Antes de contar a história, gostaria de dizer previamente, que nada me move contra este país e os seus cidadãos (a não ser quando nos baralham as contas no futebol). Mas manda-me a verdade acrescentar que também não nutro uma especial simpatia por ambos. Vamos então à história!
Um pobre brasileiro subia tranquilamente as escadas do metropolitano. Quando chegou à rua quis o destino que um polícia o achasse parecido com um “perigoso terrorista”. Depois de ser interpelado, interrogado e mal tratado (leia-se espancado) acabou por fugir como qualquer um de nós faria. Em má hora o fez, pois mais polícias chegaram e a perseguição começou. Foi apanhado e abatido (leia-se assassinado) no local. Assim, nem ai nem ui. O pobre estará hoje onde quer que esteja a “pensar” que há dias em que não se pode sair de casa. Os valentes polícias logo foram desculpados pois o homem era “perigoso” e não tinham feito mais que o seu dever. Para azar destes últimos, lá apareceu uma organização que resolveu pedir contas à justiça e esta a tarde e más horas lá se fez, para desgosto da “benemérita” .
Ora isto não se passou em Portugal, mas em terras de Sua Majestade.
Que diriam os jornais ingleses se o caso se tivesse passado no nosso país? Que seriamos no mínimo um povo bárbaro.
Isto tudo vem a propósito da comunicação social inglesa e o caso do desaparecimento (?) misterioso da Maddie. O que tenho lido e ouvido nestes últimos tempos sobre Portugal e os portugueses tem-me deixado atónito. Então não é que somos um país de tontos comedores compulsivos de sardinhas? Não é que somos um país de pacóvios com uma polícia a condizer? Não é que temos órgãos de comunicação social de terceiro mundo? Que somos feios porcos e maus (onde é que já ouvi isto?)?
Pergunto agora eu: se somos assim tão maus o que vêm eles para cá fazer? E estou a falar daqueles (que não têm culpa do que por lá se diz) que vieram para cá viver e não aos turistas. Fazendo fé no que os tablóides dizem, leva-me a concluir que os seus conterrâneos que resolveram vir viver entre nós são masoquistas!
Em Portugal e com que eu saiba há nestes últimos anos sete casos de crianças desaparecidas sem resolução (o que para mim são muitíssimos). E em Inglaterra? Pelo que tenho lido nem eles próprios têm a certeza de quantos são! Não é que este facto me deixe orgulhoso de, por cá as coisas serem diferentes para melhor, mas não será que quem tem telhados de vidro não deveria atirar pedras?
Pobres das crianças que são a vítimas! A mim, resta-me a consolação de não ser inglês nem viver em Inglaterra!
Jacinto César
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