Escrevi aqui ontem sobre a desertificação progressiva do Centro Histórico
e como ela se deu ao longo dos anos a partir de 1958.
Gostava antes de falar de outros problemas, de focar o que para mim é o
maior deles todos.
Presumo que a maior parte das pessoas que têm a paciência de me lerem,
conhecem bem ou relativamente bem, Portalegre e Évora.
Comecemos por Portalegre.
Se nos deslocarmos desde o Semeador até ao Hospital, indo pela Rua do
Comércio, ou seja atravessando o Centro Histórico, constatamos que
passamos por este e entramos na zona mais nova (a partir do plátano)
quase sem nos apercebermos disso, ou seja, não há uma separação clara
entre o centro e uma das zonas novas da cidade.
Em Évora passa-se exactamente a mesma coisa. Quem conhece a cidade
sabe que basta atravessarmos qualquer das portas das muralhas para nos
encontrarmos nas chamadas zonas novas. Ou seja, basta atravessar uma
rua ou avenida para se chegar ao centro ou vice-versa.
Olhemos agora para Elvas. Como se sabe, todo o desenvolvimento urbano
da cidade se deu a partir do castelo e das sucessivas fortificações que
foram sendo levantadas ao longo dos séculos, até que se chegou ao limite
com a construção das muralhas seiscentistas. E assim permaneceu por
mais alguns séculos. Só que a partir daí, as coisas complicaram-se, dada
a existência de uma “fronteira” natural que são todos os terrenos com
grande declive que a circulam. Salvo as Portas de S. Vicente que dão
quase uma continuidade entre a cidade e o Bairro da Boa-Fé, todas
as outras têm uma faixa de terreno de grande declive a separar a cidade
das zonas novas.
É um obstáculo considerável que para muitos tem que ser percorrido de
automóvel. É uma situação difícil e que aparece em várias cidades
amuralhadas por essa Europa. O exemplo mais extremo que me recorde é
S. Michel na Normandia em França. Vive diariamente de milhares de
turistas que a visitam e à noite parece uma cidade fantasma.
Com tudo isto, não quer dizer que não haja tratamento. Mas só paliativos,
porque remédios que curem em definitivo parece não os haver.
Amanhã continuarei a falar sobre o assunto.
Jacinto César
Se há temáticas difíceis de abordar, os problemas do Centro Histórico
de Elvas, é um deles.
Ao longo destes últimos 15 anos que comecei a interessar-me por estes
assuntos, já vi muitos problemas idênticos por esse mundo fora, já
ouvi muitas e muitas opiniões de pessoas habilitadas a fazê-lo, mas
ninguém até agora apresentou uma solução credível e viável sobre esses
mesmos problemas e como resolvê-los.
Identificá-los é relativamente fácil e penso que a maior parte das
pessoas os conhece. Já arranjar solução é que é mais difícil.
Até há um ano atrás e desde os meus oito anos, sempre vivi nos
chamados “bairros novos”. A minha infância foi passada no Bairro
das Caixas até aos 26 anos. Daí passei para a Av. da Piedade e
finalmente assentei durante 20 anos na Est. de St. Rita.
O que é que levou o meu pai a mudar-se do Largo de S. Domingos,
onde nasci, para o Bairro das Caixas? O mesmo que umas dezenas de
famílias: casas com melhores condições do que aquelas que havia no
centro. O que aconteceu a estas famílias que se aventuraram a ir
morar para onde não havia nada, passou a bola de neve.
Vejamos o seguinte: Elvas por volta dos anos 60 do século passado,
tinha aproximadamente mais umas 4 ou 5 mil pessoas do que actualmente.
Então porque é que aconteceu esta explosão imobiliária se a população
até diminuiu? É que antes e em cada casa viviam duas, senão três
gerações, ou seja, tudo a monte. As oportunidades apareceram e as
pessoas desejosas de uma vida mais digna mudaram-se.
Eu vi crescer toda aquela zona da Piedade. Começou com os primeiros
3 prédios da Caixa de Previdência na Av. António Sardinha, depois veio
o quarto, para logo de seguida se ter construído o prédio de gaveto da
referida avenida com a Est. de St. Rita (prédio onde actualmente está
a Churrasqueira da Piedade).
Entretanto, o Bairro de St. Luzia também ia crescendo e o da Boa-Fé
também. Depois veio a Av. da Piedade com a construção da antiga
Escola Técnica e o primeiro prédio (onde se situa o actual Tif-Taf).
E continuou tudo sempre a crescer. De onde vinha tanta gente?
Do centro, claro está. A consequência foi a desertificação contínua
do Centro Histórico. E reparem, eu estou só a referir-me ao que se
passou até ao 25 de Abril e antes de se ter dado início à especulação
imobiliária. O que é certo é que aos poucos a cidade foi esvaziando,
restando os militares (não todos) que por razões óbvias se mantinham
pelo centro, os idosos que já não queriam mudar de casa e aqueles
que não podiam mesmo.
Isto que acabei de contar é a realidade que eu vivi.
Depois do 25 de Abril, foi o que se viu: foi a debandada geral,
onde só quase tinha resistido os anteriormente citados, o comércio
florescente, a banca e seguros e mais alguns serviços.
Com o advento da Comunidade Europeia e consequente abertura
das fronteiras, o fim dos quartéis, o comércio entrou numa crise
profunda, os serviços também se foram mudando para a periferia.
E chegámos aos dias de hoje no estado em que nos encontramos.
Como disse ao princípio, retornei às origens e vim residir
novamente para o Centro Histórico. Isso deu origem a que me
apercebesse de uma forma mais objectiva do que antes.
Amanhã continuarei com este tema, mas isso não faz com que
me esqueça da minha luta e que é o S. Mateus.
Jacinto César
Hoje vai mais um recado para o Presidente da Câmara.
Como dantes morava para aquelas bandas, se reclamasse
qualquer coisa, dir-se-ia que estava a defender só os meus interesses.
Como agora mudei de pouso já não se pode afirmar tal.
Sr. Presidente da Câmara Municipal de Elvas
1 – As passadeiras para peões estão uma miséria e algumas já
nem são visíveis. E o mais grave é que são aquelas que são muito
importantes que nem se vêem. Estou a referir-me às que ficam nas
proximidades da Escola Secundária.
A que se encontra a sul do edifício das Zitas nem se vê, mesmo
que se vá a pé. A norte do mesmo edifício, deveria haver outra já que é
aí que todos os alunos da referida escola que se deslocam para o Bairro
das Caixas, St. Luzia, Revoltilho e St. Onofre. Não vejo ninguém que
venha do lado da escola para os referidos bairros e vice-versa a ter que
descer uma centena de metros e depois voltar atrás para passar a avenida.
Espero que não haja por aquelas bandas nenhum acidente.
2 – Ainda em relação à avenida, o Sr. por acaso já algum dia parou
um pouco por ali e viu a velocidade a que se conduz? Se até o Vedor
onde moram meia dúzia de pessoa tem semáforos limitadores de
velocidade, porque não naquela via onde atravessam mais carros
e pessoas num dia que na referida povoação num mês?
3 – Dado que a densidade populacional naquela zona é grande
e o número de carros também, não seria conveniente o estacionamento
de veículos se fazer em espinha e não longitudinalmente como se
faz agora? A capacidade de estacionamento aumentava, a via de
circulação estreitava e até poderia que mesmo sem semáforos
a velocidade de circulação diminuísse.
4 – Sr. Presidente: aqueles passeios estão uma lástima! Se para
uma pessoa que anda bem por vezes já vai parar ao chão, pense
em todas as pessoas que por qualquer motivo tenham dificuldade
em fazê-lo. É um pesadelo!
O mesmo poderia dizer em relação à Av. António Sardinha,
excepto no que se refere ao estacionamento em espinha.
Como vê Sr, Presidente não lhe estou a pedir que faça grandes
obras, mas pequenas coisa que melhorariam a qualidade de
vida dos seus concidadãos.
Jacinto César
Gostaria muito que alguém da Confraria do Sr. Jesus da Piedade se
disponibilizasse para fazer um debate sobre o futuro das Festas. Mas
até agora só silêncio. É um silêncio que até faz doer a alma. Mas talvez
um dia sejam eles que roam a consciência. Só que quando esse dia
chegar já não há remédio.
Pus aqui em debate o problema. Os blogs Cidade de Elvas e
Dualidades já também se referiram ao assunto. Mas as opiniões que
tenho lido, resumindo-as valem zero! ZERO! Há até por aí um senhor
anónimo que coloca o mesmo comentário nos vários blogs. O problema
não é esse, é o facto de só dizer asneiras.
Fala-se muito de a Câmara Municipal querer ficar com o Parque da Piedade.
É um argumento falacioso, já que nunca ouvi tal barbaridade.
Acredito sim e eu apoio totalmente a medida se a Confraria der por
concessão temporária a exploração e manutenção do parque. Essa seria
a única forma de termos um parque digno desse nome e não um descampado
com duas filas de postes de iluminação. Quando é que a Confraria tem
capacidade financeira e técnica par alterar a fisionomia daquela faixa enorme
de terreno? Nunca! É caso para dizer que nem comem, nem deixam comer.
E a Cidade é que paga! Fala-se também no erro “monumental” em
calcetar o Parque. Eu quero acreditar que se tal acontecesse era somente
a faixa central o que permitiria a pessoas deslocarem-se melhor, canalizar
as águas pluviais e evitar os lamaçais habituais quando chove.
As tendas não seriam em nada prejudicadas com isso, antes pelo
contrário, deixariam de ter autênticos ribeiros a passarem-lhe por baixo.
Mais, concordava que os postes de iluminação tivessem entre si árvores,
o que tornaria todo o parque mais agradável. E porque não uns bancos
junto às árvores? Será que tudo isto desvirtuaria assim tanto o parque?
A não ser que saia o Euromilhões à Confraria, jamais esta terá
capacidade de fazer seja aquilo que for. O problema é, tal como me
referi anteriormente, que não faz nada, mas também não deixa fazer.
Não consigo entender tamanha teimosia e conservadorismo.
Não sei como é que se pode alterar tais mentalidades.
Um dia e por causa disso, estaremos todos a chorar baba e ranho,
feitos Marias Madalenas.
Vamos mudar este estado de coisas. Vamos discutir o assunto.
Eu não quero dizer com isto que estou cheio de razão nas minhas
propostas, mas arranjem-se alternativas.
Faça-se silêncio! Vai-se cantar o fado da desgraçadinha.
Jacinto César
Eu já não tenho bem a certeza se estou maluco ou se querem dar comigo doido!
Eu faço o desenho.
Vamos sopor que o Sr. X é casado pela igreja com a Sra. Z. Um belo dia
a Sra. Z descobre que o marido a anda a “enganar” com outro homem.
Até aqui nada de anormal. Como o marido a continua a “enganar” e
não cumpre os seus “deveres” conjugais, resolve junto do Tribunal
Eclesiástico pedir a anulação do casamento. Tudo continua dentro da
normalidade.
O referido tribunal resolve abrir o processo e chama a declarar o Sr. X.
Bem, a partir daqui é que é o busílis. O tribunal vai tentar classificar o
“nível de homossexualidade” do senhor. Se for classificado como
homossexual por acidente ou de uma forma irregular, o tribunal não
dá o casamento como nulo. Se o nosso amigo for declarado
homossexual de nível 3 ou 4, então é mandado para um psiquiatra
que lhe cura a sua homossexualidade através de medicamentos.
Se o nosso homem se curar, nada de anulação. Se não regressar ao
“bom caminho” então o matrimónio é considerado nulo.
Se e ainda, o tribunal classificar o homem de homossexual de nível 5
(caso perdido), a nulidade do casamento também é decretada.
Isto até parece uma história inventada por mim num dia em que por
acaso bebi uns copos a mais. Só que não se trata disso, mas sim da
pura das realidades.
Como já aqui afirmei várias vezes, e apesar de ser contra o casamento
gay, nada me move contra aqueles que não são como eu.
Mas também afirmo que, se fosse homossexual e me tentassem
classificar, ficava furibundo.
E se já é ridículo fazer tal classificação, que dizer então de
“curar com medicamentos” aqueles que são “pouco homossexuais”?
Por favor, digam-me que não estou maluco e que é a Igreja que está!
Isto é absolutamente aberrante.
Tal foi afirmado pelo Presidente da Associação Portuguesa de
Canonistas, o cónego Joaquim da Assunção Ferreira no VII
Encontro Nacional sobre Causas Matrimoniais.
O referido Cónego acrescentou “ os “exclusivamente heterossexuais,
só acidentalmente homossexuais, predominantemente
heterossexuais” e os que são “igualmente uma e outra coisa” podem ser
considerados como aptos para “desempenhar perfeitamente os papéis e
os fins do matrimónio”.
Afinal, “a pessoa pode não ser um heterossexual puro, mas, se algumas
tendências pouco significativas existirem, esse matrimónio certamente
que se manterá”, desde que o indivíduo assuma que “a obrigação dele
é viver em castidade [homossexual] e corrigir”, argumenta o cónego,
que é também vigário Judicial do Tribunal Diocesano de Lamego.
Afinal, as profecias de S. Cipriano parecem estar a bater certas ao
dizer que o mundo irá um dia acabar à cabeçada.
Deus os perdoe que eles não sabem o que fazem.
Jacinto César
Faz agora um ano estava eu com um pé dentro de um avião que
me iria levar a sobrevoar o Monte Evereste. Quis o acaso que
tivesse conhecido um casal de portugueses que iam fazer o mesmo voo.
Como o avião onde ia entrar só tinha mais um lugar vago, dei a minha
vez a outra pessoa e fiquei para trás para ir junto com o referido casal
no avião seguinte. O tempo era instável e havia trovoada. O avião onde
deveria ter seguido caiu e morreram as 22 pessoas que lá iam. Está mais
que visto que ainda não tinha chegado o meu dia.
Chegado a Elvas dias depois, estava eu de pistola na mão a encher o
depósito de gasolina na Galp e eis que sem saber ler ou escrever sou
atropelado por um condutor distraído. Fiquei entalado entre os dois
carros e com uma perna debaixo de uma roda. Saí ileso do incidente.
Mais uma vez não tinha que ser, mas em menos de 15 dias, tinha “gasto”
duas vidas. Fiquei preocupado!
Isto vem a propósito do 11 de Setembro de 2001.
Vai fazer amanhã 10 anos que almocei horrorizado em frente à televisão
a assistir ao atentado mais mortífero que se deu no mundo ocidental.
Os factos já toda a gente os sabe (ou não) e não é sobre isso que me vou
debruçar. Sabendo nós que nas duas torres trabalhavam muitos milhares
de pessoas, por vezes pergunto-me:
1 – Quantos trabalhavam lá e que nesse dia ficaram doentes em casa?
2 – Quantos, mesmo estando doentes, foram trabalhar porque tinham
algo inadiável para fazer?
3 – Quantos, não trabalhando nas torres, ali se tiveram que deslocar a
fazer qualquer coisa?
4 – Quantos é que nesse dia se atrasaram ou perderam o transporte
habitual para ir ao trabalho?
5 – Quantos é que trabalhando aí tiveram que se deslocar a outro lugar
a tratar de um assunto qualquer?
Poderia continuar a escrever um sem número de hipóteses, que
continuaria a fazer a mesma pergunta: PORQUÊ?
Eu por princípio não acredito muito no destino, mas por vezes sou levado
a pensar que há algo que nos faz movimentar para um lado ou para o
outro, a tomar esta ou aquela decisão ou ir ou não ir.
Nestes últimos dias, foram disponibilizadas fotografias e relatos áudio inéditos.
Fiquei impressionado com muitas coisas que vi e ouvi. Os encontros e
desencontros que ali se deram para que uns tivessem morrido e outros
tivessem sobrevivido.
Às vezes pergunto a mim próprio se quando nascemos já temos marcado
o dia para morrer. Será que é o destino ou um mero acaso?
Jacinto César
Por mero acaso, revi nestes últimos dias um filme que na época me chocou bastante.
Estou a falar da “Vida é Bela” de Roberto Benigni.
Só que desta vez encontrei um paralelismo entre o argumento do filme e
a actual situação de Portugal e dos portugueses.
Na película, para aqueles que a viram e se ainda recordam, é passado
num campo de concentração nazi (leia-se agora Portugal).
Os prisioneiros, que além de viverem em condições desumanas,
esperava-lhes a morte (leia-se aqui muitos, mas muitos portugueses).
Os seus carrascos punham e dispunham deles ao seu belo prazer e
quando lhes dava na real gana, matavam-nos (leia-se aqui, governantes,
corruptos, vigaristas).
Um dos prisioneiros (interpretação magistral de Benigni), tinha um filho,
também ele prisioneiro, a quem ia contando umas histórias cor-de-rosa e
como tudo aquilo não passava de um jogo.
Depois das comparações que fiz, digam lá se é ou não é o que se passa no
nosso país? Aumentam-nos os impostos, aumentam-nos os preços,
diminuem-nos os vencimentos, roubam-nos em tudo e mais alguma coisa!
E nós que fazemos? Fingimos que não é nada connosco.
O Sporting está pelas ruas da amargura, o Benfica finge que anda mas
não anda, o Porto ganha tudo!
E não é isto que nos interessa? Venham muitos festivais de verão e
ala a divertirmo-nos. O S. Mateus está à porta e todos fazemos planos
para passar melhor esses dias (Falando em S. Mateus, ontem comprei
um programa e depois de o ler só encontrei uma palavra para dizer:
deplorável.).
A vida é bela mesmo que nos roubem!
A vida é bela mesmo que passemos por muitas dificuldades!
A vida é bela enquanto nos forem dando uns rebuçadinhos!
E quando acordarmos desta anestesia em que nos encontramos,
estaremos “mortos” ou no mínimo “moribundos”.
Que importa se a VIDA É BELA!
Jacinto César
Começa amanhã oficialmente o novo ano escolar.
Como professor gostaria aqui de deixar uma mensagem de esperança
e de coragem a todos os intervenientes no processo educativo.
Como é sabido, as coisas não têm corrido lá muito bem à nossa cidade
em termos de resultados. É com muita tristeza que o digo, mas é mesmo
assim. Não vale a pena encontrar aqui bodes expiatórios para tal facto
pois todos somos culpados, ou melhor dizendo, não há no processo
inocentes.
A primeira mensagem queria dirigi-la aos alunos.
É verdade que “antigamente” a maior parte dos alunos estavam mais
motivados pois sabiam que à partida e assim que concluíssem os seus
estudos tinham um emprego quase garantido. Os tempos mudaram e
hoje as coisas são diferentes! No entanto uma coisa é certa, quanto
maior for o nível dos estudos, maiores são as probabilidades de se
encontrar o tão desejado emprego. Por favor não desistam e
empenhem-se o mais que poderem. Já agora, façam – FACE e + BOOK.
A segunda mensagem é para os pais.
Gostaria de vos lembrar que o futuro dos vossos filhos está nas vossas
mãos. Se exigem empenho aos filhos, terão que se empenhar como pais
e já agora nunca se esqueçam de uma coisa: a escola forma pessoas,
mas a educação é dada por vós. A escola jamais pode substituir os pais.
Espero da vossa parte a coragem de dizer uma palavra que hoje está um
pouco arredada do vocabulário das famílias e que é NÃO!
Teremos que ter a coragem de ser firmes em nome do sucesso dos
nossos filhos. Coragem pois!
Finalmente uma mensagem muito curta aos meus companheiros
professores. Empenho, mais empenho, e mais empenho até não poderem
mais. Sei que muitas vezes a tarefa é difícil. Sei que muitas vezes a
vontade é a de desistir. Sei que muitas vezes entramos em desespero.
Mas mesmo assim atrevo-me a pedir-lhes coragem.
Um bom ano para todos. Nós precisamos, a cidade precisa e o país também.
Jacinto César
Tenho reparado que entre os comentadores estalou uma polémica
sobre o feriado municipal. Pelo que tenho lido, há várias opiniões
e cada um tem apresentado os seus argumentos. É bom falar-se das
coisas. É mesmo muito bom que cada um de nós dê a sua opinião
sobre tudo aquilo que nos diz respeito como cidadãos.
Até agora tenho-me mantido fora do debate, mas hoje resolvi entrar.
É voz comum dizer-se que para o ano que vem, Elvas vai fazer 500
anos. Cabe aqui desfazer um engano que foi reforçado aquando da
colocação da estátua de D. Manuel I no Largo da Misericórdia,
já que no pedestal desta consta lá o ano de 1512 como sendo o ano
em que Elvas foi elevada à categoria de cidade. ERRADO!
Efectivamente, em 1512 foi concedido foral à VILA de Elvas.
Se alguém se der ao trabalho de o ler, constatará que em todo o texto,
Elvas é sempre referida como vila. Na verdade Elvas só foi elevada à
categoria de cidade em 21 de Abril do ano seguinte, ou seja, de 1513.
Reza assim o documento em português corrente: “… - entretanto, a
21 de Abril de 1513 a antiga vila fora elevada a cidade – assistiram
(ao acto solene) o juiz, os vereadores, o procurador do concelho,
o feitor do alcaide-mor e da portagem, sacas e reguengos da vila,
assim como fidalgos, cavaleiros e homens bons e outro muito povo dela.”
Se a maioria das pessoas não quer o 14 de Janeiro como feriado, já
que alguns consideram a comemoração como provocatória aos nossos
“hermanos”, porque não e então utilizar esta data como feriado municipal?
Mais, haveria anos que com uma pontezinha a data ligaria com o feriado
do 25 de Abril.
Fica então aberto mais um debate que espero que seja feito com
dignidade e sem aquelas picardias habituais entre comentadores.
Entretanto não irei esquecer o anterior tema e não irei desistir enquanto
não se faça um debate sério sobre o assunto S. Mateus.
Sobre as datas que se aproximam, irei falar nelas mais tarde para recordar
a autarquia, não vá ela deixar-se dormir e esquecer as comemorações.
500 anos sempre são 500 anos e nem todos se podem gabar do mesmo.
Jacinto César
Hoje para terminar esta série de escritos sobre o S. Mateus vou fazer a
proposta mais polémica. Eu por mim penso ter lógica, mas lá que não é
consensual, lá isso não.
Medida 4
Tal como aqui há uns dias atrás expliquei e documentei, não há nada na
tradição que impeça o S. Mateus mudar de data. Quem quiser saber como foram as
coisas ao longo da história, basta ler aquilo que escrevi em http://tascadasamoreiras.blogs.sapo.pt/248956.html
e as razões que me levam a propor tal mudança.
Com esta medida que proponho só não entendo qual é a relutância de se
discutir o assunto. Nada é definitivo e as coisas têm que se adaptar aos tempos
em que vivemos e se assim não fosse ainda hoje vivíamos na idade da pedra.
Hoje casualmente estava a ouvir o rádio do carro e estava-se a falar numa
das festas mais antigas de Portugal e que é a Feira da Luz em Lisboa. Fazendo
fé no que estava a ser dito, a dita festa vai fazer cerca de 500 anos. É uma
bonita idade, só que está morta. Nada foi modernizado, os atractivos são
mínimos e lá estavam a ser entrevistados os comerciantes que se queixavam das
moribundas festas. Eu não conheço as referidas festas, mas quando ouvi os
queixumes das pessoas lembrei-me logo do nosso S. Mateus.
Os conservadores da nossa terra, parece-me que só estarão satisfeitos
quando fizerem o funeral ao Senhor Jesus da Piedade. Eu não quero mudar nada
sozinho. Eu só quero que se fale do assunto. Eu gostava que houvesse um debate
público, para que “amanhã” ninguém possa dizer que o dito assunto não foi
discutido. Se o S. Mateus tiver que morrer que morra, mas que a sua morte seja
da responsabilidade duma maioria.
Quando Rondão de Almeida ganhou as primeiras vezes as eleições com
percentagens elevadas, fazia-me confusão as pessoas dizerem que de verdade ele
tinha ganho mas não com o seu voto. Ou seja, parecia que ninguém tinha votado
no homem e que houvera uma imensa fraude eleitoral. Não sei porque é que os
nossos concidadãos têm medo de discutir os assuntos que só a nós nos dizem
respeito. Preferem fazer como as avestruzes que quando pressente o perigo metem
a cabeça no primeiro buraco que encontram. Eu não me calo e ponto final. Assim
sendo proponho:
1 – Que as Festas do Senhor Jesus da Piedade passem a começar no dia 20
de Agosto e tenham a mesma duração que têm na actualidade;
2 – Em alternativa em data móvel, como por exemplo a última semana de
Agosto.
A partir de agora se se quiser discutir o assunto e debatê-lo cá estarei
para dar a minha contribuição.
Jacinto César
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