Quando falo de turismo não é que seja conhecedor do assunto, mas sei perfeitamente o que gosto ou não como turista que sou há 45 anos. Nestes anos todos já corri mais de meio mundo e colhi experiências como o comum cidadão não teve a sorte de ter.
1 - Desde os meus 20 anos que tenho um sonho e que é ir à Índia e conhecer o Taj-Mahal.
Porquê esta vontade tão grande? Porque desde sempre tenho sido bombardeado com imagens do referido palácio, em fotografias, em revistas, na televisão, no cinema e em todos os lugares possíveis e imaginários. É a tal publicidade (que não o é comercial) que nos faz criar o apetite. É a cultura do diferente e do exótico.
E nós aqui em Elvas o que é que temos feito por isso? Nada! Absolutamente nada! Não quero com isto culpar seja quem for e que tão pouco que alguém se sinta atingido. Só que o problema é o turismo na nossa cidade em particular e a região de turismo em geral ter sido e é administrada por amadores. Há que vender essa imagem a todo o custo e usando todos os meios ao nosso alcance.
Guimarães tem uma praça (que não recordo o nome) que se tornou famosíssima à custa de um anúncio de televisão da cerveja Super Bock. Exemplos como este são muitos. Basta estar com atenção e recordar coisas deste tipo com que somos “inocentemente” bombardeados. A palavra inocente coloquei-a entre aspas, porque de inocente não tem nada. É um fenómeno psicológico que se conhece já há muitos anos e que pode tomar formas ainda mais agressivas. Só que são de uma eficiência tremenda.
2 – É costume dos portugueses e a propósito do comércio dizer-se que o cliente tem sempre razão. Esta frase pode-se aplicar com toda a propriedade ao turismo. O turista tem sempre razão e há que lhe aturar todas as manias.
Vi uma vez em Marrocos um maduro que se encontrava dentro da piscina do hotel pedir ao empregado do bar uma cerveja. O homem lá foi buscar a dita, mas quando voltou o turista estava no meio da piscina. O empregado calmamente descalçou-se e entrou de bandeja na mão a entregar a bebida ao cliente. Acreditem que não é história. O gesto do empregado pode parecer um disparate, só que é inteligente. O visitante deve ter contado mil vezes a história a amigos e conhecidos. É a publicidade boca a boca.
Ontem falei aqui no caso do “El Cristo” e depois lembrei-me de que há pessoas na nossa cidade que têm um prazer especial em enviar os visitantes em sentido contrário àquele que pretendem. É a publicidade negativa.
3 – Um dos processos eficazes é a atracção de eventos para a cidade. Recordo-me de um que ocorreu na nossa cidade e que foi o Congresso da Herbalife. Podemos ou não concordar com os assuntos que por lá foram discutidos, mas o que é certo é que estiveram cá umas centenas de pessoas que ocuparam os hotéis durante uns dias. São necessários muitos mais eventos deste tipo nem que para tal se ofereça a utilização do Coliseu ou outro espaço. Gaste-se dinheiro para atrair este tipo e outro tipo de eventos para a cidade. Houve em tempos em Elvas o Rally dos Montes Alentejanos. Atraía a Elvas centenas de pessoas, além de todo o pessoal necessário da organização, equipes, pessoal de assistência e outros mais. Acabou e nunca mais houve qualquer coisa do género e a atrair tanta gente.
Resumindo: profissionalize-se o turismo em Elvas. Continuarei.
Jacinto César
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