Já depois do 25 de Abril e com uns quantos anos de atraso, comecei a entender como é que a sociedade se organizava e as diversas formas de o fazer. Por alturas do PREC toda a gente discutia mais ou menos acaloradamente os vários sistemas sociais e políticos e de quando em vez levávamos grandes ensaboadelas sobres as ideologias predominantes. Quem dominava os debates e tentava levar a água ao seu moinho com mais “firmeza” era o PCP que debaixo da sua ortodoxia defendia o Socialismo como um caminho para se atingir o Socialismo definitivo e que era o Comunismo. Já o PS influenciado pelas novas correntes sociais europeias pregava um socialismo “suave” baseado nos velhos chavões da Revolução francesa: a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade. Á direita destes, navegavam o CDS e o PPD. O primeiro advogava um Capitalismo moderado e o segundo uma Social-Democracia a tender para o cor-de-rosa.
Permito-me aqui relembrar os princípios gerais então advogados por Socialistas e Capitalistas.
Os Socialistas tinham como base a socialização dos meios de produção, o bem comum a todos e a extinção da sociedade dividida em classes. Pugnavam pelo estabelecimento do domínio total ou parcial de todos os meios de produção sendo que os grandes investimentos provinham sempre do Estado. As classes sociais como disse anteriormente seriam abolidas e todos seríamos donos de tudo.
Já o Capitalismo era exactamente o contrário. Este tem como objectivo principal a acumulação de capital através do lucro. O controle do mercado é desempenhado pela livre concorrência e pela competição. Os investimentos destinados ao desenvolvimento dos sectores produtivos são provenientes de capitais privados. Para finalizar, a existência de uma sociedade dividida em classes, sendo uma composta por uma elite dona dos meios de produção e a outra formada pelos trabalhadores.
Teoricamente as coisas seriam assim. E como são na realidade? Olhemos para o actual Partido Socialista e para o governo que suporta. Façamos a comparação da sua prática política com os conceitos gerais atrás enunciados. Afinal com que sistema são melhor identificados? Com o Socialismo, mesmo por mais suave que seja, ou com o mais feroz dos Capitalismos? Eu cá por mim não tenho dúvidas algumas. Mais, penso que jamais Portugal teve um governo que se aproximasse tanto do ultra liberalismo. Mais ainda, penso que se aproxima a passos largos de um Capitalismo SELVAGEM. Não é verdade? Então olhemos para os factos. Alguma vez Portugal (incluindo os célebres 40 anos) teve uma disparidade tão grande entre os pobres e os ricos (não esquecer que somos o 2º classificado no ranking mundial)? Não recordo! Olhemos atentamente para a política de privatizações deste governo e do que lhe antecedeu. Todas as empresas que dão grandes lucros privatizam-se. Aquelas que dado o seu carácter social dão prejuízos, ninguém as quer e ficam para serem pagas por todos nós.
Será que estou a pensar mal?
Em relação ao Socialismo e para terminar gostava de deixar aqui uma definição “O socialismo é a filosofia do fracasso, a crença na ignorância, a pregação da inveja”. Foi Winston Churchill que o disse.
Jacinto César
Caro anónimo especialista em Socialismo
Obrigado por mais uma vez me fazer perceber até que ponta a minha ignorância é grande. No entanto não podia de lhe deixar de lhe responder já que demonstrou, que além de saber o que diz é um demagogo de primeira.
Caro amigo, fiquei a saber que o Partido Socialista faz parte de uma grande família política europeia e mundial. Só que continuo na dúvida é se a prática política é mesmo socialista (ou social-democrata como gostam de se intitularem) ou se é de capitalista selvagem.
Sabe, como sou como as loiras, se pudesse fazer um desenho para eu poder entender agradecia. Muitas perguntas lhe gostaria de fazer para entender alguns fenómenos estranhos que se passam no PS, no entanto como não se identifica jamais me poderei encontrar consigo para me esclarecer. Já agora e para terminar uma só pergunta: Paulo Portas é de esquerda ou de extrema-esquerda? Sabe, é que já o vi corar com algumas das políticas patrocinadas pelo PS e fiquei na dúvida se o homem corava de inveja ou de vergonha.
Apareça sempre
Jacinto César
Desculpe voltar, mas o meu amigo escreveu “O PS em Portugal não é um partido da esquerda democrática e humanista, de raiz social-democrata” Presumo que foi uma gafe ou fugiu-lhe a boca para a verdade?
Jacinto César
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