Elvas sempre em primeiro

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Quinta-feira, 13 de Setembro de 2012

Essssqueeeerdaaa volver!

 

 

 

Tal como na tropa, umas vezes mandavam-nos virar à esquerda, outras à direita e outras ainda seguirem frente. Nãohá ninguém que tenha passado pela instituição castrense que não tivesse praticado até à exaustão “ordem unida”.

Pois bem, a política é como na tropa. Umas vezes viramos para um lado e outras vezes para outra.

Cá por mim, parece-me que vou virar à esquerda, coisa que me parece até a mim paradoxal.

Normalmente na adolescência e quando saímos de casa para ir estudar para fora, era normal toda a gente virar à esquerda e mesmo até à extrema do mesmo lado. Com o passar dos anos e a subir na vida, a rapaziada a pouco e pouco ia progressivamente virando para o centro e depois até à direita, o que é até compreensível. O engraçado é que comigo tem-se passado exactamente o contrário, fenómeno que para mim era desconhecido, mas que pelos vistos está a acontecer a muita gente em Portugal e por essa Europa fora.

Sempre acreditei na doutrina social da igreja, encarnada pelo CDS. Continuo a acreditar nessa doutrina. O CDS é que passou a ultra liberal e meteu a ideologia na gaveta tal como Mário Soares tinha feito aqui há uns anos atrás com o socialismo.

O CDS que conheci já não é o mesmo e nem mesmo uma sombra dele. Há uns dias atrás ouvi o Prof. Dr. Adriano Moreira e fiquei com saudades daqueles tempos. Infelizmente já não há homens destes. Hoje tal como o pronto-a-vestir e como o pronto a comer, temos os “prontos para políticos”, fabricados nos partidos, feitos à maneira dos frangos de aviário, e onde lhes ensinam todas as manhas possíveis e imaginárias.  

Viro à esquerda com a sensação que esta defende hoje com mais justiça os interesses dos mais pobres e desfavorecidos. Estarei enganado? Talvez, mas é essa a minha convicção até me demonstrarem o contrário. Se um dia vir que me enganei, só tenho que virar o meu pensamento para as origens. Só não muda quem é burro. Mudar, só não mudo de clube. Isso é impensável.

 

Jacinto César

 

 

EMIRADO DE BADAJOZ

 

 

            As contínuas desordens entre os muçulmanos, e por último a resistência aos decretos emanados do poder central, e ao pagamento dos impostos, foram desde 1021 as causas da sucessiva separação dos aliados do Andaluz em estados independentes.

            A província do Al-Gharb, seguindo o exemplo de Valência, de Málaga, de Sevilha e de Toledo, desmembrou-se definitivamente do califado de Córdova pelos anos de 1027, aclamando emir, a Abdallah-ben-Alafftas, personagem que tinha nela o mando supremo, e descendia da poderosa família dos Tadjibitas, senhores de Saragoça.

            Badajoz, escolhia para corte do novo emir, era a antiga povoação, que recebera em tempo do imperador Augusto César o nome de Pax Augusta; e a que os árabes, ao subjugá-la em 712, haviam chamado Batalios, achando-se por último o vocábulo corrompido em Bedelaix, de que os nossos antigos cronistas formaram o Badalhouce tão nomeado nas velhas crónicas.

            Separado do poder central, como dizíamos, o estado do Al-Gharb, ou de Badajoz, conservou-se em paz com os cristãos de Alem-Douro até á elevação de Fernando o Magno ao trono de Leão e Castela.

            Este monarca rompeu as hostilidades em 1055, e no decurso de nove anos tinha conseguido apoderar-se dos principais lugares da Beira, inclusivamente de Coimbra, a Medina Colimria dos muçulmanos.

            Em 1077 Afonso VI assenhoreou-se de Corira, e em 1085 de Toledo, sem que, durante estas campanhas da cruz contra o islão se assinalassem quaisquer diligencias do emir de Badajoz, ao tempo Omar-ben-Mohammed, por obstar á ruína do seu estado, mencionando-se apenas o baldado socorro que enviou aos cercados de Toledo por seu filho El-Fald, walí de Mérida.

            Afonso VI depois da conquista de Toledo, veio devastar o território do emir de Badajoz, a tempo que contra o cristianismo se estava preparando um golpe decisivo pela intervenção na luta do emir de África, Iussuf-Abu-Iacub.

            Iussuf acudiu com poderoso exército aos que desesperados o intercediam, e encaminhando-se ás fronteiras de Leão de Castela no outono de 1086, fazia caminho por Badajoz. Afonso VI distraído por um pouco no cerco de Saragoça, ao saber os desígnios do africano, correu ao seu encontro, trazendo consigo el-rei de Aragão com as forças disponíveis de ambos os exércitos. O choque foi terrível; e porque se deu em Badajoz, contá-lo-emos por extenso:

            «Os dois exércitos (escreve Herculano - Tom. i. pag.180) avistaram-se sobre o rio de Badajoz (Nahar-Hagir): o dos muçulmanos ocupava na margem esquerda os campos e outeiros denominados pelos escritores árabes de Zalaka, e pelos cronistas cristãos de Sagalias ou Sacralias; o de Afonso VI acampou na margem direita.

            «A terribilidade da batalha, que era inevitável, fazia hesitar tanto uns como outros; porque alguns dias se passaram em embaixadas e ameaças.

            «Os dois exércitos que se achavam frente a frente eram, talvez, os Maiores que, desde a entrada dos sarracenos, a Espanha tinha visto. Ainda dando algum desconto á exageração ordinária dos antigos historiadores árabes e cristãos, os quais unânimes afirmam que só Deus poderia contar o numero de muçulmanos, e que as tropas do rei de Leão e Castela subiam a 80:000 cavaleiros e 200:000 peões, é todavia certo, que ali se achavam todas as forças das duas raças que disputavam o solo da Espanha, ajudadas uma pelos guerreiros francos, e a outra pelos almoravides conquistadores da Mauritânia.

            «Há porém uma circunstância, narrada pelos árabes, muito crível e que não devemos omitir; isto é, a existência de vários corpos de cavalaria cristã ao serviço de Iussuf, e a de 30.000 muçulmanos ao de Afonso VI, o que prova serem, mais que o sentimento religioso, ódios ou ambições humanas quem não consentia um momento de paz e repouso na devastada Espanha.

            «Afonso VI resolveu-se, por fim, a acometer os sarracenos, e passou o rio ao romper da manhã de 23 d Outubro de 1086. Os seus corredores toparam com um corpo de almogaures de África enviados contra eles, e obrigaram-nos a recuar.

            «Entretanto parece, que no romper das batalhas algumas tropas cristãs tinham fugido, aterradas provavelmente pelo grande número dos inimigos. Todavia o rei de Leão, dividindo o exercito em dois troços, deu o sinal de combate.


Tasca das amoreiras às 15:30
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Quarta-feira, 12 de Setembro de 2012

E que venha o 24 de Abril

 

 

 

 

Sim, já sei o que vão pensar ou dizer, mas ando de tal maneira revoltado que sinto saudades do 24 de Abril.

Sei que se fosse antes não poderia escrever o que estou a escrever, nem dizer o que às vezes digo. Mas será que todos nós nos governamos por podermos dizer o que queremos?

Antes do 25 de Abril, havia pobres, havia uma classe média e havia ricos. E hoje? Os pobres passaram a miseráveis, a classe média caminha a passos largos para a pobreza e os ricos continuam cada vez mais ricos.

Vejamos só um das últimas medidas tomadas por este governo. Somemos todos os empregados dos bancos e companhias de seguros, mais os empregados de todas as cadeias de distribuição, mais os empregados das companhias petrolíferas, mais os das multinacionais, mais … Presumo que sejam uns largos milhares de pessoas a quem vão descontar mais 7% no vencimento. Vamos admitir que até é bom para a Segurança Social. E os 7 % que as empresas vão deixar de pagar? Para onde vão? Para criar empregos? Não façam de mim estúpido.

Olhemos para um exemplo concreto e aqui em Elvas. Quantos funcionários tem o Continente (passe a publicidade)? Vamos imaginar que 50. Ou seja, a SONAE vai poupar 7% dos vencimentos destes 50 empregados. Está a poupar dinheiro. Será que vai aumentar o número de colaboradores na proporção daquilo que poupa com os outros? Nem pensar, já que o poder de compra das pessoas vai diminuindo e o mais certo é ainda despedirem mais alguns. Será que estou a ver mal a situação ou será que saiu o Jackpot às grandes empresas?

O raio que os parta, para não dizer outra coisa.

 

Nota – Gostava de ouvir a opinião dos representantes locais dos partidos da coligação governamental sobre o assunto. Está na hora de mostrar o que pensam.

 

Jacinto César

 

A PROVINCIA DE MÉRIDA

 

 

 

            Consolidado o domínio sarraceno no Andaluz, que assim chamaram á Espanha, passou ele a ser administrado como o Maghreb (África Setentrional) por emires nomeados pelos Califas de Damasco, e foi distribuído em seis grandes províncias :  Mérida, no Al-Gharb, ou ocidente, Toledo, Saragoça, Valência, Múrcia e Granada.

            A circunstancia de Elvas estar situada no caminho que ligava Mérida ás grandes cidades de Iéborah, Al-Kassr, Lixbona e Chantireyn, obrigava-a necessariamente a que não permanecesse indiferente ás lutas civis, que esfacelaram a Espanha, desde que no ocidente principiaram a repercutir-se mais acentuadamente os ecos estridentes dos Beligerantes.

            Durante estas lutas, a historia de Elvas, e a de todas as povoações mais frequentadas nas marchas dos corpos de exército, tem uma certa identidade com a da capital da província, e a das suas cidades principais. Neste pressuposto, á falta de noticias particulares, acompanharemos de perto as memorais que nos restam daquela capital, outrora das mais ricas e populosas cidades, e hoje uma das mais insignificantes da Península.

            Começaremos por dizer, que na retirada do alto funcionalismo godo para as montanhas das Asturias, a população cristã sujeitou-se pacificamente aos novos dominadores, e recebeu o nome genérico de mosárabe.

            Esta população ficou mais condensada no Al-Gharb, que em qualquer outra província. Os estrangeiros que nela predominavam eram pela Maior parte berberes e egípcios, que a África lançara de si nesta vigorosa invasão, ao passo que nas demais províncias estanciavam agrupadas as tribos de modharitas, de assyrios, e de árabes do Yémen, ( Herculano - Hist. de Port. Introd. pag.61).

            Não é pois para admirar, que, ocorrendo em meados do século VIII a insurreição dos berberes no Maghreb, contra os árabes, e secundada mais tarde a rebelião pelos africanos residentes em Córdova, levantasse também Mérida o pendão revolucionário, fazendo causa comum com os seus compatriotas.

            Dominada dentro em pouco a insurreição, bem depressa foi a ordem de novo alterada, e mais seriamente; porque, deposta do trono dos seus Maiores a dinastia sediada em Damasco, os chefes andaluzes, que se não conformaram com a nova ordem de cousas, chamaram á Península um descendente dessa família (Abderrâhman), e conseguiram assenta-lo no trono, no ano 760, apesar dos esforços de Aly-ben-Mogaith que á frente dum exercito do Maghreb ocupara o Al-Gharb, em nome da dinastia abássida, com o favor das rebeldes da Toledo; ficando desde então o Andaluz completamente desligado do domínio dos califas do oriente, e considerado para todos os efeitos primeiramente como emirado, é mais tarde como califado independente.

            A Abderrâhman, falecido em Mérida, sucedeu seu filho Hescham, e a este El-Hakem, filho de Hescham, em 795, cujo partido foi seguido pelos de Mérida; e as guarnições combinadas desta capital, e de Córdova, combateram a revolução que, descendo do norte, se estendia ás províncias de Toledo, Múrcia a Valência.

            Na entrada do século IX o Walí de Mérida insurgiu-se contra o califa, seu cunhado; graças porém á mediação de sua irmã, se reconciliaram ambos; e o al-kaid de Beja, que se rebelara também, foi destroçado pelas forças do califa quando marchava sobre Lisboa.

No reinado de Abderrâhman II rebelou-se Mérida a pretexto de estar sobrecarregada com pesados impostos; mas sabe-se que a esta rebelião não foi estranho o rei dos francos, cujos estados estavam sendo ameaçados pela revolta do conde Aizon, que o emir protegia. A guarnição de Toledo, e as tropas que estanceavam pelo Al-Gharb sitiaram a cidade, que se entregou por falta de recursos.

            Não tardou muito que pela sua vez Toledo se rebelasse com os mesmos pretextos, e esta rebelião conservou a grande cidade por espaço de nove anos como independente do senhorio do emir.

            Numa das diligencias, que durante este período se fizeram por submetê-la, Mohammed, o chefe da ultima revolta de Mérida aproveitando a ausência da guarnição, que saíra para a campanha, reuniu algumas tropas do distrito de Lisboa, e com elas ocupou esta capital, sendo necessário para sujeitá-la vir o próprio emir com poderoso exercito.

            Vencia finalmente a insurreição de Toledo em 843, voltaram-se as atenções contra a cristandade; as tropas do Al-Gharb principiaram a ser empregadas contra as Astúrias; e as do oriente contra o Afranc (França).

            Desde então com Maiores ou menores intermitências a guerra esteve em actividade contra o novo reino de Oviedo, que se fora alargando com o favor das discórdias dos muçulmanos; e posto que nos fins do século X um grande génio, El-Mansur, quase arrojou outra vez os cristãos para os inóspitos montes das Astúrias, logo as novas discórdias abriram caminho á conquista dos soldados da cruz.

            Durante este longo período, de 843 em que começaram as lutas com os cristãos, até 1002 em que faleceu El-Mansur, o espirito irrequieto dos andaluzes não deixou de se manifestar por vezes, arrastado por alguns ambiciosos.

            No reinado de El-Mondhir (886 a888) as guarnições do Al-Gharb e as da actual Andaluzia foram empregadas na pacificação de Toledo,em que Kalebse fortificara fazendo-se aclamar emir do Andaluz; e no principio do reinado seguinte Lisboa e Mérida pronunciaram-se a favor de Mohammed contra o emir Abdallah.

            Lisboa foi combatida pela armada do visir Abu-Othman, e Mérida pelas forças comandadas por Abdallahem pessoa. Abu-Othmanteve em recompensa dos seus serviços o cargo de wali de Mérida, que depois cedeu a favor do príncipe El-Modhaffer.

            Alguns sucessos destas campanhas, que se prendem á historia de Mérida, e portanto á do Al-Gharb, reservamos para quando proximamente tratarmos dos progressos das armas cristãs nesta parte da Península. Por ora basta dizer, que por três vezes, se apresentaram diante de Mérida: uma com Afonso III, outra com Ordonho II em 916 e outra com Ramiro II em 938, tendo nesta ocasião o governo do Al-Gharb o príncipe El-Modhaffer acima nomeado.

            Tantas vezes combatida sem que uma paz duradoura permitisse a restauração de suas ruínas, Mérida foi decaindo gradual e progressivamente; e ao tempo do desmembramento do califado de Córdova estava tão desmantelada, que a dinastia dos Beni-Alafftas, aclamada como soberana no Al-Gharb, preferiu Badajoz para corte deste estado, o que acabou de lhe fazer perder os últimos restos de importância que ainda tinha. ( Herculano - Hist. de Port. Introd. II)


Tasca das amoreiras às 17:14
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Domingo, 9 de Setembro de 2012

O vómito

 

 

 

 

Já hoje vomitei! Não, não foi por causas dos copos ou de qualquer coisa que me tenha assentado mal. Foi pela digestão mal feita daquilo que comi à força e dada pelo 1º Ministro. Foi a raiva que me provocou a agonia. Foi a revolta que me pôs neste estado. E o problema é que não encontro um remédio para me aliviar. Encontrar até encontrava, mas não o posso usar.

Como é que é possível os portugueses manterem-se impávidos e serenos perante tais acontecimentos? Penso que nos andam a colocar qualquer droga na água para nos mantermos quietos e calados.

Desculpem, mas tenho que ir vomitar outra vez.

 

Uma boa semana para todos.

 

Jacinto César

 

A CONQUISTA ÁRABE

 

            Nos últimos tempos de dominação dos godos, as discórdias civis encaminharam a Espanha á sua ruína, ao passo que o império árabe se estabelecia e fortificava ao norte de África.

            Sabe-se que depois de duas tentativas de desembarque dos africanos na península, o realizaram enfim, com o favor do conde Juliano, em 711 da nossa era. O grande Tarek, desembarcando na ponta meridional de Espanha os seus aguerridos muçulmanos, e coadjuvado aqui pêlos judeus espanhóis e pelo partido dos filhos de Wittiza, abria uma campanha, cujos resultados gigantes mal se podiam prever.

            Porque a Espanha era uma nação grande, e se ela nos últimos tempos manifestava sintomas de decadência, motivada pelas parcialidades em que se achava dividida, o exército que a vinha combater, composto de homens de uma nação que acabava de se formar de elementos heterogéneos, nenhumas garantias dava de disciplina, se não foram animados da conquista dos Campos Elyseos, que lhes haviam de prodigalizar as riquezas que mais apreciariam que a glória.

            Era mister não sofrer revezes para conter este exército debaixo de uma disciplina religiosa. A vitória do Chryssus ( Guadalete ), como que avigorou os elos que prendiam uns aos outros estes homens de origens diferentes. A cobiça do invasor redobrou em presença do desânimo que acobardava o exército godo.

            A não ser assim, Tarek não teria chegado, como chegou, nem vencido, quase sem oposição, á capital dos estados de Roderíco, a antiga cidade de Toledo, glória esta, que tal emulação despertou no emir de África, que o obrigou, mais cedo do que meditava, a embarcar-se para a península, receoso de que, quando chegasse a ela, não encontrasse inimigos a quem vencer.

            O emir de África, Abi-Abderrâman-Musa, mal desembarcou em Espanha, marchou logo sobre Sevilha, que não lhe opôs resistência, e de ali avançou para a Lusitânia, que ainda ao tempo abrangia a mesma área que sobre a administração dos romanos.

            Designadamente dizem as crónicas, que caíram em poder de Musa as cidades de Niebla, Osuns, Mértola, Beja, e por último a capital da província, a cidade de Mérida, que se defendeu brilhantemente contra o invasor, ocorrendo a sua sujeição em Julho de 712.

            Quer pertencesse ao distrito de Évora, quer ao de Mérida, Elvas rendeu-se juntamente com as outras povoações do ocidente, ao emir africano, quando ele por uma série não interrompida de triunfos, conseguiu sujeitar ao domínio sarraceno o que o seu lugar-tenente lhe deixara livre, por esta parte, em quanto por outra continuava a ilustrar o seu nome com as mais assinaladas vitórias.

            Dentro em pouco a Espanha toda curvava-se diante dos novos dominadores, depois de uma guerra sanguinosa.

            Vemos pois, que foi em meados de 712 da nossa era, ou durante o ano 93 da hegira, que Elvas caiu em poder dos árabes, sendo califa de Damasco Walid I da dinastia ommyada.

 

Tasca das amoreiras às 18:20
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Sábado, 8 de Setembro de 2012

¿Será cabrón?

 

 

 

Os nossos hermanos dizem-no com frequência sem ter aquele significado que nós portugueses lhe damos.

 

Hoje e perante aquilo que ouvi ontem ao primeiro-ministro é o que me apetece perguntar: será ¿cabrón? Já tinha visto muita coisa na minha vida, mas como aquilo a que assisti ontem, nunca! Foi o maior exercício de falsidade e de demagogia que ouvi de um primeiro-ministro português desde sempre. Ontem ainda à noite li um escrito de um antigo professor meu que dizia mais ou menos o seguinte: “ … pensava que Sócrates tinha sido o pior 1º ministro de sempre. Era difícil haver um pior. Enganei-me, Passos Coelho bate largamente o anterior. …”

Mas vamos aos factos:

1 – Ninguém, incluindo economistas e constitucionalistas acredita que as medidas agora tomadas façam diminuir o desemprego. Vão simplesmente melhorar a tesouraria das empresas.

2 – Com menos dinheiro a circular (mais austeridade) o poder de compra diminui mais uma vez e os índices de consumo irão cair novamente para espanto do ministro das finanças como aconteceu este ano.

3 – Menos consumo faz diminuir a produção (com a excepção das empresas exportadoras) e mais uma vez vamos ter os indicadores económicos a apontar para baixo.

4 – O esquema mafioso que montou para dar com uma mão e tirar com a outra. Diz o 1º ministro que vai repor um dos subsídios à função pública, mas logo de seguida aumenta os descontos para a SS na mesma proporção e ainda tem a lata de dizer que vai aliviar um pouco a crise económica das famílias. É preciso ser-se muito sádico para fazer uma declaração destas.

5 – E o outro subsídio que o Tribunal Constitucional mandou repor? Já hoje ouvi um reputado constitucionalista dizer que a desobediência ao TC pode constituir um crime.

6 – E os muito ricos onde é que se situam nestas medidas agora tomadas? Numa simples frase prometendo que irá estudar o assunto.

Perante este cenário resta-me perguntar: será ¿cabrón?

 

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 17:55
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Sexta-feira, 7 de Setembro de 2012

Relvas e Companhia

 

 

 

 

Ontem quando li a notícia nem queria acreditar no que estava a ler: afinal na França, Luxemburgo, Finlândia e Holanda também se “fabricam” Relvas. Melhor, nestes países só não se pode “comprar” um canudo se se quiser ser médico, dentista, veterinário ou arquitecto. Gostava então de perguntar: se um pedreiro, e com o maior respeito por esta profissão, tiver 20 ou 30 anos de experiência, pode obter o canudo de Eng. Civil e desatar a fazer projectos. A Europa na verdade vai no bom caminho. Eu e milhares de portugueses andaram durante anos a queimar pestanas para obter o tão desejado canudo, com um sacrifício enorme por parte dos pais e agora basta a experiência?

Que vamos nós dizer aos nossos filhos que entraram ou vão entrar para a universidade? “Olhem, não vale a pena estudar. Comecem a trabalhar, ganhem experiência e o canudo vem por acrescento”

Mas será que anda tudo louco?

Pronto Relvas, afinal estás perdoado. O canudo pode ser de segunda, mas vale tanto como um de primeira.

Bom fim-de-semana para todos

 

Jacinto César

 

 

Nota – Hoje vou continuar a publicar os escritos de Vitorino d’Almada. Para evitar confusões, como já houve, quero aqui deixar claro que o meu único trabalho foi o da pesquisa e depois compila-los.

 

VESTIGIOS DA DOMINAÇÃO GODA

 

 

            Á civilização romana sucedeu na Península a devastação dos bárbaros do norte; o império do ocidente recuou diante desta vigorosa invasão, largando sucessivamente os territórios da Gallia e de Espanha.

            Foi no ano 409 que dos Pirinéos se despenharam, como avalanchas, as turbas de vândalos, de suevos, e de alanos, deixando após si a labareda do incêndio, e o rasto de sangue das vitimas.

            Toda a Lusitânia foi então ocupada pelos alanos, povo procedente da Sarmacia, ou Russia Meridional. A sua permanência em Espanha foi porém assaz curta, porque nove anos depois do seu estabelecimento, Wállia, rei dos godos, arrojava-os em 418, com o seu rei Ataces, para além do estreito de Hércules. Mais tarde seguiram-lhe as pisadas os vândalos. em 429; e por ultimo fundiram-se godos e suevos, em 583 numa só monarquia, sob o ceptro de Leuwighildo.

            Um único monumento dos godos podemos aqui deixar registado, com a convicção de que o é. Falamos da campa dum sepulcro, que cobrira os restos mortais duma mulher cristã, a cuja memória dedicava um poeta os seus pobres versos, saudoso do insigne amor com que ambos se estremeciam:

 

                                                     INSIGNEM. PARVO

                                                     MENS. CARMINE. AMOR

                                                     REQ. IN. PACE. D. XIII. KAL.

                                                     MART. ERA. DLXXXII.

 

            Vê-se que esta data corresponde a 16 de Fevereiro do ano 544 da nossa era, em que ocupava o trono de Espanha el-rei Theudis.

            Este monumento achara-o Rezende em casa dum particular, quebrado exactamente na parte em que se devia declarar o nome da pessoa, que era objecto daquela piedosa comemoração. (Rezende - ibidem).

            Além desta não achamos outras memórias, posto que Varela pretenda, que el-rei Recaredo tivesse batido moeda em Elvas; alegando que numa medalha se lia no anverso: Recardvs Rex, e no reverso: Elbora lvstos  e interpretando a palavra Elbora por Elvas; contudo Alexandre Herculano, na introdução da sua Historia de Portugal (pag. 147) diz positivamente, que Elbora corresponde á actual Talavera, ainda que o arcebispo de Tarragona, que foi quem denunciou esta medalha, supôs que tivesse sido batida Évora, por ser esta cidade, diz, designada por Elbora nas actas dos concílios e noutros antigos documentos.

            É agora ocasião de deixarmos aqui memória do cristianismo na Península.

            Depois de três séculos duma perseguição atroz á nova religião, só o imperador Constantino transigiu com os cristãos, decretando o culto de Jesus Cristo envolta com o de Júpiter Olympico, e o das demais divindades fantasiadas pelos pagãos.

            O cristianismo, que já tinha feito em Espanha numerosos prosélitos, alguns dos quais haviam sido publicamente imolados antes as aras das divindades pagãs, medrou desde então mais desafogadamente; ainda mais desde que os godos entraram em Espanha; e muito mais desde que estes dominadores abjuraram de vaz a seita ariana por um catolicismo puro.

            No 11.º concilio de Toledo, que foi inaugurado a 7 de Novembro de 675, escrevem alguns, que foi feita a circunscrição dos bispados então existentes, e que subsistiram até á invasão dos árabes. A metrópole de Mérida ficaram sufragâneos todos os bispados do moderno Portugal, os de Galiza, e alguns de Castela Velha.

            Deixando os mais afastados de nós, citaremos apenas o de Évora, a que provavelmente ficou pertencendo Elvas. Estendia-se ele desde Sotobra (Caetobrix?) até Pedra, e desde Rucella até Parada. não é fácil indicar a situação hodierna destas povoações; mas, pela posição geográfica que ocupava Elvas, não podia pertencer nem aos bispados de Beja ou Lisboa, pela Maior distancia, nem ao de Mérida, pelas fronteiras naturais do Guadiana.

            Também deixaremos aqui mencionados dois monumentos, que bem podiam pertencer ao período a que nos estamos referindo.

            São duas pedras que existem na secção arqueológica da biblioteca.

            Já dissemos que os cristãos depois de três séculos, se acharam aliviados duma perseguição tenaz. Principiaram então a usar publicamente do símbolo da sua religião sobre o túmulo dos correligionários, para que fossem facilmente descriminados no campo da igualdade os que faleciam na graça de Deus, dentre os que não haviam reconhecido a divindade de Jesus Cristo.

            Se as posses do falecido comportavam a despesa, colocavam-lhe á cabeceiras cruzes de mármore esculpidas sobre um disco, de que nascia o pé que entrava no terreno.

            Este costume foi transmitido de pais a filhos, e porque por vezes foi crua a dominação árabe, não pode o fanatismo maometano destruir tudo o que respeitava aos cristãos. Os mosárabes, fora destas terríveis intermitências, continuavam os usos piedosos de seus Maiores, e ainda por ocasião da conquista de Elvas por el-rei D. Sancho, o Capelo, os portugueses, deixando como veremos a povoação tributaria, deixaram também naturalmente os jazigos dos seus capitães, mortos na acção, assinalados com aqueles monumentos no campo dos Mártires.

            Três destas cruzes temos achado em Elvas, complemente desprezadas: uma encostada á parede da casa, que a tradição servira de paços do concelho, no largo do Salvador; outra defendendo o cunhal do prédio nobre do Sr. doutor José Liberato Sanches de Sousa Miranda; e a terceira servindo de calçar os carros na descarga, junto á horta que foi cerca do convento de S. Domingos. A primeira perdeu-se quando há três anos se concertou a calçada; as outras duas guardaram-se como acabámos de dizer, na secção arqueológica.

            Não querendo determinar positivamente a antiguidade de tais monumentos, limitam-nos a referi-los  ao tempo da conquista de Elvas, por ser o que mais se nos aproxima, e assim mesmo lhes concedemos uma idade de seis séculos e meio.

            Fez-nos conhecer o merecimento e antiguidade destas pedras o já por vezes nomeado D. Luiz Vermell, que viu muitas nos museus de Espanha.

            E' este o único testemunho que podemos apresentas para comprovação do que deixamos dito, e cremos que ele é assaz valioso, porque D. Luiz Vermelle, além de excelente pintor e escultor, é também um incansável arqueólogo.

 

            Nota - Disse-nos o Sr. padre Domingos António do Carmo, que ouvira ao falecido vigário capitular António Joaquim Epifanio de Andrade, quando explicava direito canónico, que a cruz que estava defendendo o prédio do Sr. doutor Sanches, e outra que existira junto ao do Sr. Jacinto Lopes, serviam de limitar do lado da praça o atiro da igreja da Sé, que entrava no numero dos lugares sagrados a que se dava o nome genérico de exedra, e que gozavam das imunidades de defender quaisquer culpados, em determinados casos, da acção da justiça secular, que não podia prende-los se a eles se acolhiam.

            Já as outras duas cruzes a que nos referimos estavam nas cercanias das igrejas; uma ao Salvador, outra a S. Domingos.

            Em presença desta não menos autorizada opinião, inclinamo-nos agora a supor mais provável, que tais padrões serviriam antes de limitar a necrópole dos cristãos, que a assinalar particularmente o jazigo de cada um deles; porquanto, assim como os átrios, também os cemitérios e mais edifícios pertencentes ás igrejas, entravam no numero dos lugares sagrados que eram designados por exedra.

            E supondo-o assim, não vamos dar menos antiguidade a estes monumentos; pois é sabido que de há muitos séculos a exedra gozava das referidas imunidades; assim o declarava o concilio Arausicano (Cánon V.) em 441, e o Aurelianense (Cánon I) em 511.


Tasca das amoreiras às 18:51
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Terça-feira, 4 de Setembro de 2012

Desmistificação do 20 de Setembro

 

 

 

 

Em 30 de Agosto de 2008 escrevi aqui o texto que se segue, do qual não retiro uma vírgula. Sendo que as festas são para o povo, porque se mantêm a teimosia de se recusar um debate sobre o assunto? Porquê manter essa atitude de “nós queremos, podemos e mandamos”? Oiçam-se as pessoas e se for caso disso faça-se um referendo. Agora manterem-se calados só significa que têm medo. Já fiz um desafio à Rádio Elvas que promova um debate. Continuo à espera.

 

 

“Era vontade minha continuar a argumentar sobre as razões da proposta que tenho vindo a fazer para que a Procissão dos Pendões e a Feira de S. Mateus passassem a iniciar-se a 20 de Agosto.

Pelos comentários que se têm feito e que apontam sempre na mesma direcção, ou seja a tradição, não me resta outra alternativa que apresentar o argumento último. Era em princípio para ser o último, depois de apresentar todos os outros argumentos que tinha para fundamentar a minha proposta. Acredito que nenhum demoveria aqueles que pensam que o 20 de Setembro É A TRADIÇÃO. Errado. Não é. Adiante.

Vou contar-vos uma história. Então é assim:

“Recuando no tempo, até ao século XVIII, encontramos aí o início da história daquele Santuário. Num dia de verão, no ano 1736, num local denominado da Saúde, a pouco mais de mil metros a oeste da cidade de Elvas, na antiga estrada que ligava Elvas a Varche, existia uma singela e deteriorada cruz de madeira que assinalava a morte por queda, naquele sítio, de um lavrador da região.

            O sacerdote Manuel Antunes, numa das suas frequentes deslocações a uma propriedade nos arredores da cidade, montando uma mula, por duas vezes foi atirado ao chão, ficando bastante maltratado das quedas. Tendo retomado o marcha a pé, sentindo que as forças o abandonavam e temendo já não chegar ao seu destino, o Padre Manuel Antunes ajoelhou-se diante daquela cruz e em oração fez a promessa solene de a mandar reparar e nela pintar a imagem do Senhor e ainda de ali dizer uma Missa votiva em acção de graças, se durante aquele verão, outra queda não voltasse a dar e a sua débil saúde não se agravasse.

            Tendo as suas súplicas sido atendidas e em cumprimento do voto, mandou reparar a singela cruz e pintar-lhe a imagem de Jesus Crucificado, que justamente intitulou de Senhor Jesus da Piedade. Mandou ainda levantar um poste com um nicho, em alvenaria, onde foi colocada a cruz com a imagem para que ficasse convenientemente resguardada. A Missa foi rezada em altar próprio erguido junto daquela milagrosa Cruz e teve a assistência de muita gente. Era o início de uma importante romaria, que se repetiria e crescendo ao longo do tempo. Devido à fama dos milagres chegaram peregrinos de toda a parte, inclusive de Espanha, predominantemente de Badajoz, das províncias da Extremadura e da Andaluzia.

            Crescendo a fama dos muitos milagres e também da devoção popular, levando ao aumento sucessivo dos peregrinos e das suas ofertas, esmolas e ex-votos, tornou-se necessário construir uma ermida.

            Para que a edificação daquela ermida (a primitiva) se concretizasse, Luiz Manuel Marquês, proprietário daqueles terrenos, deu como esmola o terreno necessário, para o traçado ofereceu-se o artista elvense João Fernandes e ainda as esmolas do povo para custear as obras de construção.

            A 20 de Outubro de 1737, com a autorização do Cabido, teve lugar a primeira procissão para a transferência solene da Cruz para a ermida. Na procissão participou todo o povo devoto, as autorida­des civis, militares e eclesiásticas, a nobreza da cidade e as confrarias com os seus estandartes.

            Nesta capela, de arquitectura singular e de planta octogonal, que ainda hoje existe incorporada no corpo da actual Igreja, encontra-se a primitiva Cruz de madeira.”

Reza assim a autorização do Cabido:

Illl.mo Sr. Diz o Bn.º Manuel Antunes, que elle e varios devotos do Senhor da Piedade edificaram uma capella no sitio da Saude, extramuros d’esta cidade, a fim de collocarem n’ella a imagem de Christo Crucificado, que se acha exposta à inclemencia do tempo no meio d’uma estrada; e porque não pódem transferir a ditta imagem para a nova capella sem licença de V. Ill.ma, e sem primeiro ser a mesma por V. Ill.ma visitada, e approvada, para ver se está com decencia, e que tudo dispõem as Constituições d’este bispado, tit. 18.º, parágf. 1º portanto, P. a V. Ill, ma seja servido mandar visitar a ditta capella; e, achando-a com decencia, approval-a, para se poder collocar a ditta imagem, e juntamente seja servido dar-lhes licença para que a translação se faça com a pompa devida, cantando-se n’ella hymnos e psalmos; como nas procissões se costuma. E. R. M."

         Despacho: Commettemos ao M. R. Sr. conego Manuel Garcia para visitar a ermida, que nos representão, e para assistir á mudança da Imagem com a decencia devida; porém não se dirá missa na ditta ermida sem expressa licença nossa. Elvas em cabido de 8 d’outubro de 1737.”

De salientar que a data do Despacho do Cabido é datado de 8 de Outubro e como tal, posterior a 20 de Setembro.

Para aqueles que possam duvidar do que aqui escrevo podem consultar “A egreja do Senhor Jesus da Piedade - Estudos e notas elvenses, vol. III, p.13.” escrito pelo nosso conterrâneo António Thomaz Pires.

Como acabei de demonstrar as celebrações a 20 de Setembro são posteriores, e a partir de um ano que não consegui ainda determinar. Tão pouco consegui ainda saber qual o motivo da mudança do mês de Outubro para o mês de Setembro. De uma coisa tenho a certeza: a data de 20 de Setembro não tem qualquer significado e o mais provável é que tenha sido alterada por uns dos argumentos que ainda iria utilizar, ou seja, a instabilidade meteorológica.

Daqui para a frente pode-se argumentar com tudo o que se queira, mas o argumento TRADIÇÃO morreu!”

 

Jacinto César

 


Tasca das amoreiras às 14:39
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2012

Não desisto!

 

 

 

Voltando ao tema em questão, gostaria de referir alguns argumentos em que se fundamenta a minha opinião:

1- A data de 20 de Setembro não representa nenhum facto especial, a não ser estar associado ao final de um ano agrícola e ao início de outro. As festas, tanto as religiosas como as profanas, coincidiam com os poucos dias de férias que os trabalhadores agrícolas tinham entre os referidos anos agrícolas. Aproveitavam então essa época para fazerem as compras mais importantes, como sendo a roupa, o calçado ou algumas alfaias agrícolas ligeiras. Compravam também as novidades que os feirantes traziam. Eram dias de festa efectivamente populares e genuínas. Viviam-se aqueles dias de forma “total”. Comia-se, bebia-se, cantava-se, dançava-se e quando já não havia nada para fazer então dormia-se.

2- Com o evento dos transportes públicos (o primeiro que apareceu foi o célebre autocarro branco do Painho seguindo-se a Setubalense) as pessoas começaram a deixar progressivamente de aqui pernoitar. Iam e vinham os dias que queriam. Recordo-me ainda de nos olivais adjacentes ao Santuário haver uma sementeira de tabuletas, tendo cada uma o nome da localidade para onde se dirigia o autocarro que os levaria de volta a casa. Este facto fez com que as grandes noitadas começassem a diminuir. Foi o princípio da mudança.

3- Com a massificação do transporte individual tudo mudou e as coisas nunca mais voltaram a ser iguais. Nem poderiam pois os tempos estavam a mudar.

4- Actualmente, a única coisa que permanece inalterável na forma e no conteúdo é a Procissão dos Pendões que marca o início oficial das festas. Quanto ao resto tudo mudou.

 

Pergunto então, qual é o problema de passar TUDO do 20 de Setembro para 20 de Agosto? Eu não consigo encontrar qualquer malefício, antes pelo contrário.

 

Quanto se planeia qualquer evento, seja ele de que ordem seja, há factores a ter em consideração:

1– Objectivos;

2 - Público alvo;

3 – Viabilidade económica.

Vamos tentar analisar estes factores aplicados ao S. Mateus.

1- Os objectivos das Festas do Senhor Jesus da Piedade e Feira de S. Mateus são sobejamente conhecidos e como tal dispenso escrevê-los;

2- O público alvo é fundamentalmente o seguinte:

2.1- Habitantes da cidade

2.2- Conterrâneos nossos que vivem fora

2.3- Emigrantes

2.4- Habitantes da vizinha Espanha

2.5- Outros visitantes;

3- Aqui há que distinguir dois aspectos: os aspectos económicos

vistos pelo lado da Confraria e os aspectos económicos vistos

pelo lado dos feirantes.

Analisemos então o ponto 2 e como reagem os vários intervenientes.

O público fundamental para sustentar o evento são os residentes na cidade. E destes quais são os maiores frequentadores? As crianças e os jovens por uns motivos e a terceira idade por outros. Se com estes últimos não há problemas, já que tempo é o que não lhes falta, já os primeiros estão condicionados pelo factor “férias”. Como é sabido há uns anos atrás a juventude tinha férias até ao início de Outubro. Agora as coisas são diferentes. A rapaziada começa a escola a 12 de Setembro e este factor vai condicionar a sua permanência na feira até horas mais tardias. Mas não são só estes como os respectivos pais. Em Agosto estão todos de férias e como tal as restrições horárias deixam de ser problema.

O mesmo se passa com os conterrâneos nossos que vivem fora e que poderiam permanecer mais uns dias e não virem no dia 20 de Setembro para se irem embora no dia seguinte, senão no próprio dia depois da procissão.

Ora se para estes últimos a data é imprópria, que dizer então dos emigrantes? Quantos deles estão em Elvas em Setembro?

Se o problema dos jovens se põe para os residentes, o mesmo se põe em relação aos nossos vizinhos espanhóis. Nestes últimos anos quantos se vêm por aqui? E por que motivo não vêm? O problema é igual ao nosso ainda com a agravante de haver uma hora de diferença. O mesmo se põe para qualquer outro visitante dos concelhos limítrofes.

Analisemos agora o ponto 3. O dinheiro faz girar o mundo como dizia o outro. Não sendo uma verdade absoluta, lá que ajuda é uma verdade.

A Confraria sem o dinheiro deixado na bandeja pelos peregrinos e sem o dinheiro do aluguer dos terrenos aos feirantes, que fazia? Nada! Se os visitantes do parque diminuírem, o negócio dos feirantes diminui. Estes últimos dependem desesperadamente dos primeiros e se estes deixarem de vir, eles deixam de vir também. É como que uma pescadinha de rabo na boca.

Perante este panorama que fazer? Adaptarmo-nos aos tempos. Basta olhar a televisão nesta época e ver as centenas de festas que se fazem por esse país fora. Será que dantes eram todas no mês de Agosto. Lógico que não! E sendo assim porque mudaram? Como é óbvio adaptaram-se aos tempos. A própria Feira de S. Mateus de Viseu assim o fez.

Não consigo encontrar qual o problema de alterar uma tradição, se é isso mesmo que todos nós fazemos todos os dias e nem damos por isso. Os extremistas pró-tradição que pensem só um minuto e vejam quantas tradições nós alterámos.

 

Jacinto César

 

Nota - Amanhã voltarei a publicar os escritos de Vitorino d'Almada. 

 


Tasca das amoreiras às 16:47
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Domingo, 2 de Setembro de 2012

Olivença

 

 

 

 

Penso que é a primeira vez que escrevo aqui sobre o tema Olivença já que para mim é um tema sem interesse, mas como surgiu no FaceBook a polémica, quero deixar aqui a minha opinião.

Se há locais em Espanha aqui próximos onde me desloco com frequência é aí precisamente porque é uma localidade onde me sinto bem, tal como acontece com outra mais a norte e que é Albuquerque. Mas cada vez que ali vou sinto-me em Espanha e é essa a verdade. Não fossem os vestígios portugueses que ali encontramos, tudo o resto é Espanha sem dúvida. Por mais do que uma vez senti a presença portuguesa por esse mundo fora, sendo que a mais forte foi Goa, mas nem por isso quero reivindicar esses locais como portugueses. Foram em tempos, mas pelas mais variadas razões deixaram de o ser e pronto.

Numa época em que cada vez mais se apela à união da Europa, não faz sentido algum andarmos a fazer apelos à história para a desunir. Esta, se quer ser forte de verdade, tem que se unir mais e não dividi-la. Jamais abdicarei da minha cultura, mas não me importava de abdicar da soberania em prole de uma Europa verdadeiramente unida.

Levantar o problema de Olivença nos dias que correm é uma utopia de fanáticos, tão fanáticos como os que querem a independência da Madeira, ou da Catalunha, ou da Córsega ou de outra região qualquer. Aceitemos os factos tal como hoje se apresentam. Eu quero ser europeu de alma e coração, e que todos tenham os mesmo direitos e deveres. Tudo o resto são “cantigas”.

Uma boa semana para todos

 

Jacinto César   

 

VESTIGIOS DA DOMINAÇÃO ROMANA (Continuação)

 

 

Ao tratarmos dos sepulcros indubitavelmente romanos não fizemos menção da legenda gravada sobre uma notável campa de que nos falam Rezende e Varela.

            Querem eles que este monumento pertença ao longo período de dominação romana, e com efeito as poucas palavras da legenda parecem denunciá-lo; mas numa nota anónima vemos pô-lo em duvida pela circunstância de que os caracteres dela são minúsculos, ao passo que o costume geralmente seguido entre aquele povo era gravar caracteres maiúsculos em todas assuas legendas.

            Deixamos aos eruditos nestas antigualhas a resolução da dúvida.

            A pedra tosca a que nos referimos, e que era campa dum sepulcro, foi achada a meia légua da igreja paroquial da Ventosa, e media 2m,65 de comprimento, decrescendo em largura de 0m,66 a 0m,56.

            As letras que continha eram estas :

                                                           Cacalo

                                                            A violi

                                                            lib     t

                                                                  hic

                                                            sit

que Rezende supôs indicarem que ali jazia um tal Cacalo, liberto de Violo, e acrescentava, que entre os vizinhos do sitio se transmitira de pais a filhos a fabula de que naquele estendido campo se ferira uma crua batalha, em que ficara morto Dom Beltrão (Bertrand), um dos doze pares de França, e que era este o personagem que estava enterrado sob aquela campa (Rezende - ibidem).

            Posto que isto seja um desconchavo, é certo que o nome de campo de Dom Beltrão subsistia ainda no tempo de Varela. ( Theat. Hist. cap. IV).

            Agora que chegou o momento de terminar este capitulo, não o faremos sem deixar consignado, que frequentemente se tem descoberto em diversos sítios dos arredores moedas romanas, de cobre e de prata, que, á falta de coleccionadores numismáticos nesta cidade, tem sido vendidas pelos ourives para fora da terra. Hoje este transvio é fácil evitar-se; visto que junto á biblioteca municipal foi criada uma secção arqueológica, onde os cavalheiros que nela tem, ou vierem a ter superintendência poderão ir colocando estas preciosidades á medida que forem aparecendo no mercado.

 

Fim

 


Tasca das amoreiras às 22:44
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