Factos
1- 39, 4% de abstenção; 1,31 votos nulos; 1,7% votos brancos; Total 42,46%
O que se traduz em 57,54% de eleitores votando em partidos políticos.
2-
PS 36,56%
PSD 29,09%
CDS 10,46%
BE 9,85%
PCP/PEV 7,88%
3 No distrito de Portalegre o PSD elege um Deputado pela primeira vez desde que a representação parlamentar do distrito foi reduzida a dois deputados, retirando um deputado ao PS (fonte Pag. RTPhttp://ww1.rtp.pt/noticias/eleicoes/ legislativas 2009/index.php 28/09/2009 10h 52m)
A primeira conclusão a retirar dos resultados apresentados, e que a meu ver deve ser motivo de reflexão para toda a Classe Política, prende-se com o desencanto dos eleitores relativamente a esta classe. De notar que apenas 57,54% dos eleitores inscritos, se manifestam expressamente por um partido, seja ele qual for, os restantes 42,46% mostram claramente o seu desagrado relativamente a todos eles, quer através da abstenção quer através do voto nulo ou branco, e ganham indiscutivelmente as eleições com uma maioria tão confortável que, a ter representação parlamentar, dependendo da distribuição por círculos, poderia significar a maioria absoluta na Assembleia da República. Se a estes factos acrescentarmos que, muitos dos que fomos votar e o fizemos num partido, entre os quais me incluo, não o fizemos como manifestação de apoio convicto a um partido, mas apenas como escolha do mal menor teremos que concluir que o apoio real a qualquer dos partidos é escasso. Posto isto, não serve a qualquer partido “embandeirar em arco” pois não houve nenhuma vitória. Perdeu a democracia. Torna-se pois urgente que todos os partidos, e a sociedade Portuguesa reflictam sobre estes resultados.
Analisemos os resultados individuais de cada partido:
O PCP/PEV demonstra indiscutivelmente ser uma força política com um eleitorado de há muito consolidado, mantém-se igual a si mesma e não tem, na nossa sociedade, capacidade para melhorar os seus resultados, no entanto, também não é espectável que, a manter as políticas que tem seguido, venha a perder representatividade, os 7,88% de votantes que obteve, e que representam 4,53% dos eleitores inscritos, são um eleitorado fiel. Até aqui nada de novo.
O BE duplica o número de deputados, capitalizando uma parte do descontentamento do PS, mas falha dois dos seus objectivos, não consegue ser a terceira força parlamentar, ficando pelos 9,85% de votantes que correspondem a 5,67% dos eleitores inscritos, e não consegue um número de deputados suficientes para influenciar decisivamente o próximo governo, pois dependerá sempre de um terceiro partido para formar maioria parlamentar com o PS. Os “tiros no pé” dados no programa e na campanha e a desilusão dos debates televisivos terão contribuído definitivamente para este resultado. Certo é que, para fazer deslocar para a esquerda a governação socialista, será necessário um acordo tripartido entre PS, BE e PCP/PEV o que se me afigura difícil e altamente perigosa para o próprio BE que verá reduzido o seu espaço entre os dois partidos.
O CDS com 10,46% dos votantes, correspondentes a 6,02% dos eleitores inscritos, torna-se a terceira força política na Assembleia da República, o número de Deputados eleitos coloca-o numa posição de força no actual espectro parlamentar, ao permitir formar maioria com o PS, quer através de uma coligação, quer através de acordos pontuais. Esta força será tanto maior quanto menor for a possibilidade de entendimentos tripartidos há esquerda e quanto mais se estremarem as posições entre PS e PSD o que acho uma hipótese bastante plausível. Por tudo isto o CDS e Paulo Portas, vão certamente ter, nos próximos tempos um poder superior ao que os resultados poderiam deixar supor.
O PSD com 29,09% dos votantes que correspondem a 16,74%, fruto de uma campanha que não o foi e de uma liderança com notória dificuldade em unir o partido e chegar á população, desperdiçou uma oportunidade única de se tornar na maior força parlamentar. Forçosamente terá que repensar a estratégia e eventualmente a liderança e esperar por melhores dias. Não creio que venha a contribuir para uma solução tipo bloco central, podendo no entanto, em situações pontuais, contribuir para aprovar algumas medidas, ou para alterar outras. Esperemos para ver.
O PS com os seus 36,56% dos votantes que representam 21,04% dos eleitores inscritos, tem uma vitória com sabor a derrota. Não consegue congregar um quarto dos eleitores portugueses, o que significa que mais de três quartos destes não acreditam nas suas propostas, perde a maioria absoluta, vendo-se forçado a procurar apoios parlamentares para poder fazer passar, desde o programa ao orçamento, passando por todos os outros diplomas que necessitem passar pela Assembleia. A principal derrota, é mesmo da arrogância e da prepotência com que conduziu a sua política nos últimos quatro anos. Não será fácil a uma personalidade como a do Primeiro-Ministro ter que encontrar estes acordos. Mudanças de orientação política esperam-se em função desses acordos.
Outro grande derrotado nestas eleições, foram mais uma vez as sondagens e projecções.
Mais uma vez, excepção feita para os resultados do PCP/PEV, quer umas, quer outras apontavam um resultado para o PS que dificilmente atingiu a margem mínima ficando muito aquém do número de mandatos que lhe foi atribuído durante mais de uma hora e que lhe permitiria formar maioria com qualquer partido, um resultado para o PSD que se veio a situar no limite superior, ultrapassando mesmo este limite no caso das projecções, um resultado para o BE que o colocava à frente do CDS, com terceira força política, contrariamente ao que se veio a verificar e com uma diferença não desprezável de cinco mandatos, a diferença entre formar maioria com o PS ou não formar. Tendencioso? Não sei, no entanto acho estranho que as sondagens “errem”sistematicamente no mesmo sentido.
Uma nota final, o objectivo que aqui defendi várias vezes neste blog, retirar um Deputado ao PS no Distrito de Portalegre, e, desta forma, contribuir se não para a derrota pelo menos para a retirada da maioria absoluta a José Sócrates, foi atingido como reconhecimento de muitos eleitores dos prejuízos que o governo PS trouxe a este Distrito.
António Venâncio
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