Recebi o mail que transcrevo a seguir e sem comentários. Cada um que pense e reflicta sobre o assunto.
“35 anos depois
Servi as Forças Armadas em Moçambique, entre 1972 e 1974, integrado num batalhão que deu protecção à construção de Cahora Bassa e garantiu, enquanto possível, os legítimos interesses de Portugal naquele território.
Completam-se em Setembro, 35 anos que regressámos à então Metrópole, meninos transformados em homens que lutaram numa guerra que não despoletaram, compreenderam, mas aceitaram, porque era esse à época o dever patriótico de todo o mancebo cujos pais não tinham posses de os pôr a salvo na Europa, ao abrigo do estatuto de refugiados políticos.
Em boa verdade, orgulho-me de ter servido o país no que era o então desígnio nacional, muito antes das paixões tecnológicas e destes gajos sem credo nem pátria que tomaram conta do poder, após a generosa revolta de quem acreditava que poderíamos ter outro futuro. Na cobardia de quem não teve os tomates necessários para servir a pátria, fantasiada de democracia, usurparam os sonhos, o presente e o futuro a um povo bom, romântico e inocente.
Hoje, dos que restam, reunimo-nos creio que pela 34ª vez, respondendo à chamada com a prontidão com que então dizíamos, presente! A generalidade dos meninos que embarcaram para Moçambique na Primavera de 1972, são hoje vulgares portugueses de 60 anos, que há muito perderam os sonhos de Abril, profundamente descrentes do presente e apenas preocupados com o que possa restar das suas vidas.
Homens vulgares de sessenta anos doentes, cansados, à espera que o sistema lhes conceda a esmola de uma pensão para a qual descontaram dos seus salários os montantes exigidos. Alguns destes homens, estão particularmente mal, minados por doenças sem cura, vítimas de AVC’s, vergados pela vida, respondem ainda à chamada fazendo-se acompanhar por mulheres, filhos e netos, constituindo-se numa grande família que se reúne em cada Primavera, para cimentar as raízes que a une.
Há tempos, um destes demagogos que vivem da política, quis instituir uma qualquer pensão miserável para os servidores da pátria que lutaram no antigo ultramar. Creio que a coisa terá ficado em águas de bacalhau, por não existirem verbas para o efeito. E ainda bem. Quem serviu na guerra ultramarina, não é mais merecedor de uma vida digna que qualquer outro português. O que não merecíamos seguramente, é a governação de meia dúzia de aldrabões que nos rouba a cada dia que passa, a esperança de um futuro melhor.”
Jacinto César
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