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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Turismo em Elvas - 2

Confesso que já há uns meses a esta parte gostaria de escrever mais sobre turismo, mas também não é menos verdade que quando comecei a escrever me senti constrangido a fazê-lo em virtude de na altura terem comentado que o fazia por mania das grandezas e ser um atentado aos pobres dar-me ao luxo de escrever sobre o tema a partir da Indonésia onde me encontrava. Ontem resolvi recomeçar depois de ter sido encorajado pelo programa da RTP1 que referi.

 

Quando falo de turismo não é que seja conhecedor do assunto, mas sei perfeitamente o que gosto ou não como turista que sou há 45 anos. Nestes anos todos já corri mais de meio mundo e colhi experiências como o comum cidadão não teve a sorte de ter.

 

1 - Desde os meus 20 anos que tenho um sonho e que é ir à Índia e conhecer o Taj-Mahal.

Porquê esta vontade tão grande? Porque desde sempre tenho sido bombardeado com imagens do referido palácio, em fotografias, em revistas, na televisão, no cinema e em todos os lugares possíveis e imaginários. É a tal publicidade (que não o é comercial) que nos faz criar o apetite. É a cultura do diferente e do exótico.

E nós aqui em Elvas o que é que temos feito por isso? Nada! Absolutamente nada! Não quero com isto culpar seja quem for e que tão pouco que alguém se sinta atingido. Só que o problema é o turismo na nossa cidade em particular e a região de turismo em geral ter sido e é administrada por amadores. Há que vender essa imagem a todo o custo e usando todos os meios ao nosso alcance.

Guimarães tem uma praça (que não recordo o nome) que se tornou famosíssima à custa de um anúncio de televisão da cerveja Super Bock. Exemplos como este são muitos. Basta estar com atenção e recordar coisas deste tipo com que somos “inocentemente” bombardeados. A palavra inocente coloquei-a entre aspas, porque de inocente não tem nada. É um fenómeno psicológico que se conhece já há muitos anos e que pode tomar formas ainda mais agressivas. Só que são de uma eficiência tremenda.

 

2 – É costume dos portugueses e a propósito do comércio dizer-se que o cliente tem sempre razão. Esta frase pode-se aplicar com toda a propriedade ao turismo. O turista tem sempre razão e há que lhe aturar todas as manias.

Vi uma vez em Marrocos um maduro que se encontrava dentro da piscina do hotel pedir ao empregado do bar uma cerveja. O homem lá foi buscar a dita, mas quando voltou o turista estava no meio da piscina. O empregado calmamente descalçou-se e entrou de bandeja na mão a entregar a bebida ao cliente. Acreditem que não é história. O gesto do empregado pode parecer um disparate, só que é inteligente. O visitante deve ter contado mil vezes a história a amigos e conhecidos. É a publicidade boca a boca.

Ontem falei aqui no caso do “El Cristo” e depois lembrei-me de que há pessoas na nossa cidade que têm um prazer especial em enviar os visitantes em sentido contrário àquele que pretendem. É a publicidade negativa.

 

3 – Um dos processos eficazes é a atracção de eventos para a cidade. Recordo-me de um que ocorreu na nossa cidade e que foi o Congresso da Herbalife. Podemos ou não concordar com os assuntos que por lá foram discutidos, mas o que é certo é que estiveram cá umas centenas de pessoas que ocuparam os hotéis durante uns dias. São necessários muitos mais eventos deste tipo nem que para tal se ofereça a utilização do Coliseu ou outro espaço. Gaste-se dinheiro para atrair este tipo e outro tipo de eventos para a cidade. Houve em tempos em Elvas o Rally dos Montes Alentejanos. Atraía a Elvas centenas de pessoas, além de todo o pessoal necessário da organização, equipes, pessoal de assistência e outros mais. Acabou e nunca mais houve qualquer coisa do género e a atrair tanta gente.

 

Resumindo: profissionalize-se o turismo em Elvas. Continuarei.

 

Jacinto César 

 


Tasca das amoreiras às 22:54
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5 comentários:
De Anónimo a 26 de Junho de 2009 às 00:13
Começo por pedir desculpa ao administrador do blog pelo comentário alheio ao seu post.
Não podia de deixar passar em claro um acontecimento em Elvas de relevo. O julgamento do SR PRESIDENTE DA ASSEMLEIA MUNIIPAL DE ELVAS por Expulsão do SrT tIAGO ABREU EM 2006.
segundo me contaram foi um acto imponderado do Sr Professor Joaquim Mendes.
Mas, expulsão de um deputado----Acho inconstitucional. O Tribunal deciderá...


De Anónimo a 26 de Junho de 2009 às 11:12
"Já que o centro está a ser esvaziado, pelo menos que fique bem arranjado, sem casas a caírem e com as paredes bem caiadas para não dar uma imagem de desleixo que por vezes se observa."

DIZ EM COMENTÁRIO ANTERIOR O BLOGGER "GAIATO ALENTEJANO", QUE CONCORDA QUE O CENTRO ESTÁ A SER "ESVAZIADO".

AGORA PERGUNTO EU, SE NÃO INTERESSA VIVER NO CENTRO, PARA QUÊ E PARA QUEM RECUPERAR AS CASAS?

E QUEM AS VAI RECUPERAR? É QUE NINGUÉM COM 2 DEDOS DE TESTA SE ESTABELECE ONDE NÃO PODE VIVER POR FALTA DE ESTACIONAMENTO!





De J.Fonseca a 26 de Junho de 2009 às 13:46
Concordo em absoluto com as ideias que o Jacinto, tem publicado no seu blog sobre turismo. São ideias de alguem que quer se goste ou não, tem uma visão do mundo mais universal que o comum do cidadão, pelo facto de conhecer meio mundo e fazer das viagens, experiencias de vida, não se limitando a tirar "a fotografia da praxe" .
Ainda me recordo, já faz um bom par de anos,quando com seus saudosos pais e irmão, "correram a Europa numa carrinha Morris Mini. Outros tempos.
Uma sugestão porque não fazer uma feira original, só dos produtos verdadeiramente de Elvas.
As feiras que se fazem em Elvas há excepção da feira do património pecam por falta de originalidade e profissionalismo.
J.Fonseca


De Gaiato alentejano a 26 de Junho de 2009 às 19:49
Sr. Anónimo. Em primeiro lugar não é preciso andar aos berros para se dizer qualquer coisa. O uso de maiúsculas constitui uma falta de respeito para todos os usuários da Net a não ser... que esteja precisamente a andar aos berros.

Relativamente ao seu comentário, dizer simplesmente que não concordo com o esvaziamento da Cidade. Só constatei um facto. Mas acho que a cidade devia ser objecto de um tratamento integral, não de acções individuais, isoladas. E quando a iniciativa privada não é possível ou não é suficiente, cabe aos poderes públicos investir.

O senhor fala na falta de estacionamento existente. Está certo, mas reduzir o problema da Cidade à falta de estacionamento é ter uma visão muito limitada da questão. Para começar, talvez tenhamos de começar a abdicar de ter o carro à porta de casa, já que a Cidade não evoluiu a pensar na invasão de centenas de carro todos os dias em todas as ruas e becos existentes. Se quisermos ter uma Cidade bem conservada, o trânsito deve ser reduzido à mínima expressão. E acho que caminhar 100 m. do lugar onde deixamos o carro até a nossa morada não é, sem dúvida, um entrave para deixar de viver nela. Como disse, às vezes somos muito comodistas e pretendemos ter o carro ao lado da porta de casa é isso nem sempre é possível. Não deveria ser preciso lembrar que na maior parte das cidades europeias os centros históricos são espaços completamente pedonais, pelo que o trânsito ou é proibido ou está condicionado apenas para os moradores e em condições especiais.

O problema da Cidade prende-se com o facto de:

1-Existirem muitas habitações disponíveis, de forma que temos em Elvas muitos prédios que estão meio vazios... exactamente o que se passa na Cidade. Obviamente é mais cómodo viver numa vivendinha ou num apartamento com garagem do que fazê-lo numa casa estreitinha num beco qualquer, já que as pessoas em geral não valorizam o património histórico mais além do evidente (castelo, Sé, etc.) e às vezes até nem por isso.

2-Ter dificuldades em atrair novos moradores por causa de uma situação económica adversa, nomeadamente as dificuldades em encontrar emprego.

Investir na Cidade porquê?

a)-Porque falando em turismo, ninguém quer visitar um lugar que esteja degradado, com casas a ruir ou com aspecto desleixado.

b)-Porque precisamente a existência de mais habitações disponíveis poderia existir um programa de habitações sociais para jovens com poucos recursos que andam à procura da sua primeira morada ou de famílias que não tendo possibilidades de compra, poderiam morar lá com alugueis baratos, mas em habitações dignas. É para isso preciso o investimento privado daqueles que possam fazê-lo e, na insuficiência ou ausência destes, são os poderes públicos os que devem interagir com programas de recuperação integrais dos centros históricos. Existem exemplos europeus, por falarmos em estacionamentos, onde foram construídos estacionamentos pelos municípios para os moradores que podiam escolher entre comprar um lugar a um custo reduzido ou pagar um aluguer mensal igualmente reduzido.

Acho que já tem a minha resposta, Sr. Anónimo. Penso que a Cidade é um espaço a valorizar e já dei ideias nesse sentido. Actualmente as ruas principais apresentam um estado razoável de conservação, mas existem ruas secundárias que nem por isso, e que dão uma má imagem nossa. E é que afinal nem tudo se reduz a comodidade nem a dinheiro. A cultura não tem preço e convenhamos que os turistas que podemos atrair não são aqueles das três S (sun , sea & sex), mas sim gente formada, que valoriza o património artístico e que está disposta a pagar por ter uns serviços de qualidade.

Como afinal tudo se reduz a uma questão de dinheiro, convém dizer que o aumento das receitas geradas também podem actuar como capital de investimento. Mais turistas e mais qualidade= mais dinheiro e mais riqueza para a Cidade. É uma equação muito simples. A não ser que queira sempre ter o carro ao lado de casa...

Finalmente peço desculpa pela dimensão do meu comentário para eventuais leitores, mas uma questão tão complexa não podia ser despachada com argumentos bacocos e demagógicos. Tentei, de qualquer forma, ficar-me pelo essencial do assunto.


De JB a 26 de Junho de 2009 às 21:14
Ora aqui está um comentário com pés e cabeça, e que recomendo vivamente a leitura do mesmo aos governantes da cidade, porque é a edilidade a meu ver a primeira a solucionar esses problemas de degradação, se não a fazer, a obrigar a fazer. É um facto que os carros complicam muito mas também se deve dar condições a quem paga o Imposto Automovel


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