Nos últimos tempos muito se tem falado de estabilidade, e em certos casos, parece que se quer fazer crer que esta é um bem supremo e um fim em si mesma.
Falemos então de estabilidade.
O conceito de estabilidade está directamente relacionado com o de equilíbrio. Dizemos que um corpo está em equilíbrio estável quando a perpendicular baixada pelo seu centro de gravidade passa pela sua base de sustentação. Nestas condições um corpo mantém a sua posição até que uma força actue sobre ele.
Deste conceito resultam algumas conclusões que importa salientar:
- Um corpo é tanto mais estável quanto maior for a sua base de sustentação.
- Um corpo é tanto mais estável quanto mais baixo tiver o seu centro de gravidade, isto é quanto menor seja a sua altura ou quanto mais baixo esteja colocado o seu peso.
- Um mesmo corpo poderá ter mais ou menos estabilidade, conforme a posição em que se encontre, por exemplo um corpo com a forma de um paralelepípedo, constituído todo ele de um mesmo material, terá maior estabilidade apoiado numa das suas faces maiores, e menor estabilidade se apoiado numa das suas faces menores.
- Um corpo necessitará de mais força para ser desequilibrado, ou seja forçar a sua mudança de posição, sempre que se encontre numa posição mais estável.
Aplicando ao corpo humano estas noções, ele será sempre mais estável quando deitado, perderá um pouco de estabilidade quando “de gatas”, e diminui em muito a sua estabilidade quando de pé.
Não obstante, O Homem, no seu processo de desenvolvimento, evoluiu de uma posição horizontal, assente sobre os seus quatro membros, para uma posição vertical, que lhe alargou os horizontes e abriu um sem número de novas possibilidades, mesmo abdicando da estabilidade que anteriormente possuía.
No seu processo de crescimento, qualquer criança segue um processo semelhante, começa os seus dias deitada, consegue uma das suas primeiras conquistas quando começa a gatinhar e dá um passo importante no seu crescimento quando começa a andar, ganhando desta forma mobilidade, liberdade e autonomia. Neste processo, perde inevitavelmente estabilidade, e consequentemente sofre alguma quedas, mas nem por isso deixa de se erguer de novo e procurar a posição vertical.
A questão que hoje aqui deixo é se, como País, queremos continuar indefinidamente a rastejar, ou se abdicamos de alguma estabilidade para assumirmos o nosso futuro e procurarmos o desenvolvimento e o crescimento com verticalidade.
António Venâncio
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