Se por um lado gostaria de saber o que o nosso 1º Ministro disse a Armando Vara ao telefone, por outro, sabia que mais dia menos dia as ditas escutas iriam ser destruídas. Vai ficar sempre a dúvida do que aconteceu. E se um dia se se chegar por outros meios à conclusão que o 1º Ministro estava mesmo envolvido na tramóia da “Face oculta”? Nessa altura as ditas gravações fariam falta! Porque não foram guardadas num cofre do Supremo Tribunal por uma questão de precaução? Claro que não interessava, é o que toda a gente pensa. Mas o mal já está feito! Eu, cá no fundo, bem cá no fundo, continuo a pensar que “um pirata qualquer” fez uma cópia que um dia virá à luz do dia. Coisas que me passam pela cabeça.
Nota 1 – Dom Mário Soares, o Caquéctico
Este homem por vezes ainda me consegue surpreender. Então não é que hoje disse numa conferência que nunca se deveria ter dado a independência a Cabo Verde? Eu nem queria acreditar no que estava a ouvir. Mas então quem é que se afirmou sempre como o pai da descolonização? Não é que eu não concorde com o que hoje afirmou, mas é preciso ter muita lata e falta de vergonha ser ele a dizê-lo, entrando numa contradição no que disse hoje e o que fez há 35 anos. O que a senilidade faz!
Nota 2 – Presidente da República Checa – Outro caquéctico.
Diz o tacho para a sertã: chega-te para lá não me mascarres. Então o homem não teve a pouca vergonha de criticar Portugal em frente de Cavaco Silva numa visita oficial? Eu até perguntaria: se não fossem ambos os países membros da EU, tais comentários não dariam direito a um incidente diplomático? E o mais engraçado, (que não tem graça nenhuma) é que o homem criticou o défice português de excessivo! E então o défice do seu país? Vaklav Klaus não está bom. Senão de um manicómio, pelo menos precisa de ir para um lar de terceira idade.
Bom fim-de-semana para todos
Jacinto César
PS – Ouvi dizer que o Presidente Rondão Almeida quis bater no Ministro da Defesa? Homem, tenha lá calma senão enviam-nos um submarino dos novos Guadiana a cima e depois é que são elas. Ainda não chegaram? Então leva com uma fisgada!
Bem, na impossibilidade de responder a todos os comentários, resolvi voltar ao assunto.
Hoje gostaria antes de mais, deixar aqui e para todos, alguns números, que por muito discutíveis que sejam, mostram a realidade portuguesas.
- Em 2009, foram registadas 30543 queixas de violência doméstica, número esse, que representa um acréscimo de 10,1% relativamente a 2008 (27733 denúncias);
- Só no ano passado, o Observatório de Mulheres Assassinadas registou 45 homicídios;
- Na violência doméstica as mulheres representam 85 porcento, com idade média de 39 anos. Destas, 77 por cento não dependiam economicamente do agressor.
Perante estes factos, só não vê quem não quer. O problema é grave e com tendência a piorar. Mais, estes números reflectem unicamente a chamada violência física, pois além desta, e por vezes tão grave como a anterior, é a violência psicológica e moral que não está quantificada. E são estes factos que para mim se tornam preocupantes.
Poder-se-á dizer como desculpa que a vida está difícil e que proporciona uma conflitualidade maior dentro dos casais. Mas será isso? Não será antes um problema de educação e formação? Repare-se como curiosidade que a idade média das agredidas é de 39 anos, ou seja, filhas já do 25 de Abril. Se desde essa data temos constatado uma deterioração dos valores e de uma educação a degradar-se, podem muito bem fazerem-se as afirmações que atrás fiz sob a forma de perguntas. A sociedade em todas as suas vertentes está a degradar-se de tal maneira que não sei se alguma vez irá entrar novamente no bom caminho. Mas passemos à frente.
Falaram aqui alguns comentadores na violência doméstica sobre os homens. Nunca foi minha intenção escamotear tal facto, pois representam 15 porcento. Agora há que saber quem são estes homens violentados. Sei que aquilo que vou afirmar vai ser polémico, mas antes fui confirmar em estudos sobre o assunto se assim era ou não: destes 15 porcento, ama maioria corresponde a homens que se constituem como casal com outro homem, ou seja, casais homossexuais masculinos. Quem tiver dúvidas basta fazer uma pesquisa na net. E os outros? Os restantes são uma franja mínima e para o qual não encontro justificação (ou será que encontrava?).
O outro número que me impressionou e que já ontem tinha aqui referido sem no entanto o ter quantificado, é o facto de três quartos das agredidas não dependiam economicamente do agressor. Este sim, é o facto que mais me impressiona e que na verdade não consigo entender e que para mim demonstra uma falta de personalidade a todo o tamanho.
Exemplifiquemos. Vamos imaginar que tenho um amigo dos copos e das farras, que por casualidade é fisicamente muito superior a mim. Por um qualquer motivo um dia desentendemo-nos e o dito amigo deu-me uma grande sova. Não interessa aqui saber se com ou sem razão. Deu e pronto! Então eu a partir daí podê-lo-ia continuar a considerar um amigo? Óbvio que não ou então estaria a fazer figura de tonto. Verdade?
Todos os casais têm bons e maus momentos. Todos acabam por ter divergências algum dia. Só que há uma maneira civilizada de tratar os assuntos e outra à moda da idade da pedra: à pancada.
Para mim e para finalizar, um homem que exerce o seu poderio físico sobre uma mulher, além de cobarde, não passa de um complexado ou outra coisa qualquer. Resumindo, não é pessoa: é animal!
Jacinto César
Já há muito tempo que estava com vontade de trazer este tema aqui ao blog. Umas vezes por um motivo, outras por outro, tem passado apesar de considerar um tema de extrema importância.
Ontem por acaso a conversa surgiu no café a propósito de casos conhecidos e que depois, ao ler as notícias voltou o tema ao baile. Não foi antes, mas é hoje.
Se há coisas que tenho muita dificuldade em compreender é a violência doméstica, sendo que maioritariamente é exercida sobre as mulheres.
O problema começou a despertar em mim, quando aqui há um bom par de anos, o tema começou a ser discutido com mais frequência pelos nossos vizinhos espanhóis. O número de mulheres mortas por ano vítimas dessa violência para mim era inacreditável. Santa inocência minha. De vez em quando lá ouvia falar deste ou daquele caso, mas estava muito longe da realidade.
O pior, é que julgava que este fenómeno se dava em maior número nas classes sociais mais baixas. Mais uma vez santa inocência. Quando li um relatório sobre o que se passava em Portugal, deitei as mãos à cabeça de espanto! Era um fenómeno transversal a todas as classes sociais.
A partir desse momento acompanhei com mais atenção ao que se passava e fiquei horrorizado. Não consigo entender quais são as razões que levam um homem a cometer tal acto de “bravura”. Mas se não entendo a atitude do homem, tão pouco entendo a atitude passiva da mulher.
Antigamente e quando a mulher dependia de tudo do homem, incluindo o aspecto económico e a incompreensão da sociedade, havia motivos param aguentarem as sevícias dos maridos. Agora nos tempos que correm, não entendo. Se considero a atitude do homem como a de um selvagem, a mulher toma uma atitude masoquista. “Bate-me, mas eu gosto dele”. Não entendo!
Hoje a mulher é independente economicamente (a maioria), tem o apoio da sociedade e da família. Assim sendo de que é que está à espera de calçar um par de patins ao “machão”? E o problema é que conheço alguns destes casos e mesmo sem ter nada com o assunto dá-me vontade de intervir.
Que sociedade esta em que vivemos que em certos aspectos nada evoluiu.
Tenho uma filha e penso que se um machão destes lhe pusesse as mãos na cara seria a última coisa que faria na vida, nem que tal atitude me custasse uma penalização para o resto da vida.
Uma mensagem final para as mulheres: ABRAM ESSES OLHOS E ENFRENTEM ESSES BICHOS DE FRENTE. A maioria são mais mansos do que dão a entenderem.
Jacinto César
Por aquilo que tenho lido e ouvido, parece-me e contra a opinião dos nossos comentadores, que PPC até hoje nada fez. E nada fez em termos profissionais que demonstre que foi um bom gestor disto ou daquilo ou que ao menos tivesse tido uma carreira académica.
Fui ver o seu curriculum e o que vi foi uma sucessão de pequenos períodos na gestão de algumas empresas que ninguém conhece, sendo que em alguns períodos acumulou em mais do que uma.
Pessoalmente nada tenho contra PPC, mas infelizmente já o ouvi dizer algumas coisas que não me deixam tranquilo. O que mais me preocupa é a febre das privatizações, pois parece-me que, e mais uma vez, vamos vender o resto dos anéis, ficando para o estado as empresas que cronicamente dão prejuízos e que ninguém quer. Aquelas que davam lucros ao país, já há muito que se foram.
Desconfio da proposta de PPC em privatizar a RTP e a RDP. E sambem porquê? Porque já vi o apoio incondicional dado a este pelo barão da comunicação social portuguesa e que é Pinto Balsemão.
Se é verdade que sou a favor que os privados devem comandar a economia, por outro lado sempre fui a favor de que sectores estratégicos deveriam continuar a estar nas mãos do estado, para evitar que qualquer governo fique sempre refém do poder económico. Entendo que será este o sistema proposto pelas sociais-democracias. Mas aquilo que vejo e cada vez mais é uma liberalização quase selvagem. Se Sócrates é aquilo que temos visto, PPC ainda vai mais longe. O caso dos serviços de saúde são paradigmáticos. É ver as contas dos hospitais chamados de parcerias público-privadas. São um desastre. Já não quero falar aqui no sistema económico dos Estados Unidos, mas olhemos para a Alemanha e vejamos em que deu a privatização da saúde: quem não tem dinheiro para pagar o seguro, está em maus lençóis. E sobre este sistema, sei do que estou a falar.
Arrepia-me que a total privatização do país dê muitos maus resultados num futuro. Eu já cá não estarei para ver, mas tenho medo do que possa acontecer aos nossos filhos, netos, etc.
É isto que me assusta em Pedro Passos Coelho. Espero que esteja enganado e que o futuro não me dê razão.
Siga a música que nós cá estaremos para dançar. Só não sei se ainda teremos forças para o fazer.
PS – Lamento o atropelamento dos “leões”. Deveriam só atravessar a segunda circular pelas zebras!
Jacinto César
Costuma-se dizer que um mal nunca vem só. Como se não bastasse termos um Sócrates, agora temos dois. Estou-me a referir obviamente a Pedro Passos Coelho.
Antes das eleições internas no PSD, escrevi aqui que PPC era o pior dos candidatos, dado ser mais um político de aviário, incubado dentro do partido. Depois há sempre aquele “feeling” que nos diz qualquer coisa. Há no homem qualquer coisa que me dizia não ser confiável.
Assim que se viu no poder (do partido) ditou logo a sentença: para combater a crise é inevitável baixar os salários da Função Pública.
Quer dizer que neste país não há nada a fazer para combater o défice que não seja atacar os mais fáceis de atacar.
Pois bem, e que tal tomar as seguintes medidas:
- reduzir os Deputados da Nação para metade ou menos (para que servem os deputados da segunda fila para trás?);
- reduzir os ministros e assessores, e assessores de assessores;
- reduzir ou acabar mesmo com os célebres estudos mandados fazer a empresas de consultores (lembremo-nos do caso do Dr. Pedroso contratado para pelo ME para coligir a legislação dispersa, recebeu uma pipa de massa e não fez rigorosamente nada);
- passarem os senhores Deputados a viajar de avião em classe turística (a classe executiva custa mais do dobro do preço);
- deixar de pagar aos senhores deputados os subsídios de renda de casa (ainda por cima são aldrabões, já que têm casa em Lisboa e dão como morada oficial a terra de origem);
- trocarem de carros quando só estiverem mesmo a necessitar de serem trocados;
- diminuírem os membros dos conselhos de administração;
- etc;
- etc;
Se eu tivesse a certeza que me tiravam do vencimento 100€ todos os meses para os acrescentar ao vencimento de quem ganha 300 ou 400€, era o primeiro a concordar. Agora irem-me ao vencimento para continuarem a governar o país como tem sido, NÃO, NÃO e NÃO!
Mas afinal que raio de oposição vamos ter? Uns aldrabões iguais aos que estão no poder? Que alternativas temos nós para combater esta cáfila de malandros? Aparentemente nenhuma. Eu acrescento uma: à pancada. Sei que não é “bonito” dizer isto! Mas alguém consegue ver uma solução para tantos desmandos?
As notícias sobre corrupção são diárias. As notícias sobre “golpadas” são constantes. Os compadres e os padrinhos estão em todo o lado! Que fazer? Eu quase me apetecia aqui fazer um apelo às Forças Armadas para que passassem a ver com olhos de ver a situação do país!
Jacinto César
Actualização
Já depois de ter escrito o texto, Pedro Passos Coelho deu uma entrevista a Miguel Sousa Tavares. Foi edificante! O homem está disposto a privatizar tudo. Daqui dou-lhe mais umas sugestões:
- privatize o ar que respiramos, pondo um contador no pescoço dos portugueses;
- privatize a PSP, a GNR e a PJ. E já agora as Forças Armadas;
- privatize os tribunais e as cadeias;
Já depois disto, ouvi alguém dizer: Sócrates fica, estás perdoado!
Jacinto César
Em primeiro lugar gostava de felicitar a Drª Elsa Grilo pela sua eleição para a concelhia de Elvas do PS. Como a Senhora sabe, nunca foi muito das minhas simpatias, mas reconheço-lhe uma capacidade de trabalho fora do vulgar e se calhar é por isso mesmo. A época dos sacerdócios já foi. Que se trabalhe muito, tudo bem! Casar com o trabalho é que é demais.
Como também sabe, nunca fui socialista, e nos tempos que correm muito menos. Mas como a política local é uma coisa e a nacional é outra, acredito que se for a votos dará uma boa presidente de câmara. Mais, se for a votos, desta vez é que vão sair os 7-0. Não que o mérito seja só seu, mas fundamentalmente por demérito dos adversários. Há por aí um blog dito da oposição que começou já a preparar a derrota (começo já a desconfiar que está feito com V. Exas.). Costuma dizer-se que à primeira todos caem. Á segunda já só caem os que querem. E à terceira já só caem aqueles que nós sabemos. Está a preparar o terreno com todo o afinco na convicção que desta é que vai ser (os 7-0 claro).
Mas atenção Srª Drª. Elsa, mesmo já não contando com a oposição, tem que contar com aqueles que votando Rondão Almeida se possam sentir defraudados. Eu pela parte que me toca começo a sentir que algo vai mal no Palácio do Reino. Não me refiro concretamente aquelas promessas eleitorais que toda a gente sabe que são impossíveis de cumprir já que não estão na mão do candidato (refiro-me à questão da criação de emprego em novas empresas que possam vir para Elvas). Refiro-me aquelas promessas que constam do programa eleitoral e que dependem exclusivamente do executivo municipal. A senhora pode vir a ser vítima!
Para terminar, queria meter-lhe uma cunha: lembre lá ao senhor Presidente aquelas promessas que me fez e que a senhora foi testemunha.
Que tenha sorte são, os meus desejos.
Jacinto César
É verdade, estou cheio de azia.
Mas se alguém pensa que é por causa do futebol está redondamente enganado.
Mas se alguém pensa que é pelo facto dos homossexuais a partir de agora poderem dar o nó, também está muito enganado.
Então a que se deve essa azia?
Pelo facto de nestes últimos quatro dias se ter aqui tratado de um problema que diz respeito a todos e os “todos” estão-se nas tintas. Estes últimos dias houve uma média de quinhentas visitas e os comentários que aparecem, salvo raras e honrosas excepções, só dizem disparates, próprias de quem se “preocupa muito” com os assuntos da nossa terra.
Sim, de verdade deixa-me cheio de azia tanta indiferença! Não, não é azia, é angústia pela indiferença, é um sentimento de impotência por ver as pessoas alheadas de tudo! É pela vontade que às vezes tenho de abanar as pessoas!
Por vezes apetece-me abandonar! Era muito mais cómodo para mim e não me trazia problemas alguns. Ás vezes pergunto a mim próprio: mas porque cargas de água te dás ao trabalho em te meteres em assuntos que não te pertencem? Não tens uma vida confortável? Tens que dar explicações a alguém pela tua vida? Por acaso deves favores a alguém? Não fazes aquilo que queres e bem te apetece? Eu sei as respostas, mas há como que um formigueiro em mim que me deixa inquieto. Há qualquer coisa em mim que me obriga a participar na vida colectiva. Sinto a obrigação de cumprir o meu dever de cidadania.
Não, não vou parar mesmo que esteja só a pregar para os peixes. Não, não me vou calar mesmo que saiba que estou a falar sozinho.
Se nunca ninguém me calou, porque razão é que me vou calar agora? Por uma dúzia de cretinos e mentecaptos? Por uma dúzia que têm pedras na cabeça em lugar de cérebro? Por uma dúzia que a única coisa que sabem fazer é rastejar? Não. Não me calo!
Parafraseando um velho amigo do norte e que já não via há mais de 20 anos e que encontrei em mais um triste dever, e que dizia; - “A mim ninguém me bira, carago!”
PS – Um eterno descanso para ti, AMIGO Carita Lopes!
Jacinto César
Finalmente chegámos aos dias de hoje. E qual é a situação?
1 – A comunidade que se encontrava em S. Pedro aí continuou, tendo só há pouco tempo sido desocupado o terreno em frente às moradias. Aqui cabe-me perguntar já:
- Alguém paga renda de casa?
- Alguém fiscaliza o estado em que as casas se encontram?
- Pagam água e luz como toda a gente?
Ponho as minhas dúvidas! Daqui surge logo a primeira medida: - verificar a legalidade de tudo como se faz a qualquer cidadão comum.
2 – Se em S. Pedro se criou um gueto, porque não criar outro mais? E assim nasce o Bairro da Pias. Não sei bem os contornos da sua situação aí, mas de certeza não andarão muito longe dos do outro bairro. Aqui requeria-se a mesma medida preconizada para o outro bairro.
Para ambos requeria-se a verificação se os moradores são os verdadeiros e legais arrendatários.
3 – Com o problema criado em Campo Maior devido à derrocada das muralhas, muitos dos que lá viviam deslocaram-se de armas e bagagens para Elvas, aumentando o já grande contingente. Isto para não falar dos que vão chegando de parte incerta e aí acampa.
4 – Presumo que não haja uma relação de toda a comunidade aqui residente. Esta seria outra das medidas a tomar: saber quem é quem. Saber com exactidão quantos agregados familiares ali vivem e a sua constituição.
O mal está feito e não vale a pena começarmos a atirar pedras uns aos outros. As duas situações não foram meditadas e acompanhadas por quem já tivesse experiência no assunto. Como desfazer o que está feito não resolve, então, ter-se-ão que tomar medidas para minimizar o impacto causado pelas medidas erradas. Assim sendo e se eu tivesse poderes de decisão tomaria as seguintes medidas:
1 – Recenseamento geral da comunidade.
2 – Verificação da legalidade de toda a comunidade em relação à segurança social e ao fisco.
3 – Estabelecimento de regras ou posturas municipais de convivência com a restante comunidade.
4 – Reunião de todos os chefes de família da comunidade com as autoridades (Município, Segurança Social, Finanças e Forças de Segurança) onde lhes seria explicadas essas regras e as consequências de não as cumprirem, relembrando-lhes que como cidadãos do país que, se têm direitos também têm deveres a cumprir.
5 – Efectiva penalização dos prevaricadores tal com acontece com qualquer outro cidadão.
6 – Criação de um gabinete de acompanhamento.
7 – Controle efectivo dos membros da comunidade não residentes.
Mais medidas se poderiam tomar para controlar o tráfico de drogas e armas com operações das forças de segurança se forma assídua (de nada serve uma operação deste tipo “uma vez por ano”)
Estou consciente que não seria tarefa fácil e levantaria múltiplos problemas na sua execução. Mas ficarmos de braços cruzados à espera de um milagre é que não pode acontecer.
O ambiente neste momento é de cortar à faca e se nada se fizer em concreto qualquer dia acordamos com a notícia de alguma tragédia. Depois choramos todos, apontamos o dedo a toda a gente e passados uns tempos tudo regressa à estaca zero para reiniciar um novo ciclo. Espero não estar a ser um profeta da desgraça!
Jacinto César
Estou consciente que aquilo que escrevi pode ser mal interpretado, mas para se fazer uma crítica séria ao que se tem passado, não poderemos deixar de saber os antecedentes e os porquês. Sei que as asneiras que já foram feitas, feitas estão. No entanto não podemos ficar a “chorar” e lamentarmo-nos do que já aconteceu e continuarmos de braços cruzados. Espero que os nossos leitores fiquem conscientes do passado recente. Continuemos com o resto da história.
… …
3.2 – As primeiras medidas conhecidas e implementadas pelas autoridades locais remontam aos finais da década de setenta, princípios da de oitenta.
A primeira consistia na disponibilização de um terreno, mais ou menos afastado da comunidade urbana, onde seria construídas infra-estruturas que lhes permitissem viver em condições “menos degradantes” – água, luz e esgotos. As construções (barracas) seriam da sua responsabilidade e ao seu gosto. Esta tentativa acabou por sair frustrada, pois, a comunidade cigana não queria ir para tão longe da cidade, ao mesmo tempo que diziam estar a ser ainda mais marginalizados do que já eram. Julgo que a maior parte da população estava de acordo com a medida pois era a maneira “de se verem livres deles” segundo as palavras de testemunhos. Quer isto dizer que a sociedade onde eles se “tentavam” integrar, também não os aceitava muito bem. Iam-nos suportando com mais ou menos conflitos, recorrendo constantemente à GNR e PSP. Houve alturas em que os conflitos se agudizaram tanto que a maior parte da comunidade abandonou a cidade. Por altura das feiras e a pretexto das vendas, acabavam por, aos poucos e poucos, se instalarem novamente. A comunidade foi aumentando progressivamente.
A anterior situação manteve-se até nova tentativa de integração ocorrida nos anos subsequentes ao 25 de Abril e promovida mais uma vez pela autarquia. A intervenção não foi total pois esta limitou-se a iniciativas um tanto ou quanto camufladas e a gerir um assunto que não lhe pertencia. Expliquemo-nos melhor. Dada a necessidade premente e urgente da construção de habitações sociais, o Fundo de Fomento de Habitação promoveu a construção de um bairro de habitações de renda económica (S. Pedro) que, por coincidência, ficou localizado nas proximidades do local onde a comunidade cigana estava instalada. Mais precisamente, havia somente uma rua a separar o novo bairro do aglomerado de tendas e barracas.
Aberto o concurso para a distribuição dos fogos, o Presidente da Câmara sugeriu à referida comunidade que se candidatasse, dado, a extensão do seu agregado familiar e as parcas condições económicas. O grupo acabou por aderir à ideia, sem no entanto ter reflectido sobre as consequências. A Câmara por sua vez, rejubilou com a hipótese de se ver livre das barracas. Puro engano, como veremos mais à frente.
Quando foram feitas as atribuições verificou-se que na realidade 12 moradias geminadas de r/c e 1º andar foram entregues a famílias ciganas, sendo a localização delas precisamente em frente ao local onde tinham situadas as barracas onde anteriormente viviam.
3.3 – A primeira consequência visível e contra todas as expectativas da autarquia, foi não só a não demolição das anteriores barracas como a sua reocupação por outras famílias que entretanto vieram para Elvas.
Decorrente das entrevistas feitas, constatou-se que as expectativas criadas com a atribuição das novas casas não foram ao encontro das suas necessidades culturais, isto é, a sua compartimentação não de adequava aos usos e costumes dos ciganos. A estrutura das habitações foi concebida de forma estandardizada, e não teve em conta os hábitos da família cigana que necessita de uma sala muito ampla com lareira (leia-se fogueira) – ponto de reunião e convívio - , uma divisão destinada aos animais e um armazém para as mercadorias que comercializam.
De toda esta inadequação surgiram os comportamentos mais inesperados:
- as barracas que deveriam ter sido demolidas não o foram, chamando a si novas famílias, o que teve como consequência imediata o aumento da comunidade cigana na cidade;
- as famílias que ocuparam as casas, devido à sua inadequação, construíram novas barracas junto das anteriores, o que fez que o número destas tivesse aumentado bastante;
- a utilização das diferentes divisões foi totalmente alterada assistindo-se a: casas de banho transformadas em cavalariças, banheiras deslocadas para os quintais transformando-as em canteiros, demolição de paredes para tornar mais amplas as divisões, falta de pagamento das rendas, etc.
E porquê então tudo isto? Será que algum dia a comunidade cigana se adaptará a uma construção fixa, dada a sua natureza errante? Será que o seu espírito tribal lhes permite uma inserção numa comunidade diferente da sua?
Estas questões só terão resposta se os ciganos forem capazes de uma aculturação de modo a alterar, embora lentamente, alguns dos seus hábitos, sem desprezar a sua identidade cultural.
Por outro lado, deve haver também da parte da sociedade global uma tentativa de facilitar essa integração.
Há ainda a responsabilidade das autoridades. Estas, dados casos idênticos em vários pontos do país, deveriam actuar com mais cuidado, recorrendo a assistentes sociais para os ajudar nessa tarefa nada fácil.
4 – Há um ditado popular que diz que se “é morto por não ter cão e morto por o não ter”. E é bem verdade! Isto vem a respeito da integração ou não dos ciganos na sociedade. Como se pôde verificar, por um lado, eles mais dia menos dia, acabarão por se integrar, só que é um processo que pode durar gerações. É um processo lento mas natural. Por outro lado, essa integração pode ser “ajudada” pelas autoridades. É bem verdade que, quando estas tentaram resolver o problema, não consultaram nenhum especialista na matéria nem tão pouco auscultaram as reais necessidades da dita comunidade. Indiscutível!
Mas pergunta-se: será que, se todo o processo tivesse sido feito obedecendo a todas as regras, teria resultado?
Será que a própria comunidade usa o facto de não terem sido consultados como subterfúgio para justificar as dificuldades que sentem na integração?
Será que eles próprios “querem” uma coisa que o próprio instinto bloqueia?
Para mim tudo se torna muito difícil de entender e por vezes contraditório. Nem a comunidade e nem as autoridades parecem com vontade de alterar alguma coisa. Todos se acomodam, e em caso de conflito acabam por empurrar as culpas para os ouros.
E assim se vai perpetuando uma situação que se não é caricata, pelo menos é de difícil “digestão” para muita gente.
Este foi o resumo que melhor consegui fazer do trabalho que produzi em 1995. Penso que resume bem o que foi a comunidade cigana até então. E o que se passa agora? O que é que se alterou desde então? O que é que se fez para alterar as asneiras que se cometeram? Não será que para combater um problema se arranjaram problemas ainda maiores? O que é que se pode fazer?
Amanhã analisaremos estes e outros aspectos.
Jacinto César
Tal como ontem aqui disse, é necessário entender o passado para se perceber melhor o presente. É necessário saber como tudo começou para que hoje cada um assuma as responsabilidades do que hoje está a acontecer. Continuemos então a história.
… …
3 – A Integração dos ciganos na sociedade
3.1 – Fundamentação das medidas de integração
Quando se pretende fazer ou falar na integração de um grupo étnico na sociedade, é sinal que este grupo dela necessita, pois, é “diferente”.
Portugal, dada a sua natureza e antecedentes históricos, sempre foi um país que acolheu ao longo de séculos grupos de etnias muito diferentes. Lembremo-nos um caso recente: a descolonização.
Por essa época, grupos das mais variadas etnias deslocaram-se para o país onde, de uma maneira relativamente simples, embora com alguns problemas, se acabaram por integrar e adaptar a uma sociedade muito diferente daquela em que viviam. O acto de integração não implica, no entanto, que os grupos ou pessoas percam a sua identidade cultural, muito pelo contrário, devem mantê-la. Terão apenas que aceitar determinado número de regras de vida e de convivência da sociedade receptora ou integradora.
Agora quando se fala de ciganos, o caso é muito diferente. As sociedades em geral são renitentes em acolher etnias diferentes, mas com o tempo acabam por as aceitar. Todos os integrantes ao princípio acabam ser rejeitados, mesmo entre classes pertencentes à mesma etnia. Basta mudar-se de país ou ter uma religião diferente ou mesmo ainda ser de uma outra classe social.
Com os ciganos tudo é no entanto diferente: começa por eles próprios que, salvo raras excepções, não fazem o mínimo esforço para se integrar. Por natureza são extremamente fechados, abrindo-se somente à sociedade por conveniência, ou seja, abrem-se ou fecham-se consoante as suas necessidades.
Continuam a viver sob a forma de “tribo” com hierarquias próprias e livremente aceites o que, à partida, pressupõe dificuldades em aceitar os poderes e leis estabelecidas. São mesmo avessos a elas (há ainda elementos que nem registados estão, e os motivos são óbvios). São conflituosos por natureza, mesmo entre eles, mas quando atacados ou ameaçados do exterior mantêm uma união invejável. A sociedade que os rodeia vive em sobressalto constante, para não dizer mesmo medo. Cabe aqui referir um facto que demonstra perfeitamente o que atrás se disse: - Qual é o cidadão que se possa gabar de nunca ter transgredido o código da estrada em relação ao excesso de velocidade? Ninguém! Mesmo junto a escolas onde os limites de velocidade são reduzidos isso acontece. E acontece em todos os lados menos um: nas artérias junto aos acampamentos de ciganos. E porquê? Medo, só por medo. Os exemplos de justiça por mãos próprias e no momento são inumeráveis. Tenha o cidadão comum o azar de atropelar uma criança cigana, mesmo sem consequências maiores!
O que atrás se disse é demonstrativo da dificuldade que há em integrar os ciganos nas sociedades. Exemplos dessas tentativas há muitos! Agora resultados positivos, não.
Em Elvas há 3 famílias que se foram integrando com o tempo. Vivem em casas no centro da cidade, não próximos uns dos outros, e as relações com a vizinhança são boas. Continuam a viver do comércio ambulante, tendo mesmo uma das famílias uma loja de pronto-a-vestir. Temos no entanto que acrescentar que as referidas famílias são das mais, senão mesmo as mais antigas de Elvas, e já lá vão muitos anos.
Continuam a conviver com o resto da comunidade cigana, a maioria dos hábitos mantiveram-se, incluindo a forma de vestir típica das mulheres, no entanto vivem perfeitamente bem com a sociedade que os rodeia.
Resumindo, foi um processo natural e muito lento.
Amanhã continuarei com o tema analisando as medidas que foram implementadas.
Jacinto César
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