Desde que acompanho a política Nacional, e já lá vão perto de quarenta anos, nunca ouvi um Governo assumir os erros cometidos. Sempre que algo corre mal, nomeadamente do ponto de vista económico, invariavelmente o dedo é apontado a um de dois factores: as políticas do Governo anterior ou uma qualquer crise internacional.
A primeira justificação surgiu logo após o vinte cinco de Abril, com as inúmeras referências à pesada herança do fascismo, a qual era sem dúvida pesada (várias toneladas de ouro), e vem sendo repetida sempre que numas eleições se verifica uma alternância no poder. A segunda, é apontada sempre que a economia mundial ou europeia “abana” pois é certo que, se os nossos parceiros económicos “espirram”, nós por cá apanhamos uma ”broncopneumonia dupla”.
Na passada legislatura assistimos consecutivamente à utilização, por parte do Governo PS em geral e do seu Primeiro-Ministro em particular, dos dois tipos de justificações: Durante os primeiros três anos, todos os males tinham origem no anterior Governo, mesmo quando já deveria ter decorrido o tempo suficiente para que se tivessem corrigido os erros do mesmo, durante o último ano tudo passou a ter como justificação a crise internacional. Nada de novo portanto. A mesma lógica a que já nos tínhamos habituado.
Na passada semana ficamos a saber que o desemprego em Portugal cresce ao dobro do ritmo da CE.
Não podendo a responsabilidades deste facto ser assacada ao actual Governo, dada a sua elevada “competência” e a “qualidade” indiscutível das medidas implementadas pelo mesmo para combater a crise, não podendo também ser responsabilizada a crise internacional uma vez que, nesse caso, o nosso desemprego cresceria na pior das hipóteses em linha com o dos nossos parceiros, sendo até de esperar, pelos motivos atrás referidos, uma performance acima da média, resta-nos a conclusão obvia:
Esta situação que está a lançar no desemprego milhares dos nossos compatriotas, a um ritmo tão elevado, só se pode dever às políticas desastrosas do Governo anterior.
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