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Domingo, 23 de Setembro de 2007

A propósito de … Educação 1

Já há muito tempo que andava para escrever sobre este assunto, mas devido ao melindre tenho andado a evitá-lo, mas com o novo ano a começar sinto-me na obrigação de o fazer.

O ANTES E DEPOIS

O Antes

Qualquer pessoa da minha geração sabe que aquilo que vou contar é verdade e como tal serve o presente artigo para alertar as seguintes.

É verdade que antes do 25 de Abril somente uma pequena parte da população tinha acesso à educação, mas aqueles que podiam ir para a escola saiam com uma FORMAÇÃO diferente e para melhor. Eu falo do meu caso pessoal, que de certeza será parecido com a de muitos outros. Sou filho de pessoas modestas, mas que no entanto fizeram questão que estudasse para poder ter uma vida melhor do que aquela que eles tiveram. Em boa hora o fizeram e por tal lhes estou eternamente agradecido.

Quando fui para a escola primária em Stª Luzia, foi meu professor da 1ª à 4ª classe o saudoso Prof. Candeias. Sei hoje que poderá não ter sido um modelo em pedagogo, mas lá que aprendíamos, aprendíamos. Recordo como se fosse hoje que logo pela manhã todos nós esfregávamos as mãos para as aquecer e não doer tanto as reguadas que de certeza iríamos apanhar de seguida: um erro nas contas, uma reguada, um erro no ditado, uma reguada e por aí acima. Durante o resto do dia ainda tínhamos direito a um brinde: o nó da cana-da-índia nas nossas cabeças e a que chamavam ponteiro. O que é certo é que todos aprendíamos com maior ou menor dificuldade. Nós sabíamos escrever e ler, fazíamos as contas no papel e de cabeça, sabíamos os rios e afluentes, as estações de comboios e apeadeiros, os reis de Portugal, as mulheres, filhos e amantes. Eu sei lá que mais nós sabíamos, mas sabíamos. Recitávamos e cantávamos a tabuada como ninguém, fosse de seguida ou salteada Mas sabíamos. Saído da escola pelas 3 da tarde lá ia a caminho do segundo “suplício” do dia: a Mestra Fava. Se na escola o respeito era imposto à moda do Prof. Candeias, a Mestra Fava não se lhe ficava atrás. Todos os pretextos eram bons para que a minha cara fosse parar às mãos dela. As coisas nem sempre paravam por aqui, pois se chegássemos a casa e contássemos alguma destas peripécias, teria sem dúvida a terceira sessão: alguma tinha feito para merecer. E assim era o meu (nosso) dia-a-dia.

Chegou finalmente o dia da “libertação”: o exame da 4ª classe seguido do exame de admissão. Uns, os mais abastados, faziam-no ao Liceu, os outros à Escola Técnica. Eu pertenci a este último grupo. Finalmente longe da “tirania” da primária.

Santa inocência a minha.

Logo no primeiro dia a reunião geral de alunos no ginásio, presidida pelo seu director: Dr. Amílcar. Conselhos e mais conselhos para o bom funcionamento da escola novinha em folha. Um deles dizia respeito aos corrimões. “Jamais podereis descer a escada pelo corrimão” dizia ele de dedo apontado e eu a ver o corrimão a chamar-me também com um “dedo”. A este segundo, não resisti pouco depois! E quem estava cá em baixo à espera? O Dr. Amílcar, quem mais podia ser. Não é preciso contar o que me aconteceu. O que é certo é que sete anos se passaram e o sistema era igual ao da primária, só com uma agravante: muitos dos professores moravam perto da minha casa e escusado será dizer que a mínima que fizesse era logo do conhecimento dos meus pais. Podem imaginar o “martírio” que passei. Mas há uma coisa que sei: mais estalo, menos estalo, lá íamos aprendendo. E aprendi e aprenderam muitos. E aprendemos e aprendemos bem. A respeito da pedagogia empregue nesses tempos, podereis não estar de acordo com ela na totalidade, mas que as “coisas” funcionavam, lá isso funcionavam. Havia também um factor de extrema importância: a EDUCAÇÃO que recebíamos em casa.

Jacinto César  


Tasca das amoreiras às 01:37
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1 comentário:
De António Venâncio a 26 de Setembro de 2007 às 08:02
Imagina agora como a coisa funcionava para um filho de professora. É que lá em casa sabia-se sempre o que se tinha passado na escola .
E depois com a passagem ao liceu, em Portalegre, porque eu vivia nessa época em Arronches, tinha a deslocação diária de 25 Km para cada lado. Nesse tempo, não havia transportes escolares, nem cantina na escola, nem telemóvel para ligar para casa em caso de emergência, mas aprendíamos!...


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