Antes de mais queria dizer-vos que aquilo que vos tenho a dizer nada tem a ver com a política local. Gostaria também de vos dizer que aquilo que vos tenho a dizer poderia muito bem aplicar-se a qualquer outro governo de outra cor.
Sei que por vezes é difícil admitirmos que os nossos, sejam eles a nossa família, o nosso clube de futebol seja o nosso partido político do coração, estão a fazer asneira. Mas por vezes temos também ter a coragem de dizer BASTA ou NÃO, mesmo àqueles que nós gostamos.
Acima de todos está o nosso país e que nos tempos que correm está muito doente. Por muito que vos custe a admitir, a corrupção, o compadrio, e incompetência está por todo o lado e nós vamos arranjando desculpas e fechando os olhos a tudo aquilo que é evidente. Todos vemos, todos ouvimos, mas continuamos a fingir que nada se passa.
Os escândalos são sucessivos, a mentira tornou-se um lugar comum e nós impávidos e serenos como se nada disto nos afectasse.
Mas o que é que é necessário acontecer para abrirmos os olhos? Irmos para o desemprego? Não termos dinheiro nem para comer e criar os nossos filhos? Sermos comparados com os países de 3º mundo?
Eu estou preocupado, para não dizer que estou com medo. Não por mim que já não conto para nada e já vivi a minha vida. A minha grande preocupação são os meus filhos, os vossos filhos, os desprotegidos, os necessitados.
Muitos dirão que a Grécia está presa por arames e que a Islândia já deu o “berro”. Outros dirão que a Espanha está também muito mal e que se ela cair e nos arrastar alguém tomará conta de nós. E a que custo? Dos sacrifícios de todos os portugueses.
Já há uns tempos aqui disse que não acreditava que o actual primeiro-ministro acabasse o actual mandato. Cada vez me convenço mais disso, ou seja, mais mês menos mês este governo vai cair. É inevitável que aconteça.
Jacinto César
Ontem falei aqui sobre as Forças Armadas Portuguesas a propósito de um vídeo que vi e publiquei.
Por coincidência e já depois de ter publicado o texto, recebi um mail de um amigo e que eu vou reproduzir na íntegra, incluindo o português vernáculo que habitualmente usa por ser do norte. Não cortei nem uma vírgula.
Manuel, o Alegre
Edificante! E andamos nós a incensar tal personagem!
Com palavras simples, puras, vividas.........
" Conheço este problema pessoalmente. Estava em Luanda, quando Alegre se pirou. Mais tarde, quando entrei prá "guerra" o meu Batalhão foi colocado em Nóqui, lá em cima, encostado ao Zaire, junto à fronteira com Matadi. Nessa região ouvia-se através dos famosos rádios portáteis Hitachi, com uma boa onda média, a voz de Matadi e a voz da Argélia, emissores criados por desertores que, através de infiltrados nas forças armadas, denunciavam as n/operações. Muitas das emboscadas que sofremos resultaram da traição desses "grandes filhos da p*** ". Uma das vozes que se ouvia era a desse pulha, Pateta Alegre. Lembro-me que 48 horas após se ter instalado um posto de observação, um grupo de combate, um canhão, um radar no cimo do morro de Noqui, donde nós observávamos toda a movimentação de aproximadamente, 2.000 "turras" concentrados numa sanzala no outro lado da fronteira, ouviu-se a voz do Alegre a denunciar a nossa posição. Andámos a levar porrada na estrada entre S.Salvador e Nóqui durante mais de 4 meses. Numa das viagens sofremos 9 ataques. Um dia, em Nóqui, junto ao Rio, onde se situava o nosso aquartelamento, o então Tenente-Coronel Isaltino, mandou tocar a formar. Formou-se o Batalhão e o corneteiro tocou a sentido, fez-se silêncio chegou o Tem.Coronel e disse: o furriel Marta (mulato) dê um passo em frente.
O sacana era o informador. Fazia-o através dum preto que era vendedor das célebres colchas congolesas, em Nóqui. Nesta guerra a Pide teve um papel muito importante. Informávamo-nos dos movimentos desses traidores. Bem.... não sei se estás a ver... o cabrão não foi linchado porque foi imediatamente evacuado para Luanda. Cerca de 2 anos depois, estava eu ainda na guerra ouvi a voz deste traidor nas rádio Maatadí. Tinha fugido das cadeias de Luanda. Sofri no corpo os efeitos da atitude desses traidores.
Paulo Chamorra"
PS: E quer este desertor ser CHEFE SUPREMO DAS FORÇAS ARMADAS, Que belo exemplo para as tropas e para o País.
Pois bem, penso que muita gente já sabia, mesmo que parcialmente da história. Como o homem se volta a candidatar, gostaria de lembrar que um traidor é sempre um traidor e se traiu uma vez nada o impede de voltar a fazer.
Penso que qualquer militar no activo ou que alguma vez o tivesse sido, não suporta ouvir falar em TRAIÇÃO. E foi o que Manuel Alegre fez.
Jacinto César
Se recuarmos até aos anos da Guerra no Ultramar constatamos que sendo nós um pequeno país, conseguimos manter uma guerra em 3 frentes, com poucos Homens, mal equipados, mas que nem mesmo assim voltaram as costas à luta. Nunca nos rendemos e tão pouco perdemos. Só a determinação e a bravura de muitos conseguiu fazer o que fez, mesmo quando tínhamos meio mundo contra nós. Eles foram chineses e soviéticos que forneciam o material aos nossos oponentes (material de melhor qualidade que o nosso, bastando lembrarmo-nos que já tinha mísseis o que para nós era quase ficção) e americanos que lhes davam apoio diplomático e político. O que é certo é que saímos de lá de cabeça levantada, independentemente da justeza da causa. A Pátria chamava-nos e nós fomos.
Actualmente e num passado muito recente, as Forças Armadas foram chamadas a cumprir algumas missões internacionais e o seu desempenho não se ficou atrás de quaisquer outras forças de países bem mais ricos e desenvolvidos que o nosso.
É portanto uma instituição da qual me orgulho como português e de que me orgulho ainda mais por nela ter servido.
Mas como não há bela sem senão, já muitas vezes tive “vergonha” da sua actuação, não como combatentes, mas como executantes da chamada “ordem unida” em várias cerimónias oficiais entre as quais podemos contar com as comemorações do 14 de Janeiro. Somos mesmo indisciplinados. Julgo que todos conhecem aquela história em que uma mãe estava a presenciar um desfile militar em que o seu filho participava e dizia para alguém a seu lado: “Já viu que todos levam o passo errado menos o meu filho?”.
Ainda me recordo de há bem poucos anos aquando da entrega de soberania de Macau à China, a diferença de atitude dos Cadetes portugueses e dos militares chineses. Foi assombrosa.
Contra ao que é meu hábito, deixo-vos aqui um vídeo que vale a pena ver. Trata-se de um espectáculo dado pela Guarda Real Norueguesa. Como militares podem até não ser grande coisa, mas a marcar passo dão cartas.
http://www.youtube.com:80/watch?v=7gS7iq3S1ME
Jacinto César
Eu até acredito que esta proposta seja puro folclore, mas se for para a frente então é que passaria uns bons tempos agarrado à net a espiolhar quanto é declarava o “meu vizinho”.
Estou com a sensação que iria encontrar muitas aberrações e contradições entre os rendimentos apresentados e os indícios de riqueza.
Basta olhar à nossa volta e ver os Mercedes, Audis e BMW e as mãos que os conduzem, olhar um bocadinho mais amiúde e ver os palácios que por aí há e quem os habita e depois fazer a pergunta sacramental: “Mas como é que isto é possível?” Possível é! Mas o que o tornou possível é que já levanta muitas dúvidas.
Eu pela parte que me toca e se houver muitos interessados publíco aqui a minha declaração de IRS sem problemas nenhuns.
Será que todos podem dizer o mesmo?
Nota de rodapé – Uff, finalmente sós no topo da montanha! Os meus sentidos pêsames para os do outro lado da 2ª circular. (É uma brincadeira sem querer ofender ninguém. Portanto cuidado com os comentários)
Jacinto César
Vistas ambas datas à distância ficamos com a sensação que as duas foram do agrado e sufragadas pelo povo. Mas não. Se o modo de regime foi sobejamente sufragado por sucessivos actos eleitorais, o mesmo não se pode dizer em relação ao tipo de regime. Quando é que alguma vez a República Portuguesa foi sufragada? Nenhuma! Isto significa que poderíamos viver numa Monarquia e estarmos a viver num regime democrático. Mas os republicanos pós 25 de Abril foram velhacos pois blindaram a constituição de tal forma que jamais poderemos sufragar a República. Sabidos.
Isto tudo vem a propósito das dificuldades económicas que o país atravessa. Vejamos alguns números (sem ter a certeza da sua exactidão por preguiça de ir à procura deles) do pós 25 de Abril.
Desde essa data que já tivemos uns quantos presidentes. Destes, só António Spínola e Costa Gomes já faleceram. Os outros estão vivinhos e de boa saúde. Cada um deles em seu tempo recebeu os honorários referentes à sua função. Nada a contestar. Só que, todos os que permanecem vivos, além da reforma que têm (e muito bem), continuam a ter privilégios como se no activo estivessem, ou seja, um gabinete com pessoal de apoio e carro oficial com motorista, para já não falar das tão malfadadas fundações que ninguém sabe bem ao certo para que servem a não ser para alimentar o ego e a vaidade de alguns. Como felizmente em Portugal a esperança de vida tem vindo a aumentar, não faltará muito para termos um regimento de ex presidentes com aquelas mordomias. Certo?
E se tivéssemos passado da ditadura para a democracia mantendo o regime Monárquico? Para já, teríamos poupado muito dinheiro em eleições (custos das campanhas, mais os custos operacionais, mais os gastos não contabilizados que directa ou indirectamente nos saíram da algibeira) e depois teríamos um Rei, que se tivermos como data de partida o 25 de Abril, estaria a receber o seu vencimento. Mas só ele, pois não existe neste regime ex reis.
Dirão alguns detractores da monarquia: e quanto custa a Casa Real? Nada, já que têm que viver com os bens que possuem, além dos vencimentos do próprio Rei e dos funcionários a seu serviço como os têm os PR’s.
Só como termo de comparação, o Estado Espanhol gasta menos com a Casa Real do que o Governo de Portugal com a Presidência da República! Caricato não é?
São as virtudes dos campeões das liberdades que são os republicanos, que além disso são também laicos e maçons e grandes gastadores de dinheiros públicos.
Para o próximo escrito estão guardadas as virtudes e defeitos políticos de ambos os regimes.
Jacinto César
Não me venham com histórias destas como se todos fossemos crianças ou atrasados mentais. Por acaso antes do 5 de Outubro não tínhamos uma monarquia constitucional? É verdade que nem todos os cidadãos votavam, tal como não continuaram a votar depois de estabelecida (à força) a república até muitas décadas depois. Ainda hoje temos monarquias constitucionais perfeitamente livres e democráticas e temos repúblicas que são autênticas ditaduras. Neste momento em que vivemos em “liberdade”, nunca ninguém me perguntou se queria que continuássemos a viver neste tipo de regime ou se queria voltar atrás para vivermos num regime monárquico. Bem, mas isto será um bom tema para outro dia.
Vamos então à questão da liberdade. Eu para dizer a verdade começo a ter medo desta liberdade e de dizer algumas coisas não vá sofrer algumas consequências ao exercer um direito que a Constituição consagra.
Aqui há uns dias atrás reproduzi um artigo de Mário Crespo (O palhaço) publicado no Jornal de Notícias. Louvei aqui também nesse dia a coragem e a verticalidade do JORNALISTA e já depois pensei cá para com os meus botões quando é que o calavam. Afinal não demorou muito. Foi mesmo hoje que lhe calaram o “pio” no referido jornal onde semanalmente publicava os seus artigos de opinião. É extraordinária liberdade que nos trouxe a república. Uma liberdade feita de “ou estamos com eles ou contra eles” Será que o 5 de Outubro de 1910 nos trouxe algo de novo ou foi só algo diferente?
Nota de rodapé – Hoje ouvi uma notícia que me deixou estarrecido: um call-center num local qualquer que não consegui ouvir onde, estava a admitir 1200 pessoas. Depois de muitos esforços só ainda tinha conseguido recrutar 300. Mas afinal há desemprego em Portugal ou não? Ou será que a maior parte daqueles que usufruem desse benefício pago por todos nós não querem é trabalhar?
Jacinto César
1 – Todos aqueles que têm dinheiro e podiam investir na sua cidade preferem a segurança de um banco a aplicá-lo. E que esperam eles? Um milagre! Sim, um milagre que haja alguém a fazê-lo por eles e depois poderem tranquilamente alguns dividendos. Resumindo, que venha alguém de fora a arriscar que depois “eles” ajudam.
2 – Algumas (se calhar muitas) pessoas andam à espera que haja um milagre e um emprego tropece com elas. Mas atenção, tem que ser um emprego e não um trabalho porque isso cansa. Não vale a pena escamotear a situação e arranjar desculpas, porque as coisas são mesmo assim. Vejamos em pormenor o que acontece.
2.1 – Uns quantos estudaram, trabalharam e conseguiram tirar um curso. Destes, poucos conseguiram fixar-se em Elvas. Outros resolveram a vida rumando a outras paragens. Saíram da sua terra, mas foram à procura do seu futuro. Finalmente os comodistas, mesmo tendo feito pela vida enquanto estudaram, não tiveram a coragem de sair debaixo da protecção familiar e conformaram-se em aceitar um trabalho num qualquer supermercado. Uma questão de opção de vida.
2.2 – Os jovens que acabaram o secundário e não quiseram ou puderam estudar mais, são o grande problema. Sentem-se no direito de terem um emprego bem pago mesmo sem terem feito nada para o merecerem. Disparam em todas as direcções, com se os outros é que fossem os culpados da sua situação. Mas TRABALHAREM é que não. Julgam-se merecedores de outra vida.
2.3 – Depois há os outros a viverem de expedientes. Esses não se queixam e vão vivendo sem darem muito nas vistas. Boa vida sem se lhes conhecer a proveniência dos rendimentos.
2.4 – Finalmente aparecem os “boys” do regime. Tal como antes, quem tem uma cunha no sítio certo está safo. Estes são aqueles que querem que as coisas se mantenham como estão. Sentem-se protegidos pelo poder sem pensarem que um dia o sistema dá a volta e terão que dar o lugar aos “outros”. Coisas da vida.
Tal como disse aqui há uns dias atrás, empregos não os há e penso que nunca mais os haverá como dantes, em que se arranjava um para toda a vida. Infelizmente nada está bem.
Resumindo, os que têm dinheiro, vão-no guardando. Outros vão fazendo pela vida. Os outros não querem trabalhar. Finalmente, todos esperam por um milagre que não vem. No entanto todos têm em comum uma coisa: dizer mal. Muitas vezes já se diz mal sem se saber bem o porquê. Diz-se simplesmente ou pelo vício.
Para finalizar gostaria de deixar aqui uma pergunta para todos: o que é que cada um já fez para que as coisas melhorassem? Dizia Jonh Kennedy, “perguntem antes o que cada um pode fazer pela América e não o que a América pode fazer por cada um”. Tinha razão!
Jacinto César
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