Em 2005 muito se falou do Orçamento do Estado para esse ano, que, segundo o Dr. Vítor Constâncio, personalidade insuspeita por nunca ter estado ligada ao Partido Socialista, se nada fosse feito em contrário, atingiria um deficit de 6,8 %, e da situação gravíssima que isso representava.
Certo, certo, é que o deficit de 2004, o último Orçamento apresentado aprovado e executado pela coligação PSD/CDS teve um deficit de 2,9 % e que a dívida pública rondava os 61% do PIB. Também é certo que nessa altura não ouvimos falar em agências de rating a pressionar Portugal na altura da apresentação do Orçamento.
Se nos reportarmos a 2005 o deficit subiu para uns “modestos” 6,1 % tendo sido de 3,9% em 2006 e 2,6 % em 2007 como se pode ver no link abaixo
Quanto à dívida pública a mesma subiu em 2005 para os 64% e situava-se em 108% no final de 2008, quando o nosso Primeiro Ministro ainda afirmava que a crise não afectaria Portugal.(veja-se o link)
http://www.ionline.pt/conteudo/16526-divida-publica-ja-valia-108-do-pib-no-final-do-ano-passado
É já comummente aceite que o deficit para o ano de 2009 se situará na casa dos 8,7% e que ano 2010 se situará nos 8,3%
Durante a campanha eleitoral, ouvimos falar nos méritos do governo PS na consolidação das contas públicas, certo é que, apenas durante um ano o de 2007 o deficit, em nome do qual tantos sacrifícios se impuseram ao povo português, se situou abaixo do valor a que se encontrava em finais de 2004, e que o mesmo se situa neste momento no triplo desse valor, certo é que a divida pública cresceu consistentemente ao longo desses quatro anos, e se situa neste momento em 1,77 vezes o valor que tinha quando da subida ao poder do PS.
Dir-me-ão que a crise internacional é que é a culpada da situação actual, mas eu permito-me discordar:
Primeiro porque alguns dos números que aqui apresento são ainda anteriores à crise, o caso dos deficits de 2005 e 2006 e do crescimento da dívida de
Segundo porque apesar de a crise internacional afectar todos os países, não são todos os que vêm as agencias de rating interferir nos seus orçamentos.
Finalmente lamento que, como em tempos idos, de que alguns ainda se recordarão, em que o FMI ditava leis dentro do nosso país, estejamos de novo numa situação em que agências internacionais nos venham impor as medidas financeiras a tomar.
Já agora, só por mero acaso, acabo de ler a seguinte notícia
parece que o FMI também voltou mesmo.
Quando e com que governo é que tinha ouvido falar nele pela última vez?
Áh! Foi nos últimos tempos de António Guterres, mais ou menos por altura do pântano e o governo era na altura Socialista!...
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