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Domingo, 16 de Setembro de 2007

Em contra ciclo

Após um período de grande crescimento do sistema de ensino em Portugal, consequência em primeiro lugar da ”reforma Veiga Simão”, e seguidamente do 25 de Abril, durante o qual a se fez sentir uma grande carência de professores, há aproximadamente vinte anos, começou a inverter-se a situação, começando a existir alguns grupos disciplinares com professores em excesso. Nos últimos quinze anos, a tendência veio-se mantendo, quer pela diminuição da taxa de natalidade, quer pela proliferação de Escolas Superiores de Educação e de cursos Via Ensino, que o estado criou, ou deixou criar. Com a entrada em funções deste governo, a situação veio a agravar-se repentinamente devido a um conjunto de medidas com efeito comulativo, como sejam: o estabelecimento dos sessenta e cinco anos com idade mínima de reforma, o encerramento de centenas de escolas, a redução do número de professores de apoio para alunos com dificuldades e a eliminação das horas de redução para desempenho de cargos. Como resultado, no início deste ano lectivo, temos aproximadamente quarenta e cinco mil jovens e menos jovens com qualificação superior, que se candidatam para lugares para os quais levaram anos a preparar-se, e ficam no desemprego.
Diz a Senhora Ministro da Educação, que essas pessoas, deverão ir procurar outras opções, porque não fazem falta ao sistema!... Poderá ser, mas esse sinal deveria ter sido dado há anos, reduzindo o número de vagas nos cursos via ensino. Que pensarão os nossos jovens de catorze quinze anos, a quem hoje se diz que devem apostar na qualificação, quando ouvem a responsável pelo sector dar este conselho a quem tem essa qualificação?...
Neste momento, os quadros das nossas escolas, estão maioritariamente preenchidos por professores cujas idades se situam entre os quarenta e cinco e os cinquenta e cinco anos, os quais, de acordo com a lei actual, se irão reformar daqui a dez a vinte anos. Não será certamente possível aos quarenta e cinco mil candidatos que ficaram de fora no concurso deste ano esperar dez anos que comecem a surgir vagas, pelo que, seguramente, irão procurar outras opções de vida.
Por outro lado, com os sinais que estão a ser dados, tanto no que se refere a perspectivas de emprego, como no tocante à forma como se tem degradado deliberadamente a imagem do professor não é credível que muitos dos jovens que estão neste momento nas nossas escolas, optem por seguir cursos via ensino, e são esses jovens que estão a entrar no mercado de trabalho daqui a dez anos. Quem vai nessa altura assegurar o preenchimento das vagas?...
Penso que estamos a funcionar em contra ciclo pois criamos, mantivemos e fomentámos cursos via ensino, quando o sistema já não possuía capacidade de absorção, criando nos jovens á entrada do ensino superior uma expectativa que não correspondia à real capacidade de emprego. Neste momento, estaria certamente na altura de começar tornar atractiva aos nosso jovens a carreira de professor, pois caso contrário daqui a dez quinze anos não teremos professores suficientes para as necessidades.
Deveríamos aprender com a experiência de Inglaterra, que seguiu os mesmos passos que estão a ser seguidos por Portugal, e neste momento está a colocar anúncios para a contratação de professores nos jornais dos diversos países da União Europeia.
Se para os Ingleses, vais ser relativamente fácil resolver o seu problema por esta via(eventualmente alguns dos quarenta e cinco mil que ficaram por colocar em Portugal, poderão optar pela emigração), para Portugal o caso é outro, quando chegar o momento, quantos professores europeus sabem português, e quantos estarão dispostos a vir para Portugal com as condições de trabalho e o estatuto que lhes é proposto?...  
 
António Venâncio

Tasca das amoreiras às 17:33
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4 comentários:
De Dina a 16 de Setembro de 2007 às 18:55
Parabéns. Esta é uma análise muito bem feita da situação dos professores neste país. (sim com letra pequena que é assim que estamos, cada vez mais pequenos)


De José Carrancudo a 17 de Setembro de 2007 às 11:29
Esperemos que alguns dos professores portugueses que irão emigrar agora, poderão voltar quando a Pátria o necessitar. Dada e situação demográfica e a necessidade de poupar a todo o custo, os cursos Via Ensino devem estar em vias de extinção. Entretanto, o nosso maior problema é estarmos a ensinar mal na escola (http://educacao-em-portugal.blogspot.com/).


De António Venâncio a 17 de Setembro de 2007 às 12:38
Plenamente de acordo.
As pedagogias que têm sido seguidas, que continuam a ser aconselhadas pelo sistema tanto nas orientações dos programas como na formação de professores, tornou o nosso sistema naquilo que é hoje, e que resumo numa frase:
Ensinamos os alunos a construir raciocínios , sobre o vazio.
É como se fornecêssemos as ferramentas para fazer e o terreno para construir uma casa, mas negássemos o acesso aos materiais de construção.


De Anónimo a 17 de Setembro de 2007 às 16:13
...Longe de estar de alguma forma ligado ao ensino, fico com a sensação que as escolas superiores de educação, assim como as ensino superior agrícola, estas uma por distrito, servem sobretudo para manter uma casta superior de funcionários públicos, que tem consciência que está a enganar os jovens estudantes com uma mão cheia de nada...

...depois há as universidades privadas em que só é preciso ser filho de pai rico...

...depois como nas privadas o nível dos alunos (e professores?) muito fraco tende a haver uma distribuição estatística da nota, ou seja por exewmplo uma nota 17 na privada equivaler a um 11 na pública...

...crei que em espanha este problema é resolvido com exames de aferição "oposiciones"...

...mas é o país que temos e agora com bolonha as escolas sup de educ. já são iguais às faculdades...

...temos que preparar os nossos filhos para serem profissionais livres e não depender de um estado que de racional nada tem na maneira como trata os seus servidores...



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