2 – Refiro-me agora a mais um acontecimento que esvazia um pouco mais a nossa cidade. Falo do encerramento GAT. Este acontecimento faz parte de um conjunto de factos que me dão razão quando CULPO a capital de distrito do esvaziamento progressivo de Elvas. Quanto a este assunto dedicaremos um artigo num futuro próximo.
3 – Foi com muito espanto que os 2 anteriores posts não causaram reacção dos comentaristas “habituais”. Calaram-se. No entanto o convite e desafio que aqui fiz, mantém-se no ar. Estão convidados todos os “más-línguas” para assistirem a uma (o mais) aula minha. Basta manifestarem essa intenção e dizerem quando. As minhas aulas começam às 13h45m e depois recomeçam às 20 horas.
4 – Para não dizerem que sou faccioso felicito daqui todos os sportinguistas pela vitória de hoje para a Liga dos Campeões.
Jacinto César
Vamos então a isto e tomemos como referência a disciplina mais crítica que é a Matemática:
Escola 1 – que pode bem ser a Esc. Sec. de Campo Maior – imaginemos que se apresentaram a exame nacional 20 alunos e que houve 4 que tiveram nota negativa. Na prática houve 20 % de reprovações. Como nesta localidade normalmente não há alunos externos, podemos afirmar que todos os 20 alunos estavam matriculados na escola.
Escola 2 – que pode ser a Esc. Sec. de Elvas – ao mesmo exame apresentaram-se 150 alunos e houve nas pautas 45 alunos reprovados o que representa 30 % de reprovações. Dos 150, 30 eram alunos externos (alunos que abandonaram o ensino há uns anos e que voltaram para fazer o exame, alunos das escolas profissionais e alunos de colégios particulares).
Escola 3 – escola da cidade de Setúbal (não menciono o nome). Ao referido exame compareceram 400 alunos, 200 dos quais reprovaram. Ou seja houve 50 % de reprovações.
Escola 4 – Colégio particular de Lisboa ou Porto – fizeram o exame 200 alunos e ninguém reprovou.
Perante os números apresentados, o ranking à disciplina de Matemática ficou assim ordenado:
1º - Colégio partícula (de Lisboa ou Porto) – 0 % de reprovações
2º - Escola Sec. de Campo Maior – 20 % de reprovações
3º - Escola Sec. de Elvas – 30 % de reprovações
4º - Escola Sec. de Setúbal – 50 % de reprovações.
Ora bem, perante os números não há dúvidas absolutamente nenhumas. É só ler!
Mas será que as coisas serão assim tão lineares? NÃO e NÃO!
Analisemos então os números de uma maneira mais profunda e com outros olhos.
1 – O Colégio de Lisboa ou Porto – Quem é que frequenta o referido colégio? De certeza que não são os filhos do cidadão comum e muito menos os filhos das famílias problemáticas. São alunos oriundos das classes média alta e alta que têm recursos para frequentar esse colégio. São filhos de famílias estruturadas, que lhes podem dar um acompanhamento relativamente bom e se for preciso ainda têm professores pagos à hora para os acompanharem ainda melhor. Mais, haverá mesmo assim alguns alunos que mesmo que provenham das classes altas e estejam “desalinhados” com a maioria. Esses, a meio do ano são convidados a sair para uma escola pública. Ora bem, os que vão a exame oferecem garantias absolutas de sucesso. Se houver algum “chumbo” foi mesmo por azar.
2 – Escola Secundária de Campo Maior – Quem frequenta a escola? São os filhos de pessoas normalíssimas e que vivem num meio pequeno e em que toda a gente conhece toda a gente, incluindo os professores. Neste tipo de escolas, a proximidade da escola, professores e famílias é muito grande o que favorece a situação. È obvio que a percentagem dos chumbos será normal e para os quais podem ter contribuído o próprio aluno, a família deste e o professor que não soube ou não pode ou “não quis” resolver estas situações.
3 – Escola Secundária em Elvas – Escola típica de uma pequena/média cidade onde impera a heterogeneidade, ou seja, onde há de tudo um pouco: filhos de famílias estruturadas, de famílias que de família só têm o nome, de classes sociais e culturais muito diferentes, etc. Se por um lado a cidade é relativamente pequena para colher alguns benefícios, por outro lado é já suficientemente grande para ter alguns vícios próprios destas cidades. Além disso a escola recebe alunos para os exames nacionais (os ditos externos) que nunca ali estiveram, mas que tem que arcar com a responsabilidade das classificações que tiverem.
4 – Escola Secundária em Setúbal – Analisemos a caso desta escola que aparentemente é a última do ranking nacional. Quem são os alunos desta escola? Quem são as famílias dos alunos desta escola? Qual a classe social e económica das famílias dos alunos desta escola? Como é sabido de todos as escolas do distrito de Setúbal são as mais problemáticas do país. Em todos os aspectos! As notas reflectem isso mesmo. Mas ainda assim conseguiram ter 50 % de aprovações.
Analisemos agora em conjunto a melhor e a pior escola. Pergunto eu agora? Será que são mesmo a melhor e a pior escola? Os números assim o dizem. Mas será que estes reflectem realidades iguais?
Para mim, a melhor, ou seja o Colégio de Lisboa ou do Porto, não fazem nada do outro mundo. Limitam-se a trabalhar com um material humano bom e dar continuidade ao trabalho feito no interior das famílias. Aqui, qualquer professor “é bom”. Pudera!
E se pegarmos nos professores destes colégios e os levássemos para a escola que ficou em último lugar? Que aconteceria?
Acredito que na Escola de Setúbal se farão autênticos milagres para que, com o material humano com que têm que trabalhar, mesmo assim ainda consigam ter 50 % aprovações. No entanto é irremediavelmente a ÚLTIMA.
Caros leitores, pensem um bocadinho no que vos acabei de contar e depois digam-me se há justiça no ranking das escolas. Será que o referido ranking reflecte a verdadeira realidade dos factos?
Jacinto César
PS – Caro Zéquinha.
Não lhe vou responder mais a qualquer comentário, mas vou-lhe fazer um convite. Eu sou professor como deve saber. Sou daqueles que vai ser avaliado. Mas a si em particular ou a mais algum que queira, estão convidados desde já a assistir às minhas aulas. Às que quiserem e quando quiserem. Quem se disponibiliza para isto, não tem medo. Apareça que será bem-vindo. Tenha coragem de dar a cara e apareça.
Passaram-se os anos, a monarquia deu lugar à república, a democracia deu lugar à ditadura e Elvas continuou a crescer e a desenvolver-se. Atingiu o seu auge pelos anos 60 do século passado.
Caiu a ditadura e regressou a democracia com o 25A.
Quando aparentemente estavam reunidas todas as condições para continuarmos a crescer, eis que demos um grande trambolhão.
Por aqui têm passado governos municipais socialistas, comunistas e sociais-democratas. Todos têm prometido tudo, mas o desenvolvimento continua a ser uma miragem. Os elvenses vão vendo os anos passarem sempre na esperança que finalmente a cidade dê o salto definitivo, mas nada.
Quem nestes últimos tempos se tem mantido a par dos acontecimentos locais fica com a sensação que há em Elvas grupos que de “tanto gostarem dela” lhe arrancam os olhos. Ficamos baralhados com a confusão instalada.
Mas será que alguém acredita que Rondão de Almeida, Tiago Abreu ou o José Júlio Cabaceira entre outros não querem o melhor para a sua cidade? Eu acredito que não, mas no entanto é o que parece, pois aos olhos de cada um, os outros são a desgraça total.
A guerra entre eles é uma constante e trava-se todos os dias e a propósito de tudo, ou seja, todos os motivos são bons para de digladiarem.
Gostava para terminar deixar aqui uma pergunta para todos estes “senhores da guerra”: por acaso estão preocupados com o cidadão comum, com o bem-estar geral, com o desenvolvimento da cidade e seu crescimento? Ou será que estão demasiado ocupados em saber como trepar ao poder ou como não o perder?
O cidadão comum é assim que pensa. Ouçam-nos.
Bom fim de semana!
Jacinto César
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