Há meses a esta parte alertei aqui, e não só, para os riscos que a oposição estava a correr com os comportamentos que estava a ter.
Passados uns meses e com o aparecimento da ADE, voltei a chamar à atenção de que a manobra teoricamente obscura, não passava de uma artimanha que toda a gente estava a ver, menos os seus responsáveis. Ninguém quis ouvir e a marcha seguiu.
Até que chegámos aos dias de hoje e infelizmente aconteceu o que eu tinha então previsto: uma grande embrulhada e que presumo que agora ninguém saiba como há-de descalçar a bota.
Não sou político, nem tenho pretensões a tal, mas isso não me impede de, andando de olhos abertos, ver o que se passa no panorama político actual.
Em condições NORMAIS já as coisas seriam difíceis para a oposição local em bater-se com Rondão de Almeida. Entrando, combater no seu terreno a missão tornava-se impossível. Só num filme de ficção.
Atacou-se a câmara por onde não devia! Não se procuraram os pontos fracos (e que não são poucos) para atacar, e sem recorrer à má-língua, ao disparate, à vateirice e muito menos à ofensa pessoal. Mas não! Optou-se por jogar no campo do adversário e os resultados estão à vista de todos.
E agora, perguntar-me-ão? Agora é aguentar da melhor maneira possível e fazer como na tropa quando uma ordem é mal dada: “tudo à primeira forma”.
Neste jogo político há quem tenha que arcar com as consequências e que é o PSD. A estratégia de alianças era à partida destinada ao fracasso. Mas não viram. Pareciam hipnotizados ou hipotecados ao PP (reparem que digo PP e não CDS). Recusaram-se a contar espingardas como muita gente propunha, já que mesmo perdendo, ficava-se a saber o que cada um valia. Mas não, tudo a molho, já para não falar nos possíveis pára-quedistas vindos de “outras paragens”.
Perante os acontecimentos recentes, venham eles a público ou não, de uma coisa tenho eu a certeza: alguém tem que meter a viola no saco e ir cantar para outra freguesia. Refiro-me concretamente a Tiago Abreu. Pode não se afundar por misericórdia, mas ficou numa posição que não lhe permite falar sob pena da espada que lhe pende sobre a cabeça cair. Se não estiver pelos ajustes quem pode perdoar, então o escândalo vai ser total.
Caro amigo José Júlio, não podes afirmar que não te alertaram para a embrulhada em que te estavas a meter. Relembro-te aqui aquele velho ditado “que antes só que mal acompanhado”. Perdias, é verdade, mas perdias com dignidade. Assim, é uma forma muito injusta de te afundares. És como aqueles que ao querem salvar alguém de morrer afogado, acabam por se afogarem também. Lamento.
As últimas palavras destino-as a Tiago Abreu. Já que falámos atrás em ditados populares, acrescento mais um: “pela boca morre o peixe”. Aplica-se que “nem gingas à sua pessoa. Admiro-lhe a coragem, mas não chega. Nem o exemplo do David e Golias você aprendeu. Ser político como você queria ser era a forma mais errada de se estar neste meio. Acredito que se deixou levar por uns quantos lambe botas que o rodearam e batiam palmas a tudo o que dizia e escrevia. E agora? Onde para essa gente? Já devem ter feito como os ratos do navio que se afunda. Estando as coisas neste pé, só espero é que terminem da melhor maneira para si. Depois disto tudo passar, só me resta dar-lhe um último conselho: retire-se.
Jacinto César
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