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Sexta-feira, 16 de Abril de 2010

Ainda a violência doméstica

Bem, na impossibilidade de responder a todos os comentários, resolvi voltar ao assunto.

 

Hoje gostaria antes de mais, deixar aqui e para todos, alguns números, que por muito discutíveis que sejam, mostram a realidade portuguesas.

 

- Em 2009, foram registadas 30543 queixas de violência doméstica, número esse, que representa um acréscimo de 10,1% relativamente a 2008 (27733 denúncias);

 

- Só no ano passado, o Observatório de Mulheres Assassinadas registou 45 homicídios;

 

- Na violência doméstica as mulheres representam 85 porcento, com idade média de 39 anos. Destas, 77 por cento não dependiam economicamente do agressor.

 

Perante estes factos, só não vê quem não quer. O problema é grave e com tendência a piorar. Mais, estes números reflectem unicamente a chamada violência física, pois além desta, e por vezes tão grave como a anterior, é a violência psicológica e moral que não está quantificada. E são estes factos que para mim se tornam preocupantes.

Poder-se-á dizer como desculpa que a vida está difícil e que proporciona uma conflitualidade maior dentro dos casais. Mas será isso? Não será antes um problema de educação e formação? Repare-se como curiosidade que a idade média das agredidas é de 39 anos, ou seja, filhas já do 25 de Abril. Se desde essa data temos constatado uma deterioração dos valores e de uma educação a degradar-se, podem muito bem fazerem-se as afirmações que atrás fiz sob a forma de perguntas. A sociedade em todas as suas vertentes está a degradar-se de tal maneira que não sei se alguma vez irá entrar novamente no bom caminho. Mas passemos à frente.

Falaram aqui alguns comentadores na violência doméstica sobre os homens. Nunca foi minha intenção escamotear tal facto, pois representam 15 porcento. Agora há que saber quem são estes homens violentados. Sei que aquilo que vou afirmar vai ser polémico, mas antes fui confirmar em estudos sobre o assunto se assim era ou não: destes 15 porcento, ama maioria corresponde a homens que se constituem como casal com outro homem, ou seja, casais homossexuais masculinos. Quem tiver dúvidas basta fazer uma pesquisa na net. E os outros? Os restantes são uma franja mínima e para o qual não encontro justificação (ou será que encontrava?).

O outro número que me impressionou e que já ontem tinha aqui referido sem no entanto o ter quantificado, é o facto de três quartos das agredidas não dependiam economicamente do agressor. Este sim, é o facto que mais me impressiona e que na verdade não consigo entender e que para mim demonstra uma falta de personalidade a todo o tamanho.

Exemplifiquemos. Vamos imaginar que tenho um amigo dos copos e das farras, que por casualidade é fisicamente muito superior a mim. Por um qualquer motivo um dia desentendemo-nos e o dito amigo deu-me uma grande sova. Não interessa aqui saber se com ou sem razão. Deu e pronto! Então eu a partir daí podê-lo-ia continuar a considerar um amigo? Óbvio que não ou então estaria a fazer figura de tonto. Verdade?

Todos os casais têm bons e maus momentos. Todos acabam por ter divergências algum dia. Só que há uma maneira civilizada de tratar os assuntos e outra à moda da idade da pedra: à pancada.

Para mim e para finalizar, um homem que exerce o seu poderio físico sobre uma mulher, além de cobarde, não passa de um complexado ou outra coisa qualquer. Resumindo, não é pessoa: é animal!

 

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 00:00
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7 comentários:
De Eduardo César a 16 de Abril de 2010 às 08:16
Antes de mais nada, forgo muito em verificar que sou o primeiro a comentar o teu texto, com qual concordo em parte e acima de tudo no verdadeiro nojo que o fenómeno provoca! Mas pensemos no seguinte: este tipo de fenómenos não obrigam a uma análise um bocadinho cuidada e os dois sabemos que o aumento das queixas não implica obrigatoriamente um aumento do fenómeno. Pode muito bem significar que aumentou o número de vítimas que, com toda a coragem, se chegaram à frente. Porque mais do que a violência física, é a violência psicológica o que aqui preocupa. Imagino facilmente que qualquer vítima de tal violência se sinta tão diminuída na sua auto-estima e tão intimidada, que o simples facto de pensar em fugir a deixará em pânico. Mais, podes considerar fenómenos psicológicos "raros", como por exemplo o Síndrome de Estocolmo, que faz com que as vítimas criem uma estranha empatia com os agressores, ou mesmo a culpa, na qual a vítima se convence a si mesma que merece tal violência. Tudo isto me faz pensar que este problema não pode ser encarado com uma visão algo ligeira, como a que aqui apresentas. Eu sei, acima de tudo, sobra o nojo e a raiva que tal fenómeno desperta em qualquer pessoa com um mínimo de humanidade. Não te cabe a ti, nem a mim, resolver o problema. Se tais fossem as nossas pretenções, seríamos assistentes sociais e não tudo o resto que somos. Por último, uma alfinetada: eu não acredito que os valores da minha sociedade sejam piores do que os valores dessa outra sociedade antiga, à qual pertenceste.  Imagino que nessa outra sociedade, nem sequer se falasse de violência doméstica, porque "entre marido e mulher, ninguém mete a colher", né? E esses valores que tanto prezas, como o respeito, são os mesmos que deram azo a todos estes fenómenos: respeito pelo homem, que na sua "patriarcalidade", põe e dispõe. Respeito pelos padres, que na sua "santidade", põem e dispõem. Respeito pelos grandes, que na sua "grandeza", põem e dispõem. Tudo isto vem dos tempso antigos, mandados pelo engenheiro e pelo doutor. Os meus valores são efectivamente outros: os da verdadeira liberdade, com todos os problemas que acarreta e ajustes a que ainda vai obrigando. Por último (juro!): os dois conhecemos um caso de violência feminina sobre um homem, que no final redundou em suicídio. A conclusão é que a "força-motriz" reside na violência psicológica. Há pouco li um ensaio da Hanna Arentd acerca do Holocausto que deixava a pergunta: como é que foi possível que 6 milhões de judeus aceitassem que se lhes infligisse o que se lhes infligiu? Não pela força, com certeza. Numa prisão, se todos os presos decidissem atirar-se aos guardas ao mesmo tempo, os guardas não teriam qualquer hipótese, pois não?
Um abraço, pai.
ed.


De Eduardo César a 16 de Abril de 2010 às 08:25
Errata:

1.onde se lê:
"Antes de mais nada, forgo muito em verificar..."

deve ler-se:

"Antes de mais nada, FOLGO muito em verificar..."

2.onde se lê:
"(...)este tipo de fenómenos não obrigam a uma análise (...)"

deve ler-se:
"(...)este tipo de fenómenos OBRIGA a uma análise (...)"

3. onde se lê:
"(...) o Síndrome de Estocolmo, que faz com que as vítimas (...)"

deve ler-se:
"(...)o Síndrome de Estocolmo, O QUAL faz com que as vítimas (...)"

4. onde se lê:
"(...)Tudo isto me faz pensar que este problema não pode ser encarado (...)"

deve ler-se:
"(...)Tudo isto me faz pensar que este problema não POSSA ser encarado (...)"

5. onde se lê:
"Um abraço, pai."

deve ler-se:
"(...) Um abraço GRANDE, pai"


De anonimo a 16 de Abril de 2010 às 10:58
Tudo ao molho e fé em deus,uma amiga que em tempos parava pelo tif,juntou-se a um casal,ela da-se com ela,ele da-se com ela que por sua vez se da com os dois,quando acordam ....ai es tu? Isto é um exemplo de amor e paz (peace and love).
È um bom exemplo de poderio fisico sobre duas mulheres,mas para que extranhar tanto,a 3 horas de carro esta Marrocos,e segundo parece muitas costelas nossas adveem de la e alguns genes,e sejamos serios ,como homens se passar um bonita mulher ,fixamos,é natural,se passam duas ,melhor.Eu cá por mim duas melhor que uma,os marroquinos 10 melhor que uma,mas dar-lhes muito amor,muito,agora, sou contra dar-lhes porrada elas são das melhores coisas que deus nos deu,primeiro como mães depois como mulheres.

 


De Anónimo a 16 de Abril de 2010 às 11:22
Concordo.
Muitas vezes em cima delas.
Mas não confundir "em cima" com porrada.


De anonimo a 16 de Abril de 2010 às 16:35

Diz o anonimo muitas vezes encima delas,isso é abusar e demasiado MISSIONARIO,ha outras variantes menos enfadonhas


De Anónimo a 16 de Abril de 2010 às 18:45

Exceptuando o primeiro, os comentários definem a fraca qualidade dos comentaristas.Que falta de formação revelam...
O dono do blog,com paciência tremenda,ainda continua a lançar pérolas aos prcos.


De anonimo a 16 de Abril de 2010 às 18:51

concordo com o anonimo,estes comentarios mais picantes,deviam vir rotulados com O.


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