No meu último escrito referi-me à actual situação de Angola e comparei mesmo com a Angola que conheci.
Houve pelos vistos uma série de mal entendidos e que se traduziram em comentários a manifestarem-se contra o que escrevi. Podia ter respondido individualmente a cada um, mas como o assunto é sério (muito sério mesmo), resolvi voltar ao assunto.
A primeira resposta é para alguém que presumo ser daquele país e que disse “Angola é nossa”. Presumo que queria dizer que é dos angolanos e assim é. Esqueceu-se foi de dizer que é só de alguns angolanos e não de todos, pois a casta dominante enriquece descaradamente à custa de um povo que passa fome e sofre. Não me venham com o argumento que o PIB per capita aumentou 20 % por não colhe. Se qualquer cidadão daquele país tiver para gastar diariamente 1 USD que lhe dá para passar uma fome terrível, e se lhe aumentarem esse rendimento para 2 USD continua a “rapar” fome, mas no entanto o rendimento aumentou 100%. Questões estatísticas como aquela do frango que todos conhecem.
Se o nosso leitor se se referia ao PIB que aumentou 20 %, pergunto eu então como é que ele está a ser distribuído, porque a fome continua e as castas ficam cada vez mais ricas. E foi a propósito deste facto que falei da família Dos Santos, que são donos de metade de Angola e aos poucos também donos de Portugal. A continuarmos assim, não faltará que as situações se invertam e passe o nosso país de ex-colonizador para colonizado e lá teremos que criar o MPLP, ou seja o Movimento de Libertação Popular de Portugal.
Claro está que não é isso que me preocupa. O que me preocupa é a corrupção monumental que há naquele país e nós portugueses de uma forma ou de outra estarmos a colaborar no escândalo.
Até em Vila Boim vieram investir. E que foi que investiu? O marido da princesa de Angola e filha do presidente.
Para concluir, somos um país sem vergonha: primeiro fomos nós a explorar os angolanos, depois foram os russos, depois foram os americanos e agora ajudamos meia dúzia de déspotas angolanos a explorar o próprio povo.
Jacinto César
Uma das imagens que ainda recordo da bela cidade de Luanda, foi o facto de, estando eu sentado numa esplanada de um café na avenida marginal, o referido café e à moda de Portugal tinha um engraxador de sapatos e um vendedor de lotaria. Nada de anormal a não ser o facto de as ditas personalidades serem brancos. Isto para quem tinha chegado de Moçambique onde todos os empregos menores eram para os negros. Mas melhor ainda foi o facto de estando ainda na esplanada, estacionou mesmo à minha frente um Alfa-Romeu Montreal (nessa época uma “máquina infernal”). A porta do condutor abre-se e sai de lá um indivíduo de fato branco e chapéu de palhinha. Para meu espanto o indivíduo em questão era negro. Naquele momento fiquei espantado, mas com o passar dos dias cheguei à conclusão que havia pobres e ricos de todas as raças. Estas foram as minhas impressões sobre uma pequena estadia naquele país. Não leiam este texto como sendo um saudosista daquela época colonial.
Hoje quando ouvi a notícia de que uma parte do capital do BPI tinha passado para as mãos de uma angolana de seu nome Isabel dos Santos fiquei curioso e fui vasculhar quem era a dita personagem. Não me enganei em relação ao palpite que tive: filha de José Eduardo dos Santos, presidente do vosso país. Fiquei ainda a saber que a “rapariguinha” é sócia maioritária de outro banco em Angola e o seu querido “papá” é um dos homens mais ricos do mundo.
Aonde chegou o descaramento do vosso presidente. Aonde chegou o despudor de tão maquiavélica pessoa. Aonde chegou a corrupção, em que um homem não tem vergonha de fazer ao seu povo o que faz. É triste verificar que um dos países com maiores recursos naturais do mundo, tenha como presidente um dos homens mais ricos do mundo, mas que tenha em simultâneo um dos povos mais pobres, também do mundo. Penso que se fosse vosso conterrâneo não me conformava com tal situação. Sou como sempre aqui tenho manifestado contra a pena de morte. Sou contra o terrorismo. Mas se este senhor sofresse para aí um acidente …
Jacinto César
A (in)coerência
Há dais, deixei aqui um texto no qual expliquei a distorção que o Governo introduziu nas consequenciais do processo de avaliação dos professores, hoje vou procurar fazer duas simples comparações.
Quando tratamos de avaliação de alunos, e não de professores, o mesmo Governo e até o mesmo Ministério mantém a coerência na forma, mas não no conteúdo. Senão vejamos, novamente “corta” a curva de Gauss, não explicitamente, mas implicitamente quando de um ano para o outro os exames e provas de aferição de 12º, 9º, e 4º anos de Matemática, (relativamente às de 2º ano não me pronuncio pois não as analisei) se tornaram repentinamente mais simples, e não se cansam de repetir que temos que acabar com o insucesso, isto é, eliminar todos os valores negativos da curva de Gauss, só que desta vez o corte é do lado esquerdo da curva contrariamente ao que se quer fazer com a avaliação dos professores.
Uma coisa é certa, para este Governo uma distribuição de resultados de avaliação nunca pode ser normal, nisso são coerentes, mas por outro lado, ao condicionar essa distribuição, uma vez fá-lo pelo extremo superior e outro pelo inferior, e aí é completamente incoerente.
Como ficou dito no texto anterior, duas avaliações negativas consecutivas, no caso de um professor, obriga, e bem, a reconversão, é claro que negativas consecutivas de um aluno em determinado nas disciplinas fundamentais de determinado curso não conduzem à consequente avaliação das suas aptidões e integração em curso mais de acordo com as mesmas, contribuindo para um verdadeiro sucesso. Dir-me-ão, que são jovens, não podemos condicioná-los porque têm algumas negativas.
Por isso não falo de uma reconversão imediata, como aliás acontece em países como acontece em vários pises evoluídos da Europa, mas numa sim numa avaliação das aptidões do aluno que podem ou não conduzir a uma mudança de curso.
Para finalizar apenas um caso por demais conhecido e comentado, o Senhor Governador do Banco de Portugal, Dr. Victor Constâncio, tem por missão supervisionar a banca nacional. No caso BCP o Senhor Governador falhou redondamente nessa supervisão, primeira avaliação negativa. No caso BPN o Senhor Governador falhou redondamente nessa supervisão, segunda avaliação negativa. Está mais que na hora do Senhor Governador ser reconvertido!...
As consequências da avaliação devem ser para todos.
Haja coerência.
António Venâncio
Há dois dias atrás deparei-me com uma notícia que é de bradar aos céus: um iraniano e por motivos de ciúmes atirou com ácido à cara da namorada provocando-lhe a cegueira, facto esse que não é inédito mesmo em Portugal. Claro que é um crime do pior. Mas se este acto é hediondo que dizer então da sentença proferida pelo tribunal? Pois a pena aplicada foi a de deitar ácido nos olhos do condenado até ficar cego também!
Sei que vivemos num país de brandos costumes e com todos os males que isso acarreta. Sei que somos um país em que “o deixa andar” é quase lei. Sei que vivemos num país em que se “vai trabalhando” em lugar de trabalhar. Mas mesmo com estes vícios todos ainda continuo a gostar de cá viver.
Jacinto César
Isto vem a propósito dos comentários que foram feitos ao meu post de ontem e que era dirigido a Tiago Abreu. A frase do título não se podia aplicar melhor neste caso. Apareceram logo uns quantos rafeiros a defender o dono e de uma maneira que não abona em nada o próprio.
Queixa-se o “nosso homem” que até a filha veio à baila. Arre porrium! Então não foi o próprio que tornou o assunto público? Não foi o próprio que informou toda a gente que tinha abandonado a Assembleia Municipal por ter recebido a notícia que a filha estava doente? Parece-me que estas coisas não são feitas com inocência. Faz-me lembrar um caso em tudo semelhante a este: o caso do portátil da vereadora. Toda a gente (muita gente) sabia da ocorrência. Todos se calaram menos ele e depois deu no que deu. Ainda estou à espera de ir preso por tal motivo.
A esta técnica chama-se vitimização. Criam-se os factos, assobia-se para o lado e é só esperar que alguém depois comente. Acredito que muitas das vezes é o próprio a comentar o facto criado (vá lá, mais uma queixa na polícia por estar a levantar falsos testemunhos).
Depois de criadas a condições, vêm as aberrantes insinuações sobre o meu filho, aliás como já fizeram sobre mim. Mas se alguém estava à espera que as apagasse, enganou-se.
Caro Tiago, deixe de falar neste blog e garanto-lhe que eu não falarei do seu. Se é tão democrata como diz ser desafio-o a deixar os comentários do seu blog
Jacinto César
Pelo conteúdo exposto não foi difícil adivinhar quem era o alvo preferencial, ou seja o nosso blog. Quem mais poderia ser.
Se por um lado acho piada, por outro sinto pena. Isso mesmo, pena. Confesso não ser um sentimento muito do meu agrado, mas não consigo encontrar outro nome.
Acho piada pelo facto do queixoso estar a ser vítima de um problema que ele próprio “inventou”, ou seja, aproveitou-se do nascimento dos blogs para poder dizer o que bem entendia sem ninguém o contrariar. Agora que mordeu a língua está a ser vítima do seu próprio veneno. Dá para rir a tanta hipocrisia.
Dá-me pena pelo facto de tudo o que diz ser o estrebuchar do moribundo político em que a credibilidade anda pelas ruas da amargura. Como diz o velho ditado, quem semeia ventos colhe tempestades. Cá por mim, se não arranja quem o substitua no cargo arrisca-se a ser humilhado. Para se ser político não basta ser combativo e voluntarioso. É preciso mais qualquer coisa, como por exemplo o bom senso.
Paz à sua alma.
Jacinto César
Nota – A partir de amanhã este blog passará a ter além do post habitual uma rubrica sobre as efemérides do dia em Elvas, em Portugal e no Mundo.
Sempre aqui manifestei a ideia de que os ricos cada vez então mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Se olharmos bem para os milhões “distribuídos”, verificamos que os contemplados são os poderosos. E os outros? Os cidadãos de 2ª? Alguém se preocupa se lhe falta dinheiro para pagar a casa, a água, a luz e tudo o que faz falta para sobreviver? Não seria precisamente um governo socialista a dar mais importância ao social? Mas não, comporta-se como um governo ultra liberal, onde conta são os milhões e não os tostões.
Fala-se muito na crise, e diz-se que em 2009 ainda vai ser pior. Lamento, mas não acredito. O pior virá em 2010. Aí sim, vamos ter de encolher o cinto como jamais o encolhemos, pois as eleições são precisamente no fim de 2009. Nessa altura é que vamos pagar as favas todas juntas. Espero enganar-me redondamente.
Jacinto César
Começamos por uma escala de avaliação, em que as consequências negativas vão até aos 65% de pontos obtidos nos itens avaliados e não até aos 50% como seria normal, mas deixemos isso por agora e vamos analisar em concreto essas consequências e quais as suas condicionantes.
Se um professor tiver avaliação Não Satisfaz ou Regular (sem qualquer tipo de quota para o não satisfaz ou regular) vê de imediato esse período a que se refere a avaliação não ser contado para a progressão na carreira, o que no caso do Não Satisfaz é uma consequência lógica, sempre e quando a avaliação seja justa e racional o que não é o caso, no caso do regular já é discutível, tendo em consideração que para ter regular o docente tem que ter 50% do máximo de pontos previstos, ou seja que sendo uma avaliação positiva não deveria dar lugar a penalização.
Se a avaliação do professor for Bom, isto é mais de 65% e menos de 80% dos pontos previstos, conta o tempo normal para progressão na carreira.
Se avaliação do professor for Muito Bom ou Excelente, aí em primeiro lugar teremos que verificar se “cabe” na quota, que é de 10% e 5% respectivamente, caso contrário terá que ter Bom, e continuar a trabalhar para que a, a não adoecer, a não deixar adoecer nenhum filho, a não deixar morrer nenhum familiar próximo ou a não ir ao respectivo funeral, para que na possa voltar a atingir este nível no período seguinte, e ter esperança que desta vez “caiba” na quota, isto se não estiver numa escola com menos de 20 professores na sua categoria, caso contrário pode dizer adeus ao excelente por muito que trabalhe, porque ou pede transferência para uma Escola com mais professores, ou nunca haverá quota. Para o ministério não pode haver professores excelentes e nalguns casos nem Muito Bons em Escolas pequenas. Mas se o professor conseguir mesmo ter o Mito bom ou o Excelente e entrar nas quotas o quais são as consequências em termos de progressão na carreira? Nenhumas, continua a progredir normalmente como se tivesse tido Bom, terá que ter Uma dessas calcificações em dois períodos consecutivos, ou seja, mais outro período em que não poderá adoecer, ter nenhum filho doente, não lhe poderá falecer nenhum familiar próximo ou terá que optar por não ir ao funeral, de dos pontos previstos, depois, se ainda não for professor titular verá reduzido o tempo para poder concorrer a essa categoria, a que mais suma vez só chegará se houver quota, se já for titular, continua a não acontecer nada. Como fica claro, o efeito de uma avaliação negativa, ou até positiva mas inferior a Bom faz-se sentir de imediato na carreira do professor, uma avaliação de Muito Bom ou Excelente, só terá efeito se for repetida, e mesmo assim só se o professor não for titular, ou não tiver já o tempo necessário para poder concorrer a titular, e mesmo assim é necessário que depois haja quota para titular para poder beneficiar dessas avaliações consecutivas de muito bom ou excelente. Depois há a questão da quota, bem demonstrativa do preconceito do legislador. Como é possível admitir-se que pode haver um número indeterminado e ilimitado de Não Satisfaz e Satisfaz, que são directamente penalizantes para o docente e estabelecer quotas para o Muito Bom e Excelente. Sou por principio, contrário a qualquer quota em questões de avaliação pois penso que cada um deve ter a classificação que merece, e não aquela que um determinado limite impõe, pelo menos é isso que tento fazer com os meus alunos, no entanto, a ter que ser fixada alguma , o rigor científico obrigaria a que se respeitasse uma distribuição normal, (curva de Gauss) e se estabelecesse para o Satisfaz e o Não Satisfaz, os mesmos limites que se estabelecem para o Muito bom e o excelente. Só a má fé pode conduzir a um enviesamento destes, criando limites apenas num dos extremos da curva, penalizando mesmo as avaliações positivas inferiores a Bom, e em contrapartida não beneficiar em igual medida quem obtém Muito Bom ou Excelente, e depois vir dizer que o que se pretende é distinguir os bons professores.
António Venâncio
Mas o que gostava hoje aqui de dizer era o seguinte, e que tem a ver com os deputados e com os professores.
Como é do conhecimento geral, perante a opinião pública, os professores são a classe mais absentista deste país. A conversa das pessoas é essa e não há argumento que as leve a pensar de outra maneira. A intoxicação por parte do governo foi de tal maneira, que não há antídoto que resulte. No entanto queria aqui deixar alguns factos concretos para que quem nos lê possa tirar conclusões.
Então é assim! A escola onde trabalho tem cerca de 120 professores. Na sexta-feira em que se deu a “bronca” na Assembleia da Republica faltaram às aulas 2 professores. Um, não sei o motivo da falta, a outra faltou por ter a filha doente, mas com a particularidade de ter arranjado outro colega que a substituísse, o que na prática corresponde a 1 falta.
Os nossos deputados que são 250 e na mesma sexta-feira faltaram 35. Mas o mais grave é que na verdade faltavam 35 assinaturas no livro de presenças, mas na votação faltaram 48. Quer isto dizer que houve 13 senhores deputados que assinaram o livro de ponto e que se foram de fim-de-semana. Mais, estes senhores deputados, além de serem faltistas, são aldrabões, pois assinaram o livro de ponto o que lhes dá o direito de receberem a “senha de presença”.
Agora pergunto eu:
1- Somos nós os professores os absentistas?
2- Por acaso recebemos uma senha de presença por cada aula que damos, ou seja, recebemos o nosso vencimento mesmo que não ponhamos os pés na escola e depois mais um tanto por cada aula que damos como acontece aos deputados da Nação?
3- Que diriam os pais dos alunos se eu entrasse numa aula, assinasse o livro de ponto e depois me fosse embora?
Não me quero armar em vítima, mas que há qualquer coisa mal na opinião pública, lá isso há.
Jacinto César

Foi com grande surpresa, mas não deixo de dizer que me deixou muito feliz o facto do jornal o Público ter descoberto o nosso modesto blog.
Se já estava longe do nosso pensamento termos tido a aceitação que tivemos no nosso pequeno meio que é a nossa cidade, o sermos referenciados por um jornal nacional nem em sonhos. Mas aconteceu.
A referência ocorreu no domingo, mas só hoje soube da novidade.
Pronto, a notícia está dada e eu não sei o que dizer mais.
Jacinto César
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