Caros amigos e leitores
Finalmente hoje entrei de férias e como tal vou deixar-vos por uns dias.
Se as coisas se proporcionarem como eu pretendo e se tudo correr como eu gostaria faço intenção de vos mandar uma mensagem do “Tecto do Mundo”. Se não for de lá será do sítio mais próximo que possa. Se não der notícias foi porque me congelei, mas essa hipótese não me agrada muito.
Espero estar de volta no final da 1ª semana de Setembro.
Até umas boas férias para todos e que descansem pois o trabalho está já ali à esquina à nossa espera.
Jacinto César
Nota – Para quem não lida com estas coisas, quem avalia o que quer que seja, normalmente a avaliação cai dentro de uma curva chamada de Gauss. Expliquemos um pouco mais: imaginemos que temos que avaliar um grupo de pessoas com uma classificação de 1 a 5. O ponto mais alto da curva corresponde quase sempre à nota média ou seja o 3. A curva que parte do 1 vai crescendo até 3 e depois vai decrescendo até ao 5. Se as coisas correm bem, a curva desloca-se para a direita atingindo um valor superior ao 3. Se correm mal, a curva desloca-se para a esquerda e consequentemente para valores inferiores a 3. Em traços muito largos é este o processo que se usa para avaliar por exemplo o rendimento de uma turma de alunos. Feita a explicação vamos a um caso real.
Houve um professor que fez a seguinte experiência:
1 – Como pessoa experiente que era, sabia perfeitamente a “massa” humana que tinha à sua frente. Sabia que tinha alunos muito bons, uma maioria razoável e uns quantos ditos “maus”.
Em condições normais os resultados iriam cair dentro daquela curva que falei anteriormente.
2 – No primeiro período e a pedido dos alunos, a notas foram todas iguais para todos os alunos e baseadas na média aritmética. Os alunos bons tiveram uma nota ligeiramente inferior, os médios mantiveram as notas e os maus subiram. Bom para todos!
3 – Chegado o fim do segundo período voltou-se a utilizar a mesma técnica e chegou-se à seguinte conclusão: os melhores alunos passaram a estudar menos, os alunos médios fizeram o mesmo e os maus deixaram de estudar de vez confiando no estudo dos outros. Como seria natural o resultado caiu a pique!
4 – Chegado o final do ano, os que estudavam antes já tinham deixado quase de estudar porque nas notas baixas não os estimulavam a fazê-lo, os médios deixaram também de estudar e os outros confiados nos dois grupos anteriores andaram na boa vida. Resultado final: trágico.
E aonde quero eu chegar com tudo isto? O facto da Ministra da Educação (?) querer que ninguém chumbe ou seja para ser politicamente correcto, não haver repetências, ou seja, nivelar tudo por baixo. O culto da mediocridade.
Eu fui daqueles que acreditei que a saída de Maria de Lurdes Rodrigues poderia tranquilizar o Ensino. Agora com estas ideias, já perdi totalmente a confiança na nova ministra.
Por favor Senhora Ministra: tenha juízo ou então vá-se embora e continue a escrever livros para criancinhas.
Jacinto César
A história é velhinha, e transcrevo-a aqui como a ouvi contar na minha infância:
“Certo cigano tinha um burro, seu único meio de transporte, que utilizava para ir de feira em feira fazer os negócios de que vivia. Certo dia, achando que tinha pouco dinheiro disponível para os copos na taberna, lá pensou com os seus botões que se reduzisse a ração ao burro, teria mais dinheiro disponível. Se bem o pensou, melhor o fez.
Passado algum tempo constatou que, na realidade, o plano tinha resultado e embora o burro estivesse um pouco mais magro, ele tinha bebido mais uns copos.
Mas a verdade é que o dinheiro nunca é demais e o nosso homem lá pensou que se reduzisse um pouco mais na ração do bicho, bebia mais um copo ou dois e, sem mais delongas, reforçou o corte na ração.
O pobre do burro voltou a perder uns quilos, mas o seu dono, estava agora eufórico, fosse por ver o seu plano a resultar, fosse em consequência dos copos de vinho que bebia a mais todos os dias, enão tardou em conceber um plano ainda mais audacioso.
Disse com os seus botões:
- Se reduzindo a ração do burro eu já consegui gozar melhor a minha vida, se eu o desabituar de comer, então ficarei com todo o dinheiro da ração para os copos.
Rapidamente passou esta ideia à prática, e foi reduzindo cada um dia um pouco mais na ração do pobre animal.
Certo dia apareceu o nosso homem na tasca, numa hora a que era suposto estar a caminho do mercado mais próximo.
Estranhando a sua presença, perguntou-lhe o taberneiro:
- Então hoje não vai ao mercado?
Respondeu o cigano:
- Atão não quer ver homem!.. Agora que tinha o burro quase desabituado de comer, morreu.”
Perguntarão os leitores:
A que vem hoje esta história?
Pois é!... Anda há dias a bailar-me na memória, de cada vez que penso na economia portuguesa.
É que o Estado precisa de dinheiro:
Não deixa de comprar novas frotas de automóveis; aumenta o IVA
Quer ainda mais dinheiro:
Não reduz nos Ministérios e assessores; aumenta o IRS
Não chega ainda o dinheiro:
Não reduz o número de Deputados na Assembleia da República; congela salários e progressões.
Ainda não está saciado:
Não corta os subsídios a quem não trabalha nem nunca descontou, nem as reformas chorudas obtidas com meia dúzia da anos de cargos em empresas públicas; reduz as reformas e aumenta o tempo necessário para a alcançar daqueles que trabalharam toda a vida.
Esquece quem assim procede que o dinheiro circulante á a “ração” da economia.
Ou invertemos rapidamente este tipo de actuação, e começamos a cortar no supérfluo, para disponibilizar dinheiro para a economia real que, quer queiramos ou não vive das pequenas e médias empresas e dos negócios que estas conseguem fazer com a classe média ou pode acontecer à nossa economia o que aconteceu ao burro do cigano, quando estiver desabituada de “comer”, “morre”.
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António Venâncio
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