
Sobre este processo de viajar há uma confusão na cabeça de muitas pessoas, o que não é preocupante. Preocupante é essa confusão na cabeça de pessoas responsáveis pelo turismo.
Campismo é uma forma vida e não pode ser confundida com o chamado “barraquismo”. O campismo é praticado em todo o mundo por pessoas de todas as classes sociais e culturais, contrariamente ao pensamento comum, que é a forma dos “tesos” e “os pés-descalços” passearem. É evidente que também é, mas não só.
Tinha os meus 13 anos quando o meu saudoso Pai me levou pela primeira vez a Paris. Nessa época é evidente que pessoas modestas como os meus pais eram, era a única forma de poderem viajar. Tinha o sonho de um dia ir a Paris. Tínhamos então um Morris 850. Quando se propôs fazer esta aventura, os amigos do meu pai diziam que não estava bom da cabeça. Havia então em Elvas meia dúzia de “campistas” que montavam no verão a “barraca” no Algarve. Quero acrescentar que nessa época, o meu pai tinha acabado de tirar a carta de condução e de comprar o seu primeiro carro e tinha 50 anos. Se bem o pensou melhor o fez. E lá partimos à aventura. Passados uns dias lá estava a família a admirar a Cidade da Luz e instalados no Parque de Campismo de Paris, no Bosque de Bolonha, à beira Sena plantado. Era o sonho realizado! Espanto nosso quando constatámos que havia tendas com Rolls Royce estacionados à porta. Sentíamo-nos “os maiores”. Afinal os ricos também andavam de “barraca às costas”. Foi uma experiência que jamais esquecerei.
Mal sabíamos nós (eu e o meu irmão) o que estava para vir nos anos seguintes. O nosso “velhote” achou que não tinha sido grande aventura e como tal teríamos que partir para sítios mais longínquos.
Nos 7 ou 8 anos seguintes não parámos. Era o mês inteiro de Agosto a calcorrear quilómetros por essa Europa fora. De norte a sul e de este a oeste metemos o nariz em todo o lado. O grande sonho tinha sido ultrapassado em muito. Foram uns anos gloriosos.
Pela parte que me diz respeito, fui forçado a fazer um interregno de uns quantos anos, já que a “tropa” chamava por mim. Quando regressei a prioridade era acabar o curso e arranjar família. Se no primeiro ano de casado a primeira passeata foi feita de avião, chegado o Agosto recomecei a aventura de continuar a correr a Europa que faltava conhecer (os países de leste) e mostrar a Europa que conhecia à minha mulher. Já não parámos mesmo depois de terem nascido os nossos filhos. Ainda de fraldas lá foram eles atrás.
Recomeçamos de tenda, continuámos de atrelado-tenda, evoluímos para roulotte para mais tarde regressarmos à tenda, pois era muito mais prática.
Se na época do meu Pai íamos de campismo por necessidade, depois de casado, e graças a Deus, já não o necessitávamos de fazer. Mas fazíamo-lo! Por gosto. Era a liberdade que só o automóvel nos podia proporcionar. Nesses anos já íamos correndo por paragens mais longínquas de avião, mas ninguém dispensava uns dias de “barraca”.
E porque é que vos estou a contar tudo isto? Porque amanhã gostaria de escrever sobre este modo de vida e sobre parques de campismo e como tal poder dizer que sei do que estou a falar. Foram umas dezenas de anos, umas centenas de parques e uns “quantos” quilómetros corridos.
Jacinto César
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