Hoje vou fazer aqui um pequeno exercício de extrapolação entre os resultados das legislativas e o das autárquicas.
No concelho de Elvas, os resultados das Eleições Legislativos, foram os seguintes:
PS 4376
PSD 2144
BE 1368
CDS 1127
PCP/PEV 608
PCTP/MRPP 178
Somando os resultados do PSD com o do CDS, os dois partidos que integram a coligação MUDE obtemos 3271
(fonte Pag. RTP http://ww1.rtp.pt/noticias/eleicoes/legislativas2009/index.php 28/09/2009 10h 52m)
Se aplicarmos o Método D’Hondt a estes resultados obtemos a seguinte distribuição de mandatos:
1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º
PS MUDE PS MUDE PS BE PS
Se aplicarmos o mesmo método mas supondo que PSD e CDS concorriam em separado, obteríamos a seguinte distribuição de mandatos:
1º 2º 3º 4º 5º 6º 7ª
PS PS PSD PS BE CDS PS
A primeira conclusão que se pode retirar é que, a manter-se esta votação, o número de mandatos seria equivalente numa situação ou noutra, ou seja o PS meteria quatro vereadores em qualquer dos casos, o BE um e se o MUDE meteria dois no primeiro caso, no segundo cada um dos partidos que o compõem meteria um, o que perfazia os mesmos dois. Daqui resulta, que ou a coligação MUDE gera uma dinâmica de vitória que capitalize mais alguns votos do que os que se verificaram na soma dos dois partidos nas Eleições Legislativas, e consegue eleger um terceiro vereador, ou era indiferente concorrerem em coligação ou separados.
Todos sabemos que Eleições Autárquicas não são Eleições Legislativas e que as primeiras têm muito a ver com a dinâmica local. Sabemos também que a campanha eleitoral do PSD para as legislativas não foi de modo nenhum bem sucedida, e que por isso mesmo, uma boa candidatura, e uma campanha bem estruturada, deveriam resultar num aumento da votação.
A lista do MUDE bem como o movimento/associação que lhe deu origem, integra ainda personalidades independentes que, ao terem sido seleccionados para integrar as referidas lista, nos faz supor que representam uma mais-valia para a mesma, com a consequente tradução no número de votantes. Assim sendo a fasquia de sucesso para o MUDE situa-se no mínimo de três vereadores.
Admitamos agora os cenários alternativos:
O Mude mete apenas dois vereadores, e este resultado representa uma derrota da estratégia dos dois partidos, pois apesar de cada um deles ter tido que abdicar do seu próprio programa, para estabelecer acordos para um programa comum, e de terem integrado independentes para melhorem a performance eleitoral, não conseguem atingir esse objectivo, mantendo o mesmo numero de vereadores que se concorressem separados e obtivessem os mesmos votos das legislativas, o que em si mesmo não era grande feito dado o já atrás referido insucesso da campanha legislativa do PSD.
O MUDE obtém menos de dois vereadores e então a derrota é estrondosa, pois significa uma sangria de votos, em apenas duas semanas, e relativamente a resultados que já estiveram longe de ser bons.
Esperemos pois serenamente os resultados para retirar as devidas conclusões.
António Venâncio
Força política Nº de Votos
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