Há cerca de um ano escrevi sobre a localização do Clube de Tiro e Caça de Elvas. Escrevi nessa altura que a melhor maneira de resolver o assunto a contento de todos era o referido Clube vender os terrenos e fazer um Clube de Tiro com condições melhores e abrangendo outras modalidades. Voltei ao assunto porque recebi de uma leitora um comentário e que a seguir publico a referir-se novamente ao problema. Quem souber responder às questões levantadas, não se acanhe.
Jacinto César
De Luisa Pais a 6 de Maio de 2009 às 19:43
Boa tarde,
Estou completamente de acordo com o Sr. César e , gostaria de pôr as seguintes perguntas:
É benéfico para o desenvolvimento de uma cidade como Elvas, que segundo alguns ilustres residentes está em puro desenvolvimento, haver um campo de tiro dentro dos perímetros da cidade? Será que é permitido isso?
Outra duvida que me assalta é a seguinte: caso um "chumbinho" me faça um "doidoi", a quem devo pedir responsabilidades, será aos dirigentes do clube?
Como estou inspirada aqui vão mais algumas duvidas que me vão no espírito. Alguém me pode informar se o chumbo é tóxico? Já agora poderão também explicar-me que Lei regulamenta a localização de um campo de tiro?
Não entendo muito destas coisas, mas já agora, podiam mais uma vez esclarecer esta leiga, se é possível existir um complexo habitacional tão perto de um campo de tiro.
Realmente eu reparei que estão lá umas barreiras para tentar impedir que o "chumbinho" caía em terreno alheio, mas constatei in-loco que não se verifica, pergunto para que são as barreiras, se para efeito estão péssimas!
Concordo que o campo de tiro esteja há mais tempo ali e que as casas construídas à posteriori, mas tendo em conta que o crescimento das cidades, algumas das antigas estruturas terão de mudar para benefício de todos, penso que todos concordam.
Peço aos dirigentes do Clube de tiro de Elvas, que comentem este post, pois é de extrema importância para o meu futuro, é que estou a pensar por motivos profissionais mudar para Elvas, mas como mãe não quero correr o risco de o meu filho engolir um chumbo caído no meu terreno, por um disparo do vosso clube, por um dos vossos sócios e, que tanto quanto sei é tóxico.
Aguardo vossas prezadas notícias, cumprimentos.
Pelas reacções que tive nos comentários, vejo-me obrigado a fazer alguns esclarecimentos.
Tal como disse ontem, li com atenção o Manifesto Eleitoral do MUDE. Como elvense que sou e com muito orgulho, nada mais me satisfaria que o que é proposto em linhas gerais se concretizasse. Só que em 35 anos de democracia já ouvi tanta coisa que já não acredito em nada nem em ninguém.
Acredito nas boas intenções do Dr. Simão Dores, mas tal como São Tomé, só depois de ver preto no branco o que efectivamente se propõe fazer nos próximos 5 anos e como o vai fazer é que acredito. Outra coisa que preciso saber é se perder as eleições fica em Elvas a fazer uma oposição credível. Simples, não é? Não, não é fácil responder. Mas a maior dor de cabeça que o Dr. Simão Dores vai ter é gerir a lista a apresentar. Serão muitos a porem-se em bicos dos pés e a perfilarem-se para o “tal lugarzito” que dá visibilidade, mas porventura não estão preparados para tais cargos. Não chega a vontade de fazer! É preciso saber fazer!
Mas se pensam que só tenho dúvidas em relação ao referido candidato, enganam-se, porque as mesmas reticências coloco em relação a Rondão de Almeida e à equipe que irá formar. Só que em relação a este ainda não me pronunciei pelo facto de ainda ter o jogo todo escondido e nem uma declaração de intenções publicou. Portanto ficarei também à espera desse dia.
Tal como ontem me referi, tanto se me dá que ganhe o candidato A ou B. Eu o que quero é que, efectivamente, quem ganhar defenda antes de mais os interesses da cidade. Mais, gostaria que quem ganhasse soubesse ganhar e quem perdesse também soubesse perder, porque assim, ganhadores e perdedores a trabalharem para o bem comum, conquistariam o coração dos elvenses.
Estou farto e penso que não sou só eu, do diz que disse mas não disse, o fez e não devia ter feito ou ao contrário, de ver a vida privada das pessoas devassada e terceiros a serem enxovalhados só por terem uma opinião diversa. Para finalizar só me resta uma dúvida muito grande: será que os elvenses merecem melhor do que aquilo que têm?
Jacinto César
Depois de ter reflectido sobre o assunto cheguei à conclusão que tanto o Dr. Dores como o MUDE estão completamente certos. Fizeram um retrato fiel do que têm sido estes últimos anos da nossa cidade.
Mas depois disso surgem-me as dúvidas! As dúvidas que talvez todos os nossos conterrâneos tenham e que são:
1- É indiscutível que a situação económica do Concelho de Elvas é má! Mas como alterar a situação? Por favor, saiam dos conceitos gerais e dêem-nos ideias e soluções concretas.
2- O emprego é escasso e precário. Muito bem! Mas como vamos resolver o assunto? Como vamos obrigar a iniciativa privada a investir no Concelho? Eu não tenho esse problema, mas sinto-o muito pois tenho dois filhos, um dos quais teve de emigrar. Apontem soluções concretas.
3- Diversos organismos públicos saíram de Elvas. É uma verdade inquestionável. Que poder tinha a actual administração de o evitar? E que poder terão aqueles que vencerem em inverterem a situação? Todos sabemos que foi o (des)governo central que provocou a situação. Como é que os vamos obrigar a fazer marcha-atrás?
4- Por fim o turismo. Aí sim, está tudo por fazer e nunca houve ninguém com sensibilidade ou conhecimentos para alterar o “status quo”. Neste campo as soluções são tantas que qualquer administração com um só olho aberto saberia dar a volta. Temos o principal que é o património! Temos infra-estruturas hoteleiras e de restauração que podem dar a resposta! Então o que falta?
Caro Dr. Simão Dores: ficaria imensamente satisfeito que apontasse as alternativas, porque mudar só de caras não chega. O senhor pode ser um democrata e até uma boa pessoa (o que acredito) e o outro pode ser um déspota e um mau feitio. Mas se for só essa a mudança o que é que os cidadãos ganham? Temos um belíssimo Presidente, mas continuamos com fome.
Vou ficar à espera do programa final e da constituição da equipa para por o projecto
Jacinto César
Acontece que nesse tempo não tinha em minha posse a lista que tinha emprestado, que por sua vez foi emprestada e emprestada e emprestada, até que ninguém sabia dela.
Acontece que finalmente consegui outra e que publico aqui hoje. É natural que faltem alguns nomes, já que tendo nascido noutra paragens, aqui sempre viveram e constituíram família.
Aqui fica a lista na esperança que um dia se preste a homenagem devida ao Nossos Mortos. A referida lista contém todos os elementos, como a data de falecimento, circunstâncias, local, etc.
Peço a quem tiver mais elementos e que os queira fornecer me os envie para: jacintocesar@sapo.pt.
ALFREDO ANTÓNIO CANHOTO SEQUEIRA
AMARO JOAQUIM ANGELINO PALMINHAS
ANTÓNIO FRÓIS RIBEIRO
ANTÓNIO JOAQUIM CALDEIRA BONÉ
ANTÓNIO JOSÉ SANTANA SANTOS
ANTÓNIO MÁRIO MONTEIRO DOS SANTOS
CARLOS ANTÓNIO MIRANDA PAGOU
ELVINO JOSÉ RAPOSO CABACEIRA
FRANCISCO DO CÉU PIRES
HERMENEGILDO JOSÉ CAMOESAS CASTELO
JOÃO MANUEL LOPES
JOÃO MARIA CARLOS DE JESUS ALVES
JOÃO MIGUEL DOS SANTOS MADRIANO
JOÃO PORRINHAS MARTINS CECÍLIO
JOAQUIM ANTÓNIO BAPTISTA MOEDAS
JOAQUIM CONCEIÇÃO PRAGANA
JOAQUIM LOPO COVAS BALSINHAS
JOSÉ ASSUNÇÃO RAMOS RIBEIRO
MANUEL ANTÓNIO CORREIA TRABUCO
MANUEL ANTÓNIO DIAS GONÇALVES
MANUEL ASSIS BASTOS VIEIRA
MANUEL DA CONCEIÇÃO CAMBÓIAS DOMINGOS
MANUEL DA CONCEIÇÃO MAURÍCIO CHOÇAS
POMPEU MARIA COURELAS MALACÃO
VICTOR DA CONCEIÇÃO NUNES RUSSO
Jacinto César
No primeiro dia a conferência foi sobre a Arte Sacra em Elvas e foram oradores representantes da Fundação Eugénio de Almeida e da Arquidiocese de Évora. Palestra inócua, quase destinada a propagandear o site do Património da referida Arquidiocese.
No segundo dia a palestra prometia, mas acabou por fugir ao tema proposto. O Prof. Dr. Pedro Dias é na realidade um comunicador nato, falou muito e bem sobre fortificações abaluartadas portuguesas em Portugal e no mundo, demonstrando ser um perito no assunto. Só que … caro Pedro, as fortificações de Elvas baralharam-te e mostraste que não as conhecias bem, além do teu trauma em relação ao Forte da Graça que não conheces, por razões que entendo, mas indesculpáveis. Lamento dizer isto, mas tens que vir por cá passar uns dias e vencer esse teu problema.
O terceiro dia foi preenchido pela conferência do Dr. Arlindo Sena. Confesso que apesar da sua dispersão no raciocínio a fazer lembrar outro ilhéu, mas dos Açores, o Prof. Vitorino Nemésio, foi sem dúvida a palestra mais brilhante e que se referia aos meios documentais na investigação. Trabalho de “rato de biblioteca”, duma paciência sem limites, mas fundamental no conhecimento da sociedade. Teve períodos de excelência.
Por último a conferência sobre a evolução e restauro ao longo dos tempos do Castelo de Elvas e proferida pela Drª. Elsa Grilo. Politicamente correcta e pragmática levou-nos até às asneiradas feitas ao longo dos anos no castelo.
O melhor – Foi sem dúvida Arlindo Sena.
O pior – O público ou a falta dele. Apregoa-se tanto a falta de eventos culturais e quando os há não comparece. Nota negativa ainda para os “boys” do Presidente da Câmara. Nos dias (1º e último) em que esteve presente apareceram, principalmente no primeiro em que após a conferência havia uns comes e bebes. Um cartão vermelho muito grande para estes.
Mal ainda, esteve o Sr. Coronel Cidrais. Questionou a falta de aproveitamento de alguns edifícios militares, chegando a propor soluções, quando sabe perfeitamente e melhor que ninguém, que é a própria instituição militar a que pertence, a culpada do estado a que o património militar chegou.
Para finalizar, uma curiosidade: gostaria de ter perguntado ao proprietário de uma das tascas que ali se encontravam se as omoletes de espargos se se fazem também sem ovos, já que tinha anunciado “Omoletes de espargos com ovos”.
Jacinto César
Um encarnado desesperado.
Hoje quando assisti à conferência do Prof. Dr. Pedro Dias, amigo que não via já há uns tempos (40 anos) fiquei muito preocupado e triste, com as suas últimas palavras. Posso ter entendido mal o que nos disse, mas fiquei com a ideia que a candidatura de Elvas está comprometida, senão mesmo irremediavelmente perdida. E sabe porquê? Porque juntando as palavras do Pedro Dias sobre o trabalho “árduo” da UNESCO quase demonstrando um certo desprezo pelo património na Europa (privilegiando o património dos países ditos de terceiro mundo), com algumas palavras que deixou escapar, me levou a concluir isso mesmo, ou seja, uma missão difícil ou impossível mesmo. Só espero que a Câmara não se conforme com a situação e “esperneei” até não poder mais. Espero ter sido só uma impressão minha.
Já agora um reparo sobre a Feira do Património, ou antes, dois: o primeiro tem a ver com o nome Feira e o segundo com o local das conferências.
Em relação ao primeiro, acho que se poderia chamar qualquer outra coisa, mas Feira é descabido. Chamem-lhe Encontros ou outra coisa, mas por favor Feira?
O segundo reparo é o local das conferências que poderiam ser muito bem num local um pouco mais recatado, dado o barulho envolvente e que por vezes atrapalha que está mesmo para ouvir.
Jacinto César
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