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Quarta-feira, 10 de Outubro de 2007

Medo

Qual de nós e em qualquer momento das nossas vidas não sentiu medo de qualquer coisa?

Eu já senti e não me sinto inferiorizado por isso. Recordo-me quando era criança ter um medo terrível de levar uma injecção. A agulha apavorava-me. Recordo-me que quando era adolescente e estudante ter medo da polícia. O levar com o cassetete nas costas não tem piada nenhuma e por vezes tive que fugir mais depressa do que aquilo que julgava capaz. Já homem, tive medo da guerra! Quem não o teve, sabendo que a toda a hora era uma boa hora para morrer ou pior ainda ficar estropiado? Penso que o ter medo não é vergonha alguma e por vezes até nos serve de aviso para os nossos comportamentos mais temerários. Bem, até agora tenho-me referido aos medos concretos, mas o que me apavora hoje são os medos invisíveis, aqueles que nós próprios não sabemos o que são. Eu traduzo.

Ultimamente têm-se sucedido casos que me provocam esse sentimento. Escolho três casos recentes.

1-      O caso do professor Charrua no Porto. O homem resolveu desabafar com amigos. Azar o dele pois alguém por perto e mais papista que o papa resolveu “bufar” e daí aos resultados que todos conhecemos foi um passo. Todos sabíamos que nada lhe iria acontecer em concreto, mas todos ficamos também a saber que nos tempos que correm não podemos desabafar em qualquer lugar e com qualquer pessoa não se vá dar o caso de termos algum “amigo” por perto e que resolva contar a outro “amigo”. Não sei porquê mas parece-me que esta situação é um dejá-vu do McCarthismo norte americano dos anos 50 do século passado. O medo do desconhecido impera!

2-      O caso de José Rodrigues dos Santos na RTP. Antes do 25 de Abril todos nós sabemos que o lápis azul da censura marcava o ritmo das ideias dos jornalistas. Penso que eles até já estavam habituados à situação e arranjavam os esquemas mais diabólicos para fintar os “ditos senhores”. Era um jogo do rato e do gato, mas se bem me recordo raros foram os casos que deram para o torto. E agora? Fazem-se umas chantagens, prometem-se uns processos disciplinares e distribuem-se alguns conselhos. Claro está que o resultado disto tudo é zero. Pois é! E a partir daí? Qualquer um que queira escrever sobre qualquer assunto melindroso pensará duas vezes antes de o fazer não vá sofrer “incómodos” por tal ousadia. Se se considerar que o lápis azul era uma forma descarada de censura, não será hoje bem pior quando se pratica a auto censura por medo?

3-      Caso do Sindicato dos Professores do Centro. Será que a acção da polícia não vos faz lembrar nada? (quero aqui manifestar o meu apoio e solidariedade para com a polícia que não tem culpas algumas, limitando-se a cumprir ordens). Eu cá por mim faz-me lembrar aquelas rusgas selvagens levadas a cabo pela polícia de Stalin nos tempos dos sovietes e que invariavelmente os apanhados tinham direito a um bilhete grátis para a Sibéria. Mas será que os sindicatos, gostemos nós ou não da cor deles, são organizações clandestinas que mereçam um quase assalto por parte da polícia, a mando de uma qualquer mente perversa e com tendências ditatoriais? Claro está que vão dar em nada os inquéritos que se vão fazer. Isso sabemos todos nós! E o medo e receios que vão causar daqui para a frente?

Eu estou aqui a escrever e não sei se alguém com urgência em trepar na hierarquia do partido se lembrará de me ir denunciar ao seu “controleiro”, por alguma palavra que não devesse ter escrito ou alguma ideia que não devesse ter expressado.

O medo paira sobre todos nós e todos nós nos vamos encolhendo. O medo anda por aí e a ditadura silenciosa avança. Mas será que eu ainda tenho liberdade no nosso país? Aparentemente sim, na prática não! O povo tem que forçosamente cantar a uma só voz ou então … . Os que desafinam no coro sujeitam-se a que o “maestro” lhes dê um castigo.

 

Tive medo em criança, tive medo em adolescente, tive medo em homem e infelizmente continuo com medo.

Porra, tenho que deixar de ser medroso!

 

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 02:17
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2 comentários:
De António Venâncio a 10 de Outubro de 2007 às 13:51
A política do medo selectivo está neste momento em alta no nosso país, veja-se o caso das duas manifestações em Montemor o Velho, os pró (do partido), estavam autorizados a estar no local aos outros foram-lhes retiradas as faixas tendo chegado a ser colocadas barreiras para os afastar do Sr. Primeiro Ministro, o qual, teve uma reacção bem à moda de outros tempos:
Quem não é por nós é contra nós.
Quem se manifesta contra a arbitrariedade é comunista.
Perante esta situação restamos reagir ao medo com coragem.
Quanto a mim já estou habituado :
Antes do 25 de Abril estava contra, era comunista!...
Depois, durante o período do PREC estava contra, era fascista.
O medo durante um período e o outro foi uma constante, intervenção sempre que necessário também.
Não é mau ter medo, é mau é deixamos que ele nos vença.

Um abraço


De Dina a 10 de Outubro de 2007 às 17:29
Ter medo faz parte do ser humano, pelo menos do que tem consciência...
Quanto a esses medos eles são perfeitamente justificados. Estamos a entrar de novo num clima de medo, de censura, de caciques, de olhar para todos os lados antes de falar mesmo que com razão...
A caça às bruxas vai voltar quer uma aposta?
Vamos assistir a muitas fogueiras a arder sem no entanto vermos a quem pertence a mão que as ateou, porque tal como acontecia com os carrascos vão ter o rosto coberto e por uma questão de direito manter o anonimato. Sim porque a lei existe pelo menos quando a alguns interessa que exista...


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