centro de convívio e o comboio turístico com circuitos regulares.
Tal como o Emplastro original, o outro Emplastro é visto frequentemente atrás de jornalistas. Mas esta malta não liga, nem ao que diz nem ao que faz, por se tratar de uma figura ímpar que, na sede de protagonismo e à falta de poder ser convidado, impõe a sua presença nos segundos planos.
“Dura lex, sed lex”, diziam os romanos
(“A lei é dura, porém é lei”, pode ser a tradução para português)
Será que os romanos estavam enganados?...
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