Todos nós falamos mal disto ou daquilo (também me incluo), barafustamos por tudo e por nada, prometemos e juramos se for preciso que se apanhássemos a jeito este ou aquele que lhe faríamos isto ou aquilo. Conversa fiada. Não passamos de um povo de brandos costumes. Se por um lado é mau, por outro traz-nos uma tranquilidade que poucos países têm.
Isto tudo vem a propósito dos acontecimentos destes últimos dias na Guiné-Bissau. O presidente não gosta do CEMFA e como tal manda-lhe por uma bomba para o despachar. Os correligionários deste não são de intrigas: vão a casa do presidente e enviam-no desta para melhor. Assunto resolvido. Mais nada!
Sei por experiência própria que o valor da vida humana para estes povos não é igual ao do mundo ocidental. Sei também que para eles o tirar a vida a uma pessoa não constitui o drama que é para nós. Sei ainda que para entender tudo isto é necessário conhecer o “modus vivendi” desta gente. Mas mesmo conhecendo estas culturas não consigo deixar de pensar que tais actos constituem um barbárie. E já nem falo do acto de matar, mas sim o como! Quanto mais sádico for o método tanto melhor. Ainda hoje recordo na minha passagem por Moçambique o conselho que me deram quando lá cheguei: luta até morrer, mas entregares-te nunca. Não se leia isto como sendo um apelo à bravura, mas sim um apelo para se evitar uma morte sádica.
Continuo sem entender aquela gente.
Jacinto César
Toda a minha vida e talvez por os meus pais terem sido pobres, habituei-me a ver comprar e vender coisas em segunda mão. Ainda hoje é uma prática, não tão corrente como dantes, mas ainda presente na nossa sociedade. A sociedade de consumo a que nestas últimas décadas nos habituámos, faz com que usemos e deitemos fora coisas que por vezes estavam mais que boas. Faço aqui o “mea culpa” porque sofro do mesmo problema, mesmo que por vezes a consciência me fique algo pesada. Compra-se novo porque é mais bonito ou está mais na moda ou simplesmente porque estamos fartos de ver o mesmo “tareco” todos os dias.
Isto tudo vem a propósito da iniciativa da câmara em recolher o produto desses “luxos”, recupera-los e entregá-los a quem mais necessite. Não digo que seja uma função do executivo municipal pois parece-me ser mais próprio de uma organização de solidariedade social. Mas entende-se.
O que não consigo entender é a posição do dirigente do CDS/PP local, Tiago Abreu, ser contra e dizer que é humilhante para a dignidade dos cidadãos o receber este “lixo”. Este nosso político vive na verdade num mundo diferente do comum dos cidadãos. Nunca soube e nem sabe o que são necessidades (espero do fundo do coração que nunca chegue a saber). Então será que é humilhante uma pessoa receber uma televisão boa porque comprou um LCD último modelo? Ou receber um frigorífico porque o que tínhamos se tornou pequeno?
È por esta e por outras parecidas que por vezes me pergunto o que seria dos elvenses com um presidente deste género. Falar forte e alto pode ser apanágio de quem é corajoso, o que não quer dizer que não se digam asneiras.
“Caro Tiago”, o senhor pode fazer muito barulho, pode ser muito corajoso nas suas intervenções públicas, pode até ter razão em algumas coisas que diz, mas acaba por perder a credibilidade com tiradas deste tipo. Baixe lá desse seu pedestal de ouro e olhe à sua volta, fale com os necessitados, veja como muitos dos nossos concidadãos vivem e depois então “debite” lá o seu discurso.
Como deve saber pode responder como quiser, ou seja, por si ou por terceiros anónimos que eu publicarei SEMPRE.
Jacinto César
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