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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008

Informação


Tasca das amoreiras às 23:45
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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Billy The Kid – A saga continua

A outrora pacata cidade tem estado agitada nestes últimos tempos. Umas vezes por culpa do Billy, outras pelos ajudantes e outras ainda pelos pistoleiros que por lá vão aparecendo. O certo é que todos andam nervosos. Toda a gente tem medo de toda a gente. Até os animais se ressentem. Por exemplo os papagaios que há por lá têm falado mais do que é costume. A agitação tem sido tanta que os tiroteios e os duelos têm-se sucedido. Uns chegam com vontade de acabar com a tosse ao nosso herói, com esperança de ascender ao cargo de xerife. Outros vêm só para serem mirones dos acontecimentos.

O que é certo é que os mortos em duelos e por enforcamento têm sido mais que muitos, ao ponto do cangalheiro da cidade já não dar conta do recado. Só à conta do xerife foram tantos que se viu obrigado a contratar os serviços de cangalheiros de fora. Mesmo assim e com tanto morto, os de fora não foram de intrigas, e em lugar de os enterrar queimavam-nos assim à moda dos índios. O cangalheiro da terra é que não ficou nada satisfeito ao ponto de também se querer bater com o xerife. O Billy é que não lhe passou cartuxo. O homem até era surdo e não queria ser acusado de dar um balázio em alguém que nem ouvia de onde o tiro tinha partido.

Outro que também andava a rezar pelas barbas ao xerife era o aguadeiro: então não é que o nosso Billy foi vender os poços a uns índios vindos de fora? O povinho bem se queixou mas não ganhou nada com isso. “Aqui quem manda sou eu” disse o xerife com aquele seu ar de mandão e andar à John Wayne. O pessoal lá se acalmou e como sempre acatou a lei (leis feitas pelo xerife, claro).

Por vezes o juiz da cidade, bom tipo diga-se em abono da verdade, lá se reunia com a assembleia constituída pelos notáveis lá do lugar, a tentar meter na ordem o homem que já andava a abusar. Mas assim que o Billy sabia do ajuntamento ia lá e tomava conta dos acontecimentos com aquela voz grossa que fazia. Todos se rendiam, apesar do Kid (o outro pistoleiro) que também fazia parte do grupo, por vezes também levantava a voz e até já ter proposto um duelo não só com o xerife mas também com o juiz. O xerife recusou-se porque disse logo que não batia em crianças, e o juiz que vê mal, teve medo de aceitar o duelo não fosse acertar no xerife em lugar de acertar no Kid.

Eu cá ando desconfiado que todos eles falam muito mal uns dos outros, mas às escondidas vão beber uns copos para o reservado do saloon. Não há testemunhos do facto, mas há desconfianças.

Os tempos vão passado, a calma volta, os cães ladram e a caravana passa. Mas pressente-se que algo não vai bem no condado do xerife Billy The Kid. Os cartazes com os “cabeças a prémio” continuam espalhados por todo o lado.

 

Jacinto César     

 


Tasca das amoreiras às 23:27
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Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

Novamente o Hospital de Elvas

Hoje depois de ouvir o que os vereadores do PS à Câmara de Elvas disseram a propósito do Hospital fiquei meio baralhado: como acredito que estes responsáveis não são burros, só posso acreditar que disseram o que disseram por má fé ou por uma fé cega no Presidente e no partido que representam. Eu explico o porquê de dizer tal coisa.

 

Um médico do nosso Hospital disse o seguinte (ontem): doentes que podiam ser operados aqui em Elvas vão sê-lo a Portalegre. Mas o pior é que obrigam os médicos de cá a ir operar lá. Resumindo, pacientes e médicos vão de Elvas para Portalegre. PORQUÊ? Precisamente porque não querem fechar o hospital: querem ESVAZIÁ-LO.

 

Senhores Presidente e Vereadores da Câmara Municipal de Elvas: ainda não entenderam isto? Desculpem a franqueza, mas se não conseguiram ainda enxergar o que se está a passar, então não estão aí a fazer nada.

 

Dizerem que o abaixo assinado que está a ser feito só provoca o alarme na população é no mínimo brincar com os cidadãos, pois vós sabeis que é verdade o que se diz nele e sabeis também que foi feito com base em informações vindas dos dois hospitais. Para quê negar a evidência? Por convicção ou por fanatismo político? Só vós sabeis!

 

Caro Vereador Bagorro.

           

Conheço-o há muitos anos. Não vou avaliar o seu comportamento político aqui. Como pessoa sempre acreditei que é um bom homem. O senhor acredita piamente naquilo que diz, tendo como tem a sua família a trabalhar no Hospital? Desculpe que lhe diga mas não acredito.

 

Caro Vereador Nuno Mocinha.

 

Lamento dizer-te que não acredito numa só palavra do que disseste. Conhecemo-nos há um bom par de anos. És uma pessoa inteligente, mas rendeste-te por completo ao jogo de palavras dos políticos. Gostaria de saber se me dirias o mesmo de olhos nos olhos? Não acredito ou então já não és a pessoa que conheci. Repara que não te estou a julgar como político, mas sim como homem. A bem de todos nós espero que rectifiques as declarações que fizeste. Lembra-te que hoje são outros que precisam do hospital, mas amanhã poderei ser eu ou tu ou alguém da tua família.

 

Como sabeis, nunca me meti no jogo político, mas sou cidadão e como tal tento comportar-me como tal e isso implica lutar por aquilo que julgo ser justo. Por este problema que considero fundamental para o bem-estar de todos irei recorrer de tudo o que me estiver à mão. Se for necessário irei para a “rua” e garanto-vos que não virarei a cara à luta. Espero do fundo do coração que se juntem aos “bons” e não façam o jogo do “inimigo” porque senão só terei uma palavra para vós: traidores.

 

Jacinto César

 

Aditamento em 15 de Maio

 

 

Resposta a comentários

 

Estou a ver que há por aí muito boa gente que se está nas tintas para o assunto. Presumo que seja gente cheia de saúde, que se trata em Espanha, ou então estão com os olhos bem fechados.

Para aqueles que têm uma memória curta lembro-vos o seguinte:

1-     Quando nos tempos do Presidente João Carpinteiro quiseram fazer algo parecido, a população manifestou-se. E ganhou a causa.

2-     Quando se começou a falar do encerramento do Regimento de Infantaria de Elvas, também houve quem dissesse que não era um encerramento, mas sim uma mudança. O Centro de Condução auto ficaria aqui e aqui seriam concentrados todos os centros espalhados pelo país. Bem, depois foi o que nós vimos.

3-     Quando se pôs o problema do fecho da Maternidade aconteceu o mesmo. Mais o próprio Presidente da Câmara disse que se demitiria se tal acontecesse. A Maternidade fechou e o Presidente não se demitiu com umas desculpas esfarrapadas.

4-     Aqueles que dizem que nada se resolve desta maneira é porque não estão informados. Vejam o caso da Anadia. Lutaram, lutaram e conseguiram o que queriam.

5-     Porque será que temos que ser borregos e aceitar tranquilamente o que nos querem fazer?

 

Jacinto César

 


Tasca das amoreiras às 01:31
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Terça-feira, 13 de Maio de 2008

Billy The Kid

 

Nota – Já uma vez aqui referi esta personagem e aquilo que nós quando gaiatos dizíamos: quem se mete com o Billy The Kid prejudica-se (cada um que entenda como quiser). Hoje pretendo aqui contar a história deste pistoleiro, que todos queríamos ser quando brincávamos aos cow-boys. Como todas as histórias começam …

 

Era uma vez um rapazinho que tinha nascido numa povoação lá para o leste profundo. Filho de pessoas humildes tinha uma característica que o demarcava de todos os outros miúdos: o seu mau feitio. Chamava-se Billy. O seu passatempo favorito era a utilização da fisga que sempre o acompanhava. Uma fisgada num “amigo” ora noutro e assim passava os dias. Um dia armaram-lhe uma cilada e a vítima foi ele. Levou com uma pedra na perna que o deixou a andar à moda do Jonh Wayne para sempre. Já homem feito e perdido de amores resolveu debandar para outras paragens e à conquista de terras mais a oeste. Por lá ficou muitos anos.

Umas décadas depois e quando ninguém esperava eis que regressa à terra que o vira nascer. Não mudara muito e daí lhe passarem a chamar Billy The Kid. Com os anos trocara a fisga por um par de pistolas e tornara-se pistoleiro. De onde veio era temido por todos.

Não passou muito tempo que não quisesse ficar com o lugar de xerife, até aí ocupado por um tal Jonh Carpenter, bom tipo mas muito molengão. Não foi de intrigas o nosso Billy que desafiou Jonh para um duelo. Este último já muito debilitado não resistiu ao combate e ficou KO.

Já xerife, rodeou-se de uns quantos ajudantes que de estrela ao peito iam dominando tudo e todos. Alguns deles não alinhavam muito com as ideias do chefe, mas lá se foram adaptando à cartilha. O que é certo é que a povoação foi-se adaptado às vontades de quem mandava e quem se metia com ele “prejudicava-se”. Os anos foram passando e a vida ia decorrendo à feição do nosso homem. Um dia apareceu por lá outro pistoleiro com vontade de o deitar abaixo. Era pequenino de físico, com ideias avançadas, com um nome esquisito, penso que de origem polaca o qual não recordo. O que recordo é que apanhou uma tareia monumental que ficou também KO. Alguns amigos dele ainda o tentaram convencer a não ir a duelo com o nosso Billy. Mas sem resultado. E os anos foram decorrendo na povoação: uns dias mais agitados sim, mas a monotonia voltava a imperar. A vontade do xerife ia prevalecendo. Não admitia discussões. Quem pusesse o pé na poça levava um tiro e caso arrumado. O povo continuava sereno. E os anos passaram.

Eis que um dia chega à cidade um calmeirão de seu nome John, oriundo de terras longínquas de África com vontade de se bater com o xerife. Ganha simpatias de muitos e encorajado por outros resolve mesmo ir a duelo. Mal sabia ele que a queda ia ser proporcional ao seu tamanho. A surra foi maior ainda e o KO foi inevitável. Quando muitos esperavam ver-se livres do xerife, eis que renasce do duelo ainda com mais força que antes. Escolheu novos ajudantes para continuar a dominar a cidade. Um deles até já tinha sido inimigo. Era um pele-vermelha que se tinha rendido depois da sua tribo ter sido derrotada em vários combates. Depois de ter falado ao “manitu” resolveu alinhar ao lado do xerife. Outro dos ajudantes era um comerciante lá da povoação dono de um “saloon” que às escondidas ia dizendo mal do chefe até que este o conquistou para a sua causa definitivamente. Como aconteceu ainda hoje é um mistério. Para reforçar a equipe o xerife escolheu também para ajudante uma mulher. Era uma emigrante sueca que estava empregada já há uns anos lá no escritório. Diziam as más-línguas que a dita sueca já era mulher influente mesmo antes de ser promovida a ajudante. A dita, de mau feitio como o chefe, está embalada na corrida à sucessão. A não ser que apanhe por aí um tiro em qualquer duelo, tudo aponta nessa direcção, até porque o xerife está com pretensões a ser “marchal”.

Ultimamente têm aparecido por lá alguns candidatos a novos duelos entre os quais se destaca outro Kid. Ele treina arduamente as técnicas de combate e até já comprou um livro que se intitula “Ser pistoleiro – como ganhar um duelo em 10 lições”, mas parece que o homem tem uma grande agilidade na língua, mas a pistola ainda não domina na perfeição. Consta que no treino de tiro ao alvo já deu vários tiros no próprio pé.

 

A história continuará ainda não se sabe bem por quantos anos, mas uma coisa é certa: quem se mete com Billy The Kid “prejudica-se”.

 

Jacinto César       

 


Tasca das amoreiras às 23:43
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Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Acudam que estou a ser roubado

HOSPITAL St. LUZIA DE ELVAS

 

Continua disponível a petição on-line no endereço que se segue:

www.petitiononline.com/elvas123/petition.html

Assine e divulgue.
 

 

Acudam que estou a ser roubado
 
Costumava eu dizer que o Algarve era o único local em Portugal em que se é assaltado várias vezes ao dia e não se podia fazer queixa à polícia. (entenda-se assalto pelos preços elevados praticados). Engano meu!
Está por aí a rebentar um dos maiores assaltos jamais praticados no nosso país: refiro-me à introdução pelos bancos da taxa de 1,5€ por levantamento nas ATM (vulgo Multibanco).
Quando trimestralmente são publicados os lucros dos vários bancos em Portugal, que contêm muitos zeros, acho que é pornografia pura e dura.
São insaciáveis até ao limite. Mas será, pergunto eu, que temos um governo em Portugal? Ou será que temos uma espécie de governo que se limita a ser um intermediário entre os cidadãos e o verdadeiro poder oculto entre os quais os bancos? A vergonha acabou definitivamente. Já nem disfarçam Fazem tudo às claras.
Será que com a introdução das ATM´s há muitos anos, não pouparam o suficiente em empregados que despediram? Mas não. Não chega. Querem sempre mais.
Penso que está na altura de se começar a guardar outra vez o dinheiro em casa. Arre que é demais.
 
Jacinto César

Tasca das amoreiras às 22:49
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Sábado, 10 de Maio de 2008

Petição on-line "Pela reclassificação do Hospital de Elvas"

 

Caros Elvenses

 

Depois de ter sido colocada a circular na cidade e arredores uma petição sobre a reclassificação do Hospital de Santa Luzia de Elvas, passou a estar à disposição daqueles que a não assinaram ou daqueles que residem fora de Elvas, a petição on-line com o seguinte teor:

 

PELA RECLASSIFICAÇÃO DO HOSPITAL DE ELVAS

 

CONTRA a exclusão das valências de Anestesiaria, Cardiologia, Cirurgia Geral, Medicina Interna, Ortopedia, Patologia Clínica e Radiologia do actual Serviço de Urgência do Hospital de Santa Luzia de Elvas.
Ao abrigo do disposto nos Artigos n.ºs  52º da Constituição da República Portuguesa,  247º a 249º do Regimento da Assembleia da República, 1º nº. 1, 2º n.º 1, 4º,  5º   6º e seguintes,  da Lei que regula o exercício do Direito de Petição
Exmo. Senhor Presidente da República Portuguesa
Exmo. Senhor Presidente da Assembleia da República Portuguesa
Exmo. Senhor Primeiro-Ministro de Portugal
Exma. Senhora Ministra da Saúde

Excelências,
O Hospital de Santa Luzia, em Elvas, e o Hospital Dr. José Maria Grande, em Portalegre são os dois Hospitais que compõem a Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA).
A interacção entre as Unidades de Saúde da Região é uma mais-valia para os utentes, desde que não se ponham em perigo os serviços de saúde prestados por cada uma destas unidades.
O Hospital de Santa Luzia de Elvas tem uma área de influência natural que abrange os concelhos de Elvas, Campo Maior, Alandroal, Arronches, Borba, Monforte, Sousel e Vila Viçosa e embora menos influentes os de Estremoz e Reguengos de Monsaraz. 
Para além disso, não podem ser esquecidos os milhares de profissionais e turistas que, ao longo do ano, cruzam a fronteira do Caia por via rodoviária. O próprio Hospital sendo um factor de desenvolvimento da cidade permite também a fixação de profissionais qualificados e de actividades geradoras de riqueza na região.
 O concelho de Elvas tem vindo a perder sistematicamente valências e serviços de saúde, do que são exemplos o encerramento da Enfermaria de Cuidados Intermédios, da sala de partos da Maternidade Mariana Martins, Serviços de Ginecologia e Pediatria em 2006 e, mais recentemente, o encerramento do Centro de Saúde de Elvas aos fins-de-semana e feriados. 
Descaracterizar o Serviço de Urgência do Hospital de Santa Luzia de Elvas e classificá-lo como Serviço de Urgência Básica - SUB é um verdadeiro retrocesso na política de saúde de proximidade e qualidade ao serviço dos cidadãos que residem ou passam na região.
 De acordo com a legislação publicada em Diários da República (Despacho nº5414/2006 do Ministério da Saúde DR, 2ª.série - Nº42-28 de Fevereiro de 2008), o Hospital de Elvas está classificado como SUB, o que, em termos práticos e a título de exemplo, obriga a que os utentes a quem, na urgência, sejam diagnosticados uma fractura de baço, uma pneumonia, uma apendicite aguda ou uma entorse tenham que ser enviados para os Hospitais de Portalegre (60 km) ou Évora (86km), conforme os Serviços de Urgência disponíveis, em permanência ou em cada momento, em cada um deles. 
 
Assim sendo,
Os abaixo assinados pedem a intervenção dos Órgãos de Soberania Nacional para que:
A Urgência do Hospital de Santa Luzia, em Elvas, seja reclassificada pelo Governo, permitindo o seu enquadramento como pólo de assistência médico-cirúrgica de urgência da ULSNA, com publicação em Diário da República, por forma a que se mantenham a funcionar em pleno, nas 24 h, os actuais serviços e valências médicas, nomeadamente, o Serviço de Urgência com Anestesiologia, Cardiologia, Cirurgia Geral, Medicina Interna, Ortopedia, Patologia Clínica e Radiologia.

 

Por favor enviem o endereço a toda a gente que conheçam. Utilizem a agenda do vosso e-mail. Divulguem em Blogs e Foruns que frequentem.

 

 

Endereço da petição: 

www.petitiononline.com/elvas123/petition.html 

 

 

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 02:24
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Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

Vinte e oito anos depois

Em 1979/80 encontrava-ma a estudar em Coimbra quando,  foi retomada a praxe académica, que a crise de 1969 e o período conturbado do pós 25 de Abril tinham interrompido durante 11 ano. Como estudante e quartoanista (doutor segundo a praxe), vivi a queima das fita desse ano “por dentro”, e como a maioria dos estudantes, e quase toda a população vivi-a com a emoção do retomar da tradição mais profunda de uma cidade. Foram dias (e noites) impossíveis de descrever, e que só pode compreender quem foi estudante naquela cidade,   Desde a ”bênção das pastas” à “queima” propriamente dita, tendo dois pontos altos na “serenata monumental” e no “desfile dos doutores”, com alguns “rasganços“ à mistura. A serenata, talvez por se a primeira em onze anos, reuniu milhares de pessoas, tantas que, tendo chegado meia hora antes, apenas arranjei lugar a uns bons cem metros da Sé velha, já em pleno Quebra Costas, a meio caminho para o Arco da Almedina. Quando soaram as primeiras badaladas da meia noite, ouviu-se i trinar das guitarras e, aquela multidão que uns segundos antes fervilhava de conversas, gritos e brincadeiras, ficou progressivamente silenciosa desde as escadas da Sé descendo e subindo o Quebra Costas como uma onda até não se ouvir mais nada a não ser a voz o som das guitarras e a voz dos cantores. Quanto ao cortejo, a critica política e social foi uma constante, nos carros de todas as Faculdades, a alegria dos participantes e de quem assistia, os discurso improvisados realizados pelos “doutores” a cada varanda ou janela mais bem “enfeitada”, são algo impossível de descrever.

A festa era uma constante, todos os dias, mas principalmente pela noite fora com pequenas serenata em cada esquina, e grupos que se encontravam ao fim de uma hora de não se verem e reagiam como se já sentissem a “saudade” da separação próxima. Cada manhã Coimbra acordava limpa e fresca, e a festa recomeçava, se é que tinha chegado a ser interrompida.

Quis o destino que, no fim-de-semana passado, vinte oito anos depois, estivesse novamente em Coimbra, durante uma queima das fitas.

Logo na sexta era a serenata, e claro, não resisti, saí do quarto de Hotel, na Fernão de Magalhães, para ir ao Quebra Costa ver o ambiente e ouvir uns fados. Sorte, pensei, apesar de faltar um quarto para a meia-noite consegui subir até ao largo da velha Sé, puro engano, azar, ao dar das doze badaladas, vi realmente que os guitarristas começaram a mexer as mãos, pouco depois, um estudante, trajado a rigor, fazia trejeitos como se estivesse a cantar, mas aos meus ouvidos não chegava mais que a algazarra infernal, daqueles que tinham “ido à serenata” mas não queriam “ouvir a serenata”. Voltei a quarto, desencantado com o ambiente, e desiludido por não ter conseguido ouvir nem um fadinho.

No dia seguinte de manhã a desilusão foi ainda maior. Coimbra estava um nojo, havia copos de plásticos vazios ou meios de uma bebida qualquer, garrafas e mais garrafas, umas partidas outras inteiras, umas vazias outras meias.

Tive pena, não por mim, não pela cidade, mas por eles, por estes jovens que não distinguem a rebeldia e irreverência próprias da idade e que sempre existiram da falta de respeito e de educação impróprias em qualquer idade. Um dia, daqui a vinte oito anos terão saudades de quê? Da “sua”serenata que não ouviram nem deixaram ouvir?

Ou da eterna “cidade dos estudantes” coberta de copos e garrafas?

Restou uma pequena grande serenata, quase em privado, mas onde se conseguia ouvir o fado, e com uma qualidade notável, a que tive oportunidade de assistir, e que terminou com um “rasganço” a lembrar os velhos tempos, para nos fazer crer que ainda resta um pouco da “velha” tradição, guardada por ai, e pronta a ressurgir, como da outra vez, nem que seja ao fim de muitos anos. .

 

 

António Venâncio

 


Tasca das amoreiras às 21:56
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Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

Carta Aberta ao Presidente da Câmara Municipal de Elvas

Exmo. Senhor Presidente

 

Depois da nossa última conversa, confesso que fiquei um pouco traumatizado e sem vontade de voltar a escrever a V. Exª não fosse alguma coisa ofendê-lo. Mas como o tempo cura tudo, hoje resolvi escrever-lhe. Vamos por assuntos:

 

1-      Alertado pelo companheiro Zé de Mello fui ver o site institucional do MACE e na verdade fiquei espantado com o modernismo do referido site. Há coisas, como a arte, que podemos gostar ou não, mas não podemos dizer que não presta. Agora o site é na verdade uma aberração em todos os capítulos: tanto estética como tecnicamente. Não sei se o senhor pagou para lhe fazerem tal serviço. Se o fez enfiaram-lhe um grande barrete. Eu, ter-lhe-ia feito algo bem melhor e de borla (não pelo senhor, mas pelo MACE que merecia melhor)

2-      Confesso que estou pasmado com a tranquilidade que V. Exª apresenta em relação ao Hospital de Elvas. Depois de ter lido o Despacho no Diário da República nº 5414/2008 em que vem lá com todas as letras que o nosso hospital passa a ter uma Urgência Básica (SUB) e depois ainda de me ter informado o que isto significa (Despacho nº 727/2007 do D.R.), não fiquei tranquilo. Mas o senhor está e lá saberá o porquê. Eu cá desconfio que o senhor, que fala aos elvenses alto e bom som, para os seus superiores partidários comporta-se muito timidamente (para não dizer outra coisa). Penso ainda que para o senhor é mais importante estar a bem com o partido do que com a população que o elegeu (nos quais me incluo). Se não tem lata ou coragem para o fazer directamente, ao menos promova mesmo que secretamente, uma manifestaçãozinha para o povo poder dar largas à sua insatisfação. Penso que o seu correligionário de partido, o Comendador Rui Nabeiro pensará como eu já que além de ser um paciente assíduo do hospital é também um grande benemérito do mesmo. O senhor foi também pelo que sei “cliente” dos mesmos serviços. E se voltar a cair como da última vez já viu que tem que ir de passeio até Portalegre? Lá teria que por os autocarros à disposição dos cidadãos para o irem visitar.

Claro que não será encerrado de repente, mas já estou a ver o filme: primeiro começam a encaminhar os doentes para Portalegre, depois à falta de doentes começam a diminuir os médicos e os enfermeiros. Sem doentes, médicos e enfermeiros, os equipamentos também não fazem falta. Simples, não é?

3-      A Maternidade é o último assunto pois não o quero maçar mais. Já reparou que os seus colegas autarcas lá do Norte já se estão a mexer novamente para reabrir as salas de partos nas suas localidades? E o senhor não lhes quer seguir o exemplo?

 

Como cidadão de Elvas começo a sentir-me desprotegido e se calhar mais gente haverá a sentir o mesmo. A sua obrigação como eleito é, devido ao poder que tem, fazer com que não nos sintamos assim.

 

Os meus respeitosos cumprimentos

 

Jacinto César  


Tasca das amoreiras às 20:50
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Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

Ao novo Vereador da CME

Amigo José Júlio

 

Contrariamente ao que seria de esperar não te envio este recado para te felicitar mas sim dar-te um pequeno conselho. Vais substituir o meu amigo de sempre Eurico Candeias, que infelizmente se deixou influenciar “por dentro” o que o levou a uma situação insustentável na Câmara. O conselho que aqui te deixo vai precisamente nesse sentido: pensa pela tua cabeça, faz o melhor que puderes nestas circunstâncias, mas não te deixes levar. Mas atenção, o perigo não vem só “de dentro”, mas também “de fora”. As pressões a que vais estar sujeito, prevejo que sejam enormes: uns para que te cales e outros para que digas o que eles querem. Sê tu próprio.

 

Um abraço

 

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 23:59
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Terça-feira, 6 de Maio de 2008

Elvas e a UNESCO

O companheiro Zé de Mello faz hoje no seu blog eco de um artigo de Moisés Cayetano Rosado, professor de Geografia e História da Univ. Extremadura.

Depois de o ter lido com muita atenção pareceu-me ser um artigo de opinião muito habilidoso. E porque é que me pareceu assim?

1-      Começa por referir todos os complexos amuralhados da zona da raia desde o Minho até ao sul. Atribui uma grande importância ao conjunto. Concordo.

2-      Depois passa à desvalorização de dois complexos importantes na minha opinião: Ciudad Rodrigo e Almeida. Não entendi.

3-      Acaba por atribuir a máxima importância ao eixo Badajoz-Elvas. Também não entendi (ou será que entendi?)

Para mim o artigo tão depressa dá uma no cravo como outra na ferradura, mas sempre com a mesma finalidade: dar destaque a Badajoz. Não sei porquê, mas cheira-me que vamos passar a deixar de estar dependentes da nossa querida capital de distrito para passarmos a estar debaixo da alçada de Badajoz.

Como é que um perito na matéria consegue valorizar Badajoz em relação a Almeida ou mesmo a Ciudad Rodrigo, para já não falar em Elvas? O homem não deve conhecer bem as duas primeiras localidades que referi. É verdade que valoriza Elvas ao ponto mais alto, mas sempre atrelada a Badajoz, a que atribui características muito duvidosas. Parece-me que o senhor quer a candidatura conjunta para depois poder dominar o negócio, ou seja, atraem-se os turistas a Badajoz que depois virão aqui a fazer-nos uma visitinha.

Falando claro, nada me move contra Badajoz, antes pelo contrário. Dá-nos muito jeito ter uma cidade daquelas dimensões aqui a 10 km. Nunca tive problemas com os espanhóis, nos quais tenho muitos e bons amigos. Mas em termos patrimoniais, Badajoz pode candidatar-se a quê? Cá por mim só se for à cidade mais mal tratada em termos de património de toda a Espanha. Não me venha o senhor professor da Universidade da Extremadura dizer que tem isto ou aquilo, porque não tem quase nada para oferecer e o pouco que resta não é nada se excluirmos a Catedral.

Quando deixou de existir a Comissão Municipal de Turismo de Elvas para nos integrarmos a Região de Turismo do Norte Alentejano, o que é que ganhamos? Nada de nada. Quem duvidar dê uma vista de olhos ao site institucional da referida região e vêm logo a relevância que nos dão.

Não quero com isto dizer “orgulhosamente sós” como dizia o outro, mas no entanto arrisco um antes só que mal acompanhado.

 

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 18:41
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Últimos copos

Forte da Graça - 18

Forte da Graça - 17

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