“Os problemas do ensino em Portugal são, em cada momento, aqueles que já eram antes mais os que cada ministério se empenha a criar. E, por cada experiência pedagógica que não resulta ou decreto-lei que dá maus resultados, saem as portarias que entortam mais aquilo que torto nasceu. O ministério, que já foi MEN, MEIC, MEC, MEU, ME, voltando atrás de quando em vez, adopta os esquemas que cada responsável determina para exibir o que vale – ou testar o que julga – com os resultados que estão à vista e prejuízos de que todos se queixam. Se acrescentarmos a isso que a mentalidade da maioria dos pais não foi sensivelmente alterada – e é ela que normalmente prevalece na orientação do futuro dos seus filhos -, temos que a criancinha, desde os sete anos de idade, está condenada a ser aquilo que os outros quiserem e aos erros que sobre ela pratiquem; e o adolescente, a partir dos 17 ou dos 20, estará desempregado ou mal empregado, a pagar sozinho a factura porque toda a gente já cumpriu a sua missão, isto é, fez o que tinha que fazer, a que mais não é obrigada e pode lavar as mãos. A questão, no fim de contas, é que o ensino em Portugal tem pouco a ver com a realidade – para tanto só falta o essencial; um projecto de sociedade.” "A educação em Portugal é um crime de «lesa-juventude»: com a fantasia do ensino dito «inclusivo», têm lá uma data de gente que não quer estudar, que não faz nada, não fará nada, nem deixa ninguém estudar. Para que é que serve estar lá gente que não quer estudar? Claro que o pessoal que não quer estudar está lá a atrapalhar a vida aqueles que querem estudar. Mas é inclusiva.... O que é inclusiva? É para formar tontos? Analfabetos? Os exames são uma vergonha. Você acredita que num ano a média de Matemática é 10, e no outro ano é 14? Acha que o pessoal melhorou desta maneira? Por conseguinte a única coisa que posso dizer é que é mentira, é um roubo ao ensino e aos professores! Está-se a levar a juventude para um beco sem saída. Esta juventude vai ser completamente desgraçada!" Tal como prometera, volto hoje aos problemas do ensino no nosso país. Os dois textos que acabaram de ler estão distanciados no tempo de 26 anos: o primeiro é da autoria de Luís Campos em 1983 e o segundo do Professor Medina Carreira numa entrevista em 2009. Como se depreende facilmente pouco ou nada mudou nestes anos todos, antes pelo contrário, tudo se agravou e eu começo a ter vergonha de fazer parte de um sistema destes que está a hipotecar o futuro das gerações que vêm já aí a seguir. Como poderemos ter melhores cidadãos quando o sistema educativo se vai degradando? Como podemos ter cidadãos mais educados se estes quando jovens não foram educados por que devia ter a obrigação de o fazer? Eu faço parte daquele grupo de pessoas que acredita na bondade da juventude. ELES são as VÍTIMAS de uma sociedade cada vez mais injusta e egoísta, em que o EU prevalece sobre OUTROS. Como é que vamos mudar tudo isto? Não sei, mas talvez alterando radicalmente o projecto de sociedade que o primeiro autor referiu. Que cada um reflicta sobre o assunto. Eu estou cansado. Jacinto César
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