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Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007

Se bem me lembro … Coimbra 1968/69

Quando hoje se ouve falar de liberdade de expressão, coisa esquisita que se tem finado aos poucos, lembro-me do meu primeiro ano lectivo que passei em Coimbra. Foram os gloriosos anos de 1968 e 1969. Se fosse como muitos que andam por aí, estaria aqui e agora a pôr em evidência o meu passado anti-fascista. Nada disso!

Acabadinho de chegar à cidade dita dos doutores, livre como nunca tinha sido até então, terá sido porventura o ano da minha vida, seguido de outros não menos bons! Por esses tempos, política era coisa séria demais para mim. Chegado da província com dezoito anos, se comparados com os mesmos dezoito anos de um adolescente actual, não posso dizer outra coisa senão que era um parvinho, um labregote ou um “compadre alentejano” como muitos me passaram a chamar.

De repente uma série de acontecimentos provocados por colegas “mais grandes” fez com que a “pacatez” se transformasse num clima de “guerra” diário. Dirão alguns: mas que azar! Digo eu: mas que sorte!

Todos os dias havia pancada com a polícia e todos os dias eu me divertia à grande! Que saudades da falta de liberdade! Todos os pretextos eram bons para os estudantes provocarem os ditos agentes da ordem e vice-versa.  Entre umas “morceladas” e um par de copos, toda a gente ficava amiga outra vez. Nos dias que se seguiam a doze repetia-se.

Foi nesses anos que tive o privilégio de privar com alguns amigos que anos mais tarde se viriam a tornar políticos a sério: falo do malogrado Lucas Pires, do Vital Moreira, dos bailaricos meio clandestinos com a Maria de Belém entre outros. Mas posso dizer aqui que ninguém nos ouve que não aprendi nada de política. Bem, para dizer a verdade, não aprendi nada de nada nesse ano que redundou num tremendo chumbo. Já nem falo de cadeiras, mas nem um “banco”!

As festas constantes e as sessões de pancada nos intervalos, os comícios clandestinos (que de clandestinos nada tinham) intermediados com uns concertos vanguardistas, fizeram daquele ano o ANO!

As consequências: se pensam que fui preso, torturado, ameaçado ou outra coisa do género enganam-se. Sofri sim da “impiedosa ditadura familiar” que me leu a cartilha: outro ano igual e vais de enxada para o campo.

Afinal sempre tinha aprendido alguma coisa: ter um bocadinho de juízo.     

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 02:19
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2 comentários:
De A. Vernâncio a 3 de Agosto de 2007 às 12:03
Anos mais tarde também eu passei por essa cidade maravilha , bem em pleno PREC , também ouve manifestações e comícios "morceladas " e "tintureiro" só que eram outros que davam as ordens e claro continuavam a ser "estudantes" a desafiar a "nova autoridade" e a pancada entre estudantes continuava a ser diária. Também vivi alguns dos melhores anos da minha vida, e lá conheci alguns políticos da actualidade, entre os quais um destacado dirigente do PS que na altura frequentava a mesma Escola que eu e era na altura militante da JSD.
Para mim, penso que também para ti, e para a maioria dos que por lá passamos, a Escola de Coimbra foi mais do que a formação académica que de lá trouxemos, uma Escola de Cultura Cívica e de Liberdade.
Pena é que isso não tenha acontecido com todos!...

Um abraço académico


De Anónimo a 8 de Agosto de 2007 às 21:31
ó jacinto, aquele idiota das aspas que comenta no zé de mello afinal enganou-se por pouco, os teus problemas com a PIDE foram em 69, não foram em 73, enfim pormenores, eras mais novinho, tiveste mais dificuldade em superar o trauma, boas melhoras para os traumas post-guerra de moçambique!


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