Este último ano foi fértil em avaliações (ou não) das quais se destacaram as dos professores. Mas não é sobre estes que queria escrever, pois o assunto já tem barbas e não tem fim à vista. É sobre a avaliação do governo e dos seus ministros.
Como é que os ministros são avaliados? Dirão a correr alguns que é pelos votos. Muito bem, em teoria qualquer governo que se porta mal é penalizado nas urnas. Disse em teoria porque na prática nada se passa assim, ou seja, quando um governo é aparentemente penalizado, esta penalização é um prémio que se lhes está a atribuir. Olhemos para trás e para os últimos governos e isto aplica-se aos dois maiores partidos, PSD e PS. Que aconteceu aos ministros “penalizados” pela avaliação dos votos? Pois bem, foram corridos do governo e eles correram para os braços dos conselhos de administração das empresas que anteriormente haviam favorecido. Quem se quiser dar ao trabalho de percorrer os sites das maiores empresas portuguesas, públicas ou privadas, e ver a composição dos seus conselhos de administração vai ficar espantado: ou ex-ministros ou ex-secretários de estado. Não é por medo que não coloco aqui os seus nomes, mas por cansativa que se tornava a tarefa de os escrever e depois alguém os ler. É a corrupção no seu melhor. Mas por acaso alguém pensa que na eventualidade, e eu espero que sim, deste governo cair nas próximas eleições algum dos seus ministros está preocupado com o futuro? Se assim pensam são inocentes, pois a esta hora o seu futuro está mais que salvaguardo, e para melhor já que ser governante dá muito trabalho e é-se muito mal pago (não são de certeza os ministros mais bem pagos da UE ao contrário dos professores). Basta olhar para os dois casos deste governo, de ministros que abandonaram as funções mais cedo: ambos já estão bem na vida graças a Deus.
Como a Constituição Portuguesa diz no seu artigo 1, que todos os cidadãos são iguais perante a lei, prometo aqui solenemente que vou portar-me o mais mal possível para ter uma avaliação de MAU e ser posto ao fresco, e depois exigir um tacho. Bolas, eu também tenho direitos, não?
Jacinto César
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