Alguns dirão que não suporto José Saramago (o que é verdade e não é de agora), mas para mim que sou um analfabeto em literatura, diria que Deus cometeu uma grande injustiça se teve influência nos homens que deram o Nobel a José Saramago. Comparar um com o outro é como comparar Pavarotti ao Zé Cabra (salvo as devidas proporções), e refiro-me não só aos escritores como aos homens. A imbecilidade e arrogância de um contrastam com a simplicidade e humanismo do outro.
Uma entrevista NOTÁVEL que põe a nu uma criança criada com amor, um jovem que entendeu os problemas dos outros jovens (quando militar), as incertezas de um médico que o não foi e o humanismo do adulto maduro que é.
Sendo crente, foi incapaz de fazer uma crítica a José Saramago, limitando-se a dizer que tinha proferido algumas afirmações infelizes.
Comparando a história deste Homem com a de Saramago é estarmos a comparar homens feitos em mundos diferentes e merecedores de sortes diferentes.
Em certos aspectos fez-me lembrar outro grande escritor de seu nome José Cardoso Pires, que depois de terem passado por problemas de saúde graves, nos apareceram de uma forma ainda mais humana, contrariamente ao azedume e revolta de Saramago – revoltado contra Deus não deve ser com certeza, já que é ateu - .
Foi extraordinária a descrição que fez da sua passagem pelo IPO e das pessoas que com ele se cruzaram, dos quase mortos mas com dignidade, dos agonizantes carregados de esperança e do olhar brilhante das crianças com os dias contados.
Perdoem-me os leitores, mas José Saramago não presta!
Jacinto César
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