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Segunda-feira, 25 de Janeiro de 2010

Orçamentos, deficits, dividas e agências de rating

Muito se tem falado, nestes últimos dias, no orçamento de Estado, nas agências de rating, e na pressão que as mesmas exercem sobre Portugal para a contenção do deficit e da divida pública. Não tendo conhecimentos de economia e finanças que me permitam analisar ou discutir o orçamento quero aqui fazer uma simples retrospectiva de factos concretos relativo a esta matéria.

Em 2005 muito se falou do Orçamento do Estado para esse ano, que, segundo o Dr. Vítor Constâncio, personalidade insuspeita por nunca ter estado ligada ao Partido Socialista, se nada fosse feito em contrário, atingiria um deficit de 6,8 %, e da situação gravíssima que isso representava.

Certo, certo, é que o deficit de 2004, o último Orçamento apresentado aprovado e executado pela coligação PSD/CDS teve um deficit de 2,9 % e que a dívida pública rondava os 61% do PIB. Também é certo que nessa altura não ouvimos falar em agências de rating a pressionar Portugal na altura da apresentação do Orçamento.

Se nos reportarmos a 2005 o deficit subiu para uns “modestos”  6,1 %  tendo sido de 3,9% em 2006 e 2,6 % em 2007 como se pode ver no link abaixo

http://www.o-informador-fiscal.pt/?nav=bWVudT0xJnNlY3Rpb249bm90aWNpYXMmYWN0aW9uPXNob3dpdGVtJmRhdGE9MTQ0NDUmcGFyYW09

Quanto à dívida pública a mesma subiu em 2005 para os 64% e situava-se em 108% no final de 2008, quando o nosso Primeiro Ministro ainda afirmava que a crise não afectaria Portugal.(veja-se o link)

http://www.ionline.pt/conteudo/16526-divida-publica-ja-valia-108-do-pib-no-final-do-ano-passado

É já comummente aceite que o deficit para o ano de 2009 se situará na casa dos 8,7% e que ano 2010 se situará nos 8,3% 

Durante a campanha eleitoral, ouvimos falar nos méritos do governo PS na consolidação das contas públicas, certo é que, apenas durante um ano o de 2007 o deficit, em nome do qual tantos sacrifícios se impuseram ao povo português, se situou abaixo do valor a que se encontrava em finais de 2004, e que o mesmo se situa neste momento no triplo desse valor, certo é que a divida pública cresceu consistentemente ao longo desses quatro anos, e se situa neste momento em 1,77 vezes o valor que tinha quando da subida ao poder do PS.

Dir-me-ão que a crise internacional é que é a culpada da situação actual, mas eu permito-me discordar:

 Primeiro porque alguns dos números que aqui apresento são ainda anteriores à crise, o caso dos deficits de 2005 e 2006 e do crescimento da dívida de 2004 a 2008,

Segundo porque apesar de a crise internacional afectar todos os países, não são todos os que vêm as agencias de rating interferir nos seus orçamentos.

Finalmente lamento que, como em tempos idos, de que alguns ainda se recordarão, em que o FMI ditava leis dentro do nosso país, estejamos de novo numa situação em que agências internacionais nos venham impor as medidas financeiras a tomar.

Já agora, só por mero acaso, acabo de ler a seguinte notícia

http://news.google.pt/news?sourceid=navclient&hl=pt&rlz=1T4RNTN_pt-PTPT357PT358&q=fmi+portugal&um=1&ie=UTF-8&ei=9iVeS8LAJYv_4Ab11aHuBA&sa=X&oi=news_group&ct=title&resnum=1&ved=0CAwQsQQwAA

parece que o FMI também voltou mesmo.

Quando e com que governo é que tinha ouvido falar nele pela última vez?

Áh! Foi nos últimos tempos de António Guterres, mais ou menos por altura do pântano e o governo era na altura Socialista!...

 

António Venâncio

 


Tasca das amoreiras às 23:30
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7 comentários:
De JB (O que não mora em Elvas) a 26 de Janeiro de 2010 às 00:34
Deixe-me fazer-lhe uma rectificação. O Dr. Vitor Constâncio foi secretário geral do PS entre 1986 a 1989, camisola que ele nunca despiu quando falou no deficit "herdado" por Socrates, do governo de Santana Lopes. 


De Anónimo a 26 de Janeiro de 2010 às 08:31
Ai que saudades que eu já tinha dos comentários sábios do professor António Laranja Venâncio!
Ainda bem que regressou, para isto não ser apenas umas jacintadas.


De Tasca das amoreiras a 26 de Janeiro de 2010 às 08:47

Caro Anónimo rosa
Eu limito-me a referir factos docomentados.
Quanto ao ilustre anónimo, não vejo nada no seu comentário que os contradiga.
António Venâncio


De Anónimo a 26 de Janeiro de 2010 às 11:50
Senhor professor António Venâncio:
Topa-se bem que o senhor é colega do senhor professor Jacinto César. Estão um para o outro.
Apreciei que tenha escrito "factos docomentados". Só é pena que não saiba que os facto que apontou estão alegadamente documentados.
Mas não me admiro; os seus "docomentos" não devem fazer parte de nenhuma documentação séria.
Eheheheheheheheheh
Professores? Não, "profeçores", que é diferente.


De Tasca das amoreiras a 26 de Janeiro de 2010 às 09:09

Caro JB


Agradeço a sua rectificação. Tinha-me "esquecido" completamente que o Dr. Vítor Constâncio era socialista.


Assim já começo a perceber como é que foi possível que em 2005 tivesse previsto, logo em Março, com tanta exactidão o deficit que se viria a verificar se a execução tivesse sido feita pelo governo PSD/CDS, dado que nunca pôde ser verificado pois dito governo já tinha cessado funções, e em 2009 não tenha previsto em igual data e com igual exactidão o descalabro eleitoralista que viria a conduzir a um deficit de 8,7 %


António Venâncio



De JB (O que não mora em Elvas) a 26 de Janeiro de 2010 às 20:56
O homem não tem feito outra coisa do que favores rosas, e por isso mesmo querem agora colocá-lo vice de qualquer coisa na Europa mas que lhe dará uns bons trocos, muito mais do que agora aufere à nossa custa.
Vai dando uns palpites fazendo de conta que percebe do assunto (basta lembrar a desgraça que foi como ministro das finanças), mas sempre em defesa da sua dama o PS e seus acólitos.


De Anónimo a 26 de Janeiro de 2010 às 14:08
O Venâncio é um quase sábio. Ele e o Quinho.
Por exemplo - carros eléctricos o Venâncio escreve asneiras e o Quinho diz que vai escrever mas não escreve...


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