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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007

A propósito de … Educação 3

O presente

A partir do final dos anos 80, princípios dos 90, tudo começou aparentemente a melhorar. Novas escolas começaram a proliferar por todo o país, os equipamentos e materiais didácticos foram aparecendo, os serviços modernizaram-se, os apoios aos alunos foram melhorados (serviços de transportes escolares, alimentação, apoio social, etc.) e finalmente começaram a chegar às escolas uma nova geração de professores.

Ora parecia que todos os ingredientes estavam reunidos para que os resultados finais melhorassem. E melhoraram, mas não proporcionalmente ao investimento feito. E aqui é que surge o problema. Porque é que as coisas estão como estão na educação? Pergunta difícil e com muitas respostas. Estudos atrás de estudos, reformas atrás de reformas e tudo parece andar para trás. Estranho, não é?

Mas analisemos todas as componentes do sistema educativo e seus actores.

Comecemos pela base da pirâmide que são os alunos e que teoricamente seriam os principais interessados em que tudo corresse bem, pois na escola começa o seu futuro. Vejamos então o que se passa:

1-      A grande maioria dos alunos quando sai do 1º ciclo aparece “coxa” ao 2º ciclo e por aí adiante, sendo que o agravamento é progressivo e em bola de neve. E porque é que tal acontece? Porque os responsáveis têm vergonha dos métodos “antigos” e como tal os meninos têm que aprender, brincando! Brincar, brincam, agora aprender é que não aprendem. Não se pode admitir que qualquer aluno que acabem o 1º ciclo não saiba ler e escrever, que não saiba já alguma gramática, saiba a tabuada de cor e salteado e não saiba fazer contas de olhos fechados. Mas não, é anti-pedagógico ensinar os meninos a sério e mais do que isso, é quase proibido reter (vulgo chumbar ou reprovar) um menino, mesmo que o menino nada queira fazer.

Logicamente que os problemas se vão agravado e acumulando de ciclo para ciclo e até que chegam ao ensino secundário num estado quase que irreversível. Usando um termo mais drástico, chegam em estado de “coma”.

2-      É por demais sabido que de modo algum se pode comparar os “atractivos” da sociedade presente com a do passado. Com a panóplia de brinquedos, tecnologias e diversões que estão ao seu dispor, quem quer ir para a escola? Se calhar nós os mais  velhos também não quereríamos. Os chamamentos são mais que muitos e sempre mais “simpáticos” que a escola. Mas alguma coisa tem de mudar. Falaremos nisso adiante.

Resumindo, os actores principais têm culpa, mas muito reduzida!

Passemos à segunda componente: os professores. Se no pós 25 de Abril as suas atitudes e comportamentos eram desculpáveis, dado o estado em que o país vivia, passado este período difícil as coisas teriam que mudar e não mudaram! Porquê? Muitas respostas se podem dar!

1-      O professor perdeu completamente a autoridade dentro de uma escola. Custa a admiti-lo, mas é a verdade nua e crua. O professor passou a ser não somente um FORMADOR, mas também um EDUCADOR.

2-      Socialmente o professor perdeu influência e ficou desprestigiado. Os próprios políticos e alguns “fazedores de opinião” se encarregaram dessa tarefa. Outras classes profissionais se seguiram e mais se seguirão, com a honrosa excepção dos militares e dos juízes. Está a ver-se o porque, não está?  

3-      O professor perdeu a iniciativa, ficando amarrado a normas que por vezes são inaplicáveis à massa humana que lhe é confiada.

4-      Profissionalmente o professor passou a ser como o caranguejo: passou a andar para trás.

Mas pode-se argumentar com a falta de profissionalismo da classe. Mas será que há neste ou em qualquer outro país uma classe profissional perfeita? Como em tudo na vida, há os muito bons, os bons, os assim-assim e os maus. Portanto, os actores professores também têm culpas no cartório, mas tal como os alunos, são mais vítimas que culpados.     

Analisemos a terceira componente do sistema: a escola

1-      A escola que desde sempre foi a vanguarda da sociedade, passou a andar a reboque desta. Foi completamente ultrapassada pela velocidade da evolução. Foi trucidada. Não soube ou não pôde adaptar-se à aceleração dos tempos que correm. Perdeu por completo o comboio do progresso e penso que jamais o apanhará.

2-      A escola por vezes não está desenhada em função do meio em que está inserida e como tal não cumpre a sua função.

3-      A escola tem limitações em termos de autonomia o que complica de sobremaneira o seu funcionamento.

4-      A escola é vítima de uma legislação em constante mutação. O que é verdade hoje podê-lo-á não ser amanhã. Atente-se o caso muito recente das célebres aulas de substituição. Num ano eram a solução para muitos problemas, no ano seguinte passou a ser parte do problema.  

Resumindo, a escola também tem a sua cota parte de culpas, mas também muito reduzidas.

Por último, vamos ver o que se passa no vértice da pirâmide ou seja o Ministério da Educação.

Se se pensa que por serem os últimos são os mais culpados, tal não corresponde à verdade. Este ministério é um barco gigante que navega e sempre navegou com os ventos da política. É um mal que vem de longe. Há muitos anos atrás, tanto este como todos os outros ministérios eram “governados” por profissionais do assunto a tempo inteiro. Desde o funcionário mais modesto até às chefias, incluindo os directores gerais, directores regionais, iam subindo na carreira por mérito profissional. Somente os secretários de estado e os ministros eram de escolha política. Mal ou bem o sistema ia funcionando. Presentemente até um simples chefe de serviços faz parte de uma carreira, só que política. Vem abaixo o governo e este arrasta atrás de si um sem número de carreiristas políticos, que serão substituídos por outros só que de cor partidária diferente. Mesmo que as políticas educativas fossem as mesmas ao longo dos tempos (que não são), os solavancos são constantes.

Entra um ministro, muda-se a política, fazem-se novas reformas educativas, mudam-se os programas e os conteúdos programáticos, desfazem-se leis e fazem-se novas, mudam-se as caras e os discursos e o problema persiste.

Será então que está encontrado o cerne da questão? Sim e não! O grande pecado dos sucessivos ministérios é o da falta de coragem política de apontar o dedo a quem devia apontar. Só que estes são votos e não convém hostilizar. È mais fácil sacudir a água do capote para cima de outros.

Amanhã escreverei se a paciência não me faltar o último capítulo desta triste novela que é a EDUCAÇÃO em Portugal. É dedicada às FAMÍLIAS e PAIS dos nossos jovens e futuros homens de amanhã!

Jacinto César


Tasca das amoreiras às 02:55
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1 comentário:
De Antómio Venâncio a 29 de Setembro de 2007 às 09:13
De salientar, relativamente a todo este quadro, que no que toca à formação de professores, as novas políticas também têm a sua quota parte, pois descuram formação cientifica em favor de uma formação pedagógica altamente sectária, que encara o professor como o "facilitador de aprendizagens " e o aluno como um "investigador nato". Neste pressuposto , ao futuro professor, pede-se-lhe que saiba como facilitar o conhecimento, mas não que ele próprio tenha conhecimentos para transmitir. A ideia é que os seus alunos, nos escassos anos de escola, façam o percurso da construção do conhecimento.
Mas como é possível construir em tão pouco tempo o conhecimento de milénios ?...
Qual a vantagem de inventar o que já está inventado?...
Não é certamente isto que a sociedade espera da Escola?...


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